ACR Lordelo: uma história de dever cumprido, mas de emoções fortes
A época 2025/26 da ACR Lordelo terminou e com um misto de várias sensações. O objetivo principal, a manutenção, foi conseguido, mas o caminho foi tortuoso. No centro desta história surgem duas figuras do percurso do emblema: o treinador Luís Araújo, que encerra uma ligação de cerca de 16 anos no comando do conjunto principal, e Nuno Miranda, o goleador que recuperou a alegria de jogar em Lordelo.
O arranque na III Divisão Nacional de futsal foi difícil, onde a primeira vitória só surgiu à oitava jornada, em dezembro, no reduto da ADC Santa Isabel (1-2). "As coisas começaram a não correr bem e isto é uma bola de neve. A confiança começa a desaparecer, surgem dúvidas em relação aos jogadores e à equipa técnica.", confessa Luís.
Um dos pontos mais baixos foi a derrota por 10-4 na casa do Mogadouro, descrita pelo técnico como "uma vergonha", por falta de atitude e vontade. Para inverter a má fase, o grupo soube reagir através de "muitas reuniões" e conversas no balneário. "A diferença foi que conseguimos ficar em equipa. Sempre acreditámos que conseguíamos chegar o mais longe possível.", destaca o jogador Nuno Miranda.
A união permitiu uma reta final sólida, com quatro vitórias consecutivas que garantiram a permanência e o oitavo lugar, com 30 pontos. Além do campeonato, a meta da Taça de Portugal foi atingida, ao alcançarem a quarta eliminatória, onde, após vitórias fora de portas contra o Amarense (0-3) e o 3 d’Agosto 1885 (0-2), ambos do terceiro escalão, caíram apenas perante o Portimonense (1-5) da II Divisão.

Luís Araújo: O fim de uma era no comando técnico lordelense
Natural de Lordelo e ligado ao emblema há 19 anos, o técnico Luís Araújo já comunicou que não continuará no cargo. A treinar os seniores do clube desde 2009, apenas com uma interrupção na temporada 2014/15, Luís descreve esta temporada como a "mais desgastante" ao leme dos lordelenses.
"Já lutei para subir e para não descer, mas em termos de desgaste mental esta foi a pior. Foi a época em que trabalhámos mais e melhor, mas em que os resultados menos acompanharam a qualidade do trabalho. É difícil gerir três semanas em que se está a perder e dizer que é para continuar a acreditar e que estamos no bom caminho.", confessa o timoneiro de 42 anos.
A sua saída é uma decisão pessoal, visando o que é melhor para o clube. "É uma decisão difícil para mim. Nunca pensei que conseguíssemos estar neste patamar. Dá para dizer que alcancei o máximo que dava para atingir no Lordelo, que está um bocado refém do nível que conseguiu atingir.", explica. "Para crescer um bocadinho mais, tinha de deixar de ser um clube tão familiar, que funciona à base dos amigos, para ser mais profissional. E teria também de ter uma política mais agressiva na formação, que não acompanhou o crescimento dos seniores."
No adeus, deixou um apelo à vila: "Houve um certo desligamento da comunidade. Peço que voltem, porque o Lordelo vive essencialmente das pessoas da terra".
Durante os 16 anos de ligação, conseguiu duas subidas de divisão e ainda conquistou quatro títulos: um campeonato da 1ª Divisão da AF Braga (2017/18), uma Taça AF Braga (2017/18) e duas Supertaças AF Braga (2016/17 e 2024/25).

Nuno Miranda: Um regresso sob tons dourados
Dentro de campo, o grande destaque foi Nuno Miranda, no seu regresso ao clube, depois de uma temporada já realizada em 2022/23. O fixo de 26 anos, que concilia o futsal com o seu trabalho como ourives em Aldão, acabou por lapidar a sua melhor temporada individual com 19 golos em 23 jogos, depois de uma lesão que o "mandou abaixo" na época passada.
"O Lordelo perguntou-me: 'queres voltar a ser feliz?'. E eu voltei. Ganhei o gosto em jogar de novo e, individualmente, consegui sobressair-me. É um orgulho ser o melhor marcador, mas sem os meus colegas não seria possível.", admite.
Apesar do sucesso pessoal, assume que a equipa ficou "aquém das expectativas", uma vez que o plantel ambicionava os cinco primeiros lugares. Sobre o futuro, o goleador não esconde o sonho de chegar à I Divisão, mas mantém o carinho pelo emblema atual. "Em primeiro está o Lordelo. Contudo, eu ainda tenho o sonho de chegar à primeira divisão e conseguir viver exclusivamente do futsal. É uma coisa que nasceu comigo e eu ainda não consegui tirar isso da cabeça. Sonho alto, mas com os pés assentes na terra."
Sobre a saída do treinador que o resgatou, Nuno não poupa elogios. "Se não fosse o Luís, eu se calhar não tinha vindo para o Lordelo, porque foi ele que falou comigo e só isso mostra a vontade que tinha de me ter cá. O mister conseguiu tirar o melhor de mim e é uma pessoa que vai deixar saudades. Dou-lhe muito valor, porque em situações difíceis nunca abandonou o barco e sempre acreditou em nós", revelou, dando-lhe votos de sucesso para o seu futuro.