Aos 35 anos, Guimarães Jazz mostra-se diverso nos timbres e geografias
O guitarrista brasileiro Toninho Horta abre e o norte-americano Kurt Elling, numa atuação conjunta com a Orquestra Nacional de Jazz da Macedónia do Norte, fecha a 35.ª edição do Guimarães Jazz, um festival que já soma 325 concertos, 1950 músicos e 45 países e mais de 150 mil espetadores.
Neste ano, a cidade berço acolhe 85 músicos, 57 dos quais portugueses, distribuídos por 12 concertos, aos quais se juntam seis dias de jam sessions, uma semana de oficinas, uma exposição e outras iniciativas paralelas que voltam a transformar a cidade num espaço de encontro entre artistas, estudantes, profissionais e público.
“Não obstante esta celebração, a perspetiva do Guimarães Jazz é e foi sempre baseada no princípio de que o mais importante é o que está para acontecer e não o que já foi feito, pelo que é no presente que se centra. O presente é esta edição, apresentada com um programa que privilegia a descoberta artística, a diversidade de propostas e o acompanhamento dos processos criativos que continuam a marcar a evolução do jazz contemporâneo”, refere a cooperativa municipal A Oficina, em comunicado.
Um dos aspetos que distingue esta edição é o elevado número de estreias. Com exceção do vocalista norte-americano Kurt Elling, que regressa ao festival (21 novembro) acompanhado pela Orquestra Nacional de Jazz da Macedónia do Norte, dirigida por Dzijan Emin, todos os restantes líderes dos projetos apresentam-se, nesse papel, pela primeira vez no Guimarães Jazz.
Neste grupo alargado de estreantes incluem-se os nomes de Peter Evans (20 novembro) – trompetista influente do jazz contemporâneo, que atuará em quarteto acompanhado por Joel Ross, Nick Jozwiak e Tyshawn Sorey; Kurt Rosenwinkel (19 novembro) – guitarrista com uma relação próxima com Portugal e cuja presença em Guimarães já se justificava há muito tempo – em quinteto rodeado pelo magnífico conjunto de músicos Nicola Andrioli (piano), Dario Deidda (baixo), Joe Peri (bateria), Ben Wendel (saxofone); e ARTEMIS (14 novembro), composto por cinco instrumentistas de excelência – Ingrid Jensen, Nicole Glover, Noriko Ueda, Allison Miller e Renee Rosnes, pianista que também assume neste contexto o papel de direção musical.
Os restantes concertos do Grande Auditório do CCVF refletem igualmente uma das marcas identitárias do festival: a aposta em produções próprias e em projetos concebidos especificamente para o Guimarães Jazz. Nesse sentido, tanto a presença do histórico guitarrista e vocalista brasileiro Toninho Horta (12 novembro), que em quarteto acompanhado pela Orquestra de Guimarães terá a responsabilidade de inaugurar o festival, como a do compositor e pianista vimaranense Pedro Emanuel Pereira (13 novembro) – o qual apresentará o projeto Beyond Miles ao lado de, entre outros músicos portugueses de relevo, do acordeonista João Barradas – constituem ilustrações exemplares do esforço do festival para privilegiar espetáculos com caraterísticas específicas e irrepetíveis.
Ainda neste campo das produções próprias, as tradicionais parcerias do Guimarães Jazz com a ESMAE e a Porta-Jazz (15 novembro) serão protagonizadas, no primeiro caso, por um quinteto nova-iorquino liderado pelo pianista Lex Korten e composto, entre outros, pela vocalista argentino-alemã Sabeth Pérez – este grupo será também responsável pelas jam sessions, oficinas de jazz e um concerto em nome próprio – e, no segundo, pelo projeto Filigrana, protagonizado por um quarteto liderado pelo pianista Miguel Meirinhos e pela artista plástica Joana BC.
O programa desta 35ª edição fica concluído com dois concertos com intenções artísticas muito distintas. No primeiro sábado do festival (14 novembro) atuará um trio constituído por três instrumentistas importantes da cena musical de Chicago das três primeiras décadas do século XXI – Dave Rempis, Jason Adasiewicz e Chris Corsano –, cuja abordagem pós-moderna ao jazz e a improvisação continua a criar ondas de influência no presente musical.
No sábado da segunda semana (21 novembro) subirá a palco, integrado na parceria com a Sonoscopia, o compositor holandês Ernst Reijseger, um violoncelista original e idiossincrático com uma carreira prestigiada que inclui a escrita de bandas sonoras para filmes do célebre realizador Werner Herzog. Esta atuação marcará o seu regresso a Guimarães, 25 anos após uma primeira presença no festival, desta vez em trio com o pianista Harmen Fraanje e o vocalista e multi-instrumentista senegalês, seu cúmplice criativo de muitas décadas, Mola Sylla.
A fechar, uma referência para o terceiro capítulo da parceria do Guimarães Jazz com o Centro de Estudos de Jazz da Universidade d’Aveiro que, em 2026, contemplará, além do concerto com o projeto vencedor do concurso de jazz promovido por esta instituição (o João Tavares Quinteto), a apresentação da exposição “Corpo & Alma – O jazz e os seus divulgadores em Portugal”, onde se mostrará uma seleção do acervo deste Centro de Estudos prestando homenagem aos colecionadores e divulgadores José Duarte e Manuel Jorge Veloso, cujo espólio forma uma síntese possível de uma história do jazz em Portugal.
Os bilhetes para os concertos da 35ª edição do festival, com diferentes modalidades de descontos, podem ser adquiridos online e presencialmente na bilheteira do CCVF e de outros equipamentos geridos pel’A Oficina, entre outros parceiros da BOL.