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“Na vida associativa ganhei mais, recebi mais, que aquilo que dei”

António Magalhães
Política \ sexta-feira, julho 14, 2023
© Direitos reservados
Ricardo Araújo, líder da comissão concelhia do PSD de Guimarães, é o convidado das edição 29 do Conversas.

Ricardo Araújo dirigente do PSD e quadro superior numa das mais importantes empresas de engenharia em Portugal, numa conversa que, partindo do gosto pela intervenção associativa e política, permitiu a partilha de algumas das mais impressivas memórias.

Apesar de ter elevadas responsabilidades partidárias, exerce a atividade política nos seus tempos livres.

Felizmente tenho uma carreira profissional autónoma, que sempre fiz questão de ter, o que me permite ter a liberdade necessária para estar na vida política da forma como gosto de estar.

É importante ter essa liberdade?

Com certeza! É fundamental para podermos estar na política de uma forma consciente, livre, empenhada, em que fazemos e dizemos aquilo em que verdadeiramente acreditamos ser o melhor para a nossa comunidade. Claro que na vida política, como na vida coletiva, nas associações ou nas empresas, não tomamos as decisões como se estivéssemos sozinhos no mundo. Ainda bem que assim é porque temos de ter a habilidade e a inteligência suficientes para conseguirmos concertar posições, negociar, saber discutir e tomar as decisões que entendemos ser as melhores para a vida coletiva.

Sempre gostei da política e hoje continuo apaixonado pela vida pública e pela vida política; faço-o com muito gosto. Quem estiver na vida política a fazer sacrifícios, sobretudo em determinadas posições que nos obrigam a dedicar muito tempo, eu imagino que deve ser de facto um fardo muito pesado.

Esse empenhamento tão profundo, feito nos tempos livres, não lhe retira a possibilidade de fazer outras coisas de que gosta?

É verdade que há algumas restrições que decorrem de o tempo não ser ilimitado. Há algumas coisas que eu gostaria de fazer mais vezes, durante mais tempo, e nem sempre tenho essa oportunidade. Mas não sou daquelas pessoas que dizem fazer um grande sacrifício por estar na vida política ou nas associações. Mesmo na vida associativa, e faço-o desde muito novo, desde os 14 anos, sempre disse que ganhei mais, recebi mais, que aquilo que dei. Hoje, muito do que sou, é resultado destas experiências associativas, em organizações, em grupos. Como vivo, felizmente, muito bem comigo próprio, com a família, com os amigos, sinto-me feliz por isso.

Participa no movimento associativo desde muito cedo; a que se deve essa participação? Há uma história de família?

O meu pai sempre teve uma vida associativa relevante. Vim para o C.A.R. pela mão dele, mas eu próprio desenvolvi muito esse gosto por participar em projetos coletivos, liderar organizações, a vontade de querer fazer e de querer transformar a minha comunidade. Foi algo que fui desenvolvendo e que faço com todo gosto. O Círculo de Arte e Recreio foi importante porque conheci muita gente que foi fundamental para o meu percurso. Pessoas como Santos Simões, que tive o privilégio, o grande orgulho de conhecer e ter como Presidente da Assembleia Geral. Aprendi imenso com ele: o rigor, a importância do conhecimento, a dedicação à transformação da comunidade, independentemente das ideologias políticas. Santos Simões foi das pessoas mais importantes que tive na minha presidência do Círculo de Arte e Recreio. Aqui conheci um dos melhores amigos de vida, o Tino Flores, o Carlos Vasconcelos, meu companheiro desde os tempos de estudante, Eduardo Leite, empresário de sucesso da nossa comunidade, Fernando Capela Miguel, Dino Freitas, muita gente com percursos ideológicos distintos, mas que me despertaram esse interesse pela participação cívica, numa cidadania ativa.

Ainda da minha participação no movimento associativo houve uma parte que foi muito importante: a dimensão internacional. Quando era presidente do Conselho Municipal da Juventude, comecei a ser convidado para fazer conferências e participar em debates a nível nacional e internacional. Isso abriu-me muitas portas que foram fundamentais no meu percurso enquanto cidadão. Estive no Fórum Europeu da Juventude e no Fórum Mundial da Juventude das Nações Unidas, num conjunto de organizações e sobretudo espaços de participação que desenvolveram e consolidaram o meu gosto pela participação internacional.

Foi dirigente do Instituto Português do Desporto e Juventude e presidente da Movijovem, cargo em que teve de tomar decisões difíceis.

Fui dirigente num período extraordinariamente difícil, no tempo da troyka, com um programa de reestruturação da Administração Pública dos maiores e mais difíceis de concretizar. Recordo que passámos de cerca de 700 funcionários para cerca de 350, num processo de reestruturação muito grande com a fusão de organismos. Foi extraordinariamente difícil, mas foi um desafio muito grande e que aprofundou o meu interesse pela gestão de organizações ao mais alto nível.

Um dos grandes desafios que tive nessa época foi de mobilizar essas 350 pessoas para os desafios que tínhamos pela frente, sabendo que elas tinham progressão na carreira e salários congelados há anos. A chave do sucesso consistiu em construir com elas um desafio, uma missão, uma visão: onde queremos estar daqui a quatro anos? Foi uma experiência extraordinária!

Na Movijovem tive um dos principais desafios políticos e profissionais, em termos de gestão. Quando cheguei, em 2012, o Governo já tinha determinado a liquidação, mas eu, enquanto administrador, bati-me imenso para reverter essa decisão. Essa reversão acabou por acontecer em 2014 e acho que foi a primeira decisão do Governo que foi alterada; o mesmo Governo que decretou a extinção, decretou depois a continuidade.

Empenhei-me muito nisso porque achava que era uma má decisão. Na altura fui incumbido pelo Ministro e pelo Secretário de Estado para elaborar um plano estratégico que permitisse justificar em Conselho de Ministros uma decisão em contrário. Fiz isso com muito gosto, mas a consequência disso foi ser convidado a pôr em prática esse plano estratégico. Devo dizer que na altura resisti; eu não queria ir porque sabia bem das dificuldades e porque no Instituto do Desporto as coisas já estavam mais fáceis. Acabei por ir e ainda bem que fui. Depois de 20 anos de constantes prejuízos, passamos para quatro anos seguidos de lucros, cumprindo a missão pública.

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