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A cidade que "exalta os antepassados e projeta o futuro" reentrou no Jordão

Redação
Cultura \ domingo, fevereiro 13, 2022
© Direitos reservados
Discursos protocolares e atuações pontuaram a reabertura do Teatro Jordão. O edifício foi devolvido à cidade. Olhou-se para a torre ondulada e iluminada que envolve o espaço como uma "vela mística".

“Continuaremos a ser felizes nesta casa, é história feita futuro que alimenta Guimarães”. O espaço que ladeia a Avenida D. Afonso Henriques encheu-se de movimento. A reabertura do renovado Teatro Jordão decorreu este sábado à tarde. Às 16h30 um excerto do primeiro ato de “A Gaivota”, de Anton Tchékov, representado por alunos do 2º ano da Licenciatura em Teatro da Universidade do Minho, marcava o regresso de gente ao palco de inúmeras peças de teatro, sessões de cinema e iniciativas do tecido associativo vimaranense até 1993. O icónico edifício foi devolvido à cidade.

Os discursos protocolares vincaram a importância do momento. “Um dia histórico para Guimarães e para os vimaranenses”, reiterou-se. Mais tarde, uma visita guiada mostrou os recantos do edificado que guarda história e dá pistas para o futuro. Lá dentro, arte e música repercutida pelos renovados corredores: no Teatro Jordão e Garagem Avenida funcionarão os cursos de Artes Visuais e Artes Performativas da Universidade do Minho, assim como a escola do Conservatório de Guimarães, da Sociedade Musical de Guimarães. Regressa também o espaço dedicado às Bandas de Garagem, após o forçado período de inatividade provocado pelo decurso das obras.

Dois anos depois de ter começado a obra, e sem poder estar no local devido ao teste positivo à covid-19, Domingos Bragança diz que com o renovado Teatro Jordão Guimarães está mais perto de ser mais do que “um centro de consumo cultural”. É mais um passo para Guimarães “promotora de cultura”. “É novo sangue no já estimulante panorama cultural vimaranense. Um tempo entusiasmante. Acrescentar cidade à cidade e deixamos à descoberta uma cidade outrora escondida”, referiu.

 

Uma vela mística

“Espaço de encontros e histórias infindáveis para contar, um ícone da vida social vimaranenses”, como referiu o autarca, o caráter basilar do revitalizado edificado foi reforçado em todas as intervenções do dia. O presidente da CCDR-N, António Cunha, finalizou a intervenção com uma metáfora em volta da torre ondulada iluminada que envolve o Teatro Jordão – e que foi alvo de muitas objetivas no final da visita guiada ao edifício. “Aquela nova torre sinaliza um edifício especial. Envolve e atrai. Torre iluminada é um farol, uma vela mística que atrai e congrega em torno de um objetivo”.

“Este é um projeto notável, multidimensional, de educação e investigação, que vem permitir interseções entra arte e tecnologia. Este é um excelente exemplo da boa aplicação de fundos comunitários que possibilitará um abrir de portas para o que virá a seguir na zona da Caldeiroa. É por aqui que passa a qualidade de vida das pessoas. É por aqui que passa a atratividade das cidades. É um projeto de cultura e criação.” , vincou.

O primeiro a tomar da palavra e dirigir-se a um auditório repleto foi o maestro Vítor Matos. O presidente da Sociedade Musical de Guimarães salientou a “perseverança” para levar avante o projeto. A materialização do renovado Jordão é, no entender do maestro, um “elogio e culto à memória coletiva uma cidade que não esquece o seu passado território e que não renega a sua história”. “Exalta os antepassados e projeta o futuro”, assinalou.

“Mais do que uma casa de espetáculos, é património coletivo devolvido aos legítimos proprietários: os vimaranenses”, reforçou Vítor Matos. Que também não esqueceu o futuro da Sociedade Musical de Guimarães e traçou objetivos: amentar o número de alunos alunos que frequentam as instalações, desenvolver e capacitar os grupos como os Jovens Cantores de Guimarães – que também subiram ao palco para uma performance –, e fomentar o estudo de música no concelho.

Lugar de Arte, Cultura e Educação, o primeiro dia do novo Jordão também foi pontuado pela intervenção do reitor da Universidade do Minho (UMinho). Rui Vieira de Castro falou num dia “alegre” para a instituição de Ensino Superior. “Queria afirmar o compromisso da UMinho construir novos projetos fortes e com impacto na região, a maior disponibilidade para reforçar a colaboração com o município”, vincou.

“Em cima da mesa está o alargamento da oferta educativa da UMinho em Guimarães, de projetos de relevantes no âmbito da transição económica e digital, projetos que fazem desta colaboração uma história relevante que oferece um presente de orgulho e um futuro promissor”, disse ainda o reitor da instituição que celebrará naquele espaço o seu 48.º aniversário no dia 17 de fevereiro.

O dia não terminaria sem a abertura de uma exposição. No final da cerimónia, foi possível usufruir, no antigo Foyer do balcão do Teatro Jordão, da atuação de diversos ensembles do Conservatório de Guimarães. Esse foi o ponto de partida para uma visita aos edifícios, que incluiu a pré-inauguração da Exposição “Atelier Aberto Licenciatura em Artes Visuais 2018-2022” e a abertura da exposição “A Avenida do Jordão”, organizada pelo Cineclube de Guimarães e pela Muralha – Associação de Guimarães para a Defesa do Património.

 

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