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Agigantar Abril pede demissão no STJ se não houver desculpas aos advogados

Redação
Sociedade \ sábado, fevereiro 22, 2025
© Direitos reservados
Em nome da associação, Carlos Caneja Amorim acusa juiz que preside ao órgão de querer poder absoluto para os juízes ao ameaçar advogados com multas. Critica também ideia de aumentar taxas.

Sediada em Guimarães, a associação Agigantar Abril exige a demissão do presidente do Supremo Tribunal de Justiça – Conselho Superior de Magistratura, o juiz conselheiro João Cura Mariano, e do vice-presidente do órgão, o juiz conselheiro Luís Azevedo Mendes, se não pedirem “desculpa aos advogados portugueses, penitenciando-se pela comunicação infeliz ao país, num prazo máximo de 10 dias”, refere a carta endereçada na sexta-feira. Se assim não acontecer, essa demissão é forçosa: “Não vos resta outra alternativa, no nosso modesto entendimento, que pedir a demissão imediata”, indica o documento a que o Jornal de Guimarães teve acesso.

A exigência da Agigantar Abril dá-se na sequência de uma conferência de imprensa realizada na terça-feira, no âmbito do “Grupo Melhor Justiça”, para analisar as razões subjacentes aos atrasos dos processos. Para a associação, o presidente do STJ acusou os advogados de serem os principais culpados pelos atrasos e sugeriu “multas até 10 mil euros” por cada requerimento para o arrolo de provas ou testemunhas, com “imediata cobrança executiva e participação disciplinar à Ordem dos Advogados”. Para o presidente da associação sediada em Guimarães, Carlos Caneja Amorim, a ideia reduz “a dignidade dos advogados abaixo de zero” e configura uma tentativa de os juízes assumirem o “poder absoluto nos tribunais”.

“O viés contra os advogados está documentado em proporções bíblicas: chegou-se, perdoem a frontalidade, a pisar e dançar sobre a campa do prestígio de uma classe a quem Portugal muito deve. (…) Para além de desconsiderarem a classe ao não endereçarem convite a uma justa representação de advogados, bem como não terem permitido o exercício do sagrado direito ao contraditório, acresce que tudo foi feito para dizer aos portugueses, olhos nos olhos e cara a cara: a culpa da morosidade dos processos é dos advogados”, refere a carta.

Carlos Caneja Amorim traça um cenário de “guerra civil” nos tribunais portugueses face às declarações de João Cura Mariano, que, a seu ver, nem sequer correspondem aos factos. “Está a dizer que a culpa dos atrasos é dos advogados. Quis passar para a opinião pública que os juízes não têm culpa nenhuma. Que a culpa é toda dos advogados. A maior parte dos atrasos surge porque os juízes não despacham os processos. É verdade que falta recursos, mas os juízes não têm prazos para despachar. Os advogados têm”, acrescentou, em declarações ao Jornal de Guimarães.

A Agigantar Abril critica ainda a ideia de se negociar a duração das penas com pessoas acusadas antes do julgamento, com “um acordo de pena da cadeia”, como nos Estados Unidos, importando para a Europa o “pior que existe na justiça”, face à quebra do “sacrossanto princípio da legalidade, da justiça e da igualdade”.

A proposta de aumento de taxas relativas aos processos em tribunal merece também o repúdio de Carlos Caneja Amorim. Deputado da Assembleia Municipal de Guimarães pelo PSD, o presidente da Agigantar Abril considera que esta medida prejudica os cidadãos mais pobres e afasta as suas reivindicações dos tribunais, porque os cidadãos com mais posses já recorrem aos tribunais arbitrais, à exceção de processos que envolvem crimes. A Agigantar Abril vai levar o assunto à Assembleia da República em 27 de fevereiro.

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