Araújo enaltece CVE e pede dimensão nacional nos 900 anos de São Mamede
Mais do que ter passado, Guimarães tem origem, vincou o presidente da Câmara Municipal de Guimarães no seu discurso protocolar na cerimónia que acolheu o Presidente da República, António José Seguro, no Laboratório da Paisagem. E essa origem acarreta “uma responsabilidade bem mais exigente”, a de estar altura de “um legado fundador”, convertendo “herança em projeto” e honrando o que recebeu para construir o que “ainda falta fazer”.
Nesta referência, coube a Capital Verde Europeia, título que Guimarães assume neste ano e que motivou a visita do Presidente da República aquele lugar da cidade-berço, por ocasião da sua tomada de posse, mas também a comemoração vindoura dos 900 anos da Batalha de São Mamede, em 2028.
“Quando pronunciamos o nome de Guimarães, não evocamos apenas um lugar do nosso mapa, mas antes evocamos um ponto matricial da nossa consciência nacional. É por isso que São Mamede ocupa, para nós, um lugar absolutamente singular. Não como episódio isolado, não como simples objeto de exaltação histórica, não como matéria para celebração protocolar, mas como o acontecimento fundador da nossa possibilidade coletiva”, disse.
Esta introdução à comemoração dos 900 anos da Batalha de São Mamede, razão que fundamenta o feriado municipal de 24 de Junho, que a Câmara Municipal já manifestou várias vezes a intenção de elevar à escala nacional, lançou o apelo a que a data, mais do que “uma efeméride municipal ampliada”, seja “uma grande convocação nacional à memória, à reflexão histórica, à consciência cívica e ao sentido de continuidade coletiva”.
“Uma nação não vive apenas do que produz, administra ou consome. Vive também da lucidez com que conhece a sua formação, da dignidade com que honra os seus marcos fundadores e da inteligência com que transforma a memória em energia de futuro”, prosseguiu.
Ricardo Araújo espera, por isso, que as comemorações com epicentro em 2028 sejam “um exercício de elevação”, que reúna “história, cultura, pensamento, educação, criação artística e consciência democrática”, não por nostalgia, mas por responsabilidade, não para contemplar, mas para compreender, não para repetir fórmulas, mas para reencontrar fundamento.
“Cidade fundadora, mas também comunidade viva”
Grato pela escolha de António José Seguro visitar Guimarães “no tempo inaugural do seu mandato”, o que traduz “uma importância e um valor político e simbólico acrescidos”, o presidente da Câmara evocou o recém-malogrado escritor António Lobo Antunes para reiterar que “valorizar Portugal” não é apenas exaltá-lo, mas também “torná-lo mais justo, mais culto, mais verde, mais ecológico, mais próximo e mais confiante”.
O autarca referiu-se, aliás, à Capital Verde Europeia como expressão de “uma ideia muito exigente de território”, comprometida em servir os cidadãos em desafios reais como a habitação, a mobilidade, a coesão social, a qualificação do espaço urbano e a preparação do território para as novas exigências ambientais e económicas.
“Esta distinção só faz sentido se colocar os cidadãos no centro da transformação; se mobilizar instituições, empresas e a comunidade; se for construída com envolvimento e corresponsabilização; e se estiver à altura da ambição de fazer de Guimarães a melhor Capital Verde Europeia de sempre”, realçou.
Ciente da necessidade do Estado reconhecer “o valor estratégico dos territórios” e de uma Presidência da República disponível para “conferir densidade nacional às iniciativas que verdadeiramente a merecem”, Ricardo Araújo transmitiu ainda um abraço em nome dos vimaranenses a António José Seguro, desejando que a visita permaneça como “encontro significativo entre a Presidência da República e uma cidade que quer continuar a servir Portugal, honrando a sua origem e construindo o seu futuro”.
“Recebemo-lo como cidade fundadora, mas também como comunidade viva. Como lugar de memória, mas também como território de inovação. Como cidade berço, mas também como vasto horizonte”, assinalou.