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Quantas latitudes cabem em Guimarães este Natal?

Pedro C. Esteves
Sociedade \ domingo, dezembro 25, 2022
© Direitos reservados
Cabe o mundo na mesa de Natal de Guimarães. Pelo menos foi assim no jantar multicultural de dezembro na Escola Secundária Francisco de Holanda, onde o gosto por Guimarães é mais consensual que o bacalhau à mesa.

Diferentes texturas; sabores diversificados, ingredientes distintos. Uma mesa comprida, com vários metros, juntou na Escola Secundária Francisco de Holanda várias latitudes num jantar multicultural. Das línguas mais indomáveis ao familiar espanhol, tudo se cruza numa cantina improvisada.

Marco Ulloa deixou o Chile e procurou abrigo na Croácia. Mas o sotaque ritmado e colorido encontrou barreiras no país dos Balcãs. Foi tudo mais gentil em Portugal, na cidade berço. O chileno explica porquê: “A tranquilidade, a gente, que é muito amável, o facto de podermos andar pela rua em segurança. Tenho a certeza que se o meu filho estiver fora de casa não vai ter nenhum problema. Toda a gente é muito amável.”

Irão, Moldávia, Eritreia, Sérvia, Marrocos, Chile, Colômbia, Rússia, Ucrânia, Peru, Bangladesh. Venezuela, El Salvador, Síria, Índia, Paquistão, Camarões, Egito, Nepal, Gana, África do Sul, Afeganistão, Roménia, Monte Negro, Vietname, Tunísia, Argélia, Tanzânia, Turquia, Argentina, Mali, Perú, Canadá, Espanha e França compõe a extensa lista de países representados.

Por múltiplos motivos, as vicissitudes trouxeram-nos até Guimarães, criando na Xico, à boleia da aprendizagem da Língua Portuguesa, um ponto de contacto. Esse ponto de contacto transformou-se, às portas do Natal, num encontro de partilha cultural. O gosto por Guimarães, esse, é mais consensual que o bacalhau à mesa.

A russa Yana Orlova não é religiosa e tenta “seguir algumas tradições” portuguesas. O bacalhau na noite de consoada será uma delas? “Disso já não tenho tanta certeza”, atira, entre risos. Falta “paciência” para trabalhar o prato em casa. Depois de uma breve passagem por Braga, Yana viu em Guimarães a cidade ideal para se fixar. Mistura inglês com português, que até já sai redondo. Está cá há ano e meio.

Com mais bagagem, Pavlo Ivanusa lida com o português há quatro anos. À mesa a experiência tem sido “saudável”. Mas há mesmo um protagonista na conversa: o bacalhau, claro. “Tenho de trazer algum mestre [para o confecionar]!”, exclama.

Não importou a relevância que cada um dá ao Natal – alguns são ateus ou praticam outras religiões –, naquela sala coube um bocado de cada parte do globo, à boleia da quadra festiva que acaba por contagiar toda a gente. No Mali de Mahamadou Coulibaly o Natal passava-lhe ao lado. Passou a celebrar quando chegou a Espanha. Está há seis anos em Portugal. Mora em Fafe e Guimarães é visita recorrente. “As pessoas estão muito alegres. Os portugueses recebem bem as pessoas”, refere Mahamadou.

A professora Maria Emília Oliveira, uma das organizadoras do evento, recorda que o ano passado realizou a experiência com as suas turmas. “Gostaram imenso, foi um momento quase histórico”, aponta. Este ano alargou-se o leque, as várias turmas juntaram quase uma centena de pessoas.
“Isto permite a partilha, conhecerem-se melhor, trocar impressões, receitas. É um momento de convívio e de partilha”, dá conta. “Não imagina a quantidade de vezes que já me agradeceram”, complementa.

Veja no vídeo alguns testemunhos na primeira pessoa.

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