Araújo reconhece que intervenção na Avenida D. João IV “não é prioritária”
Dos três processos de obra interrompidos por decisão do executivo municipal nesta segunda-feira – novo pavilhão da escola EB 2 e 3 João de Meira, requalificação da Escola Básica e Secundária Santos Simões e requalificação da Avenida D. João IV -, a intervenção na artéria inaugurada em 1893, então como Avenida da Indústria, é a única que o presidente da Câmara Municipal de Guimarães não considera prioritária.
“A intervenção na AV. D. João IV não é prioritária. Não quer dizer que não venha a acontecer lá uma intervenção ao longo do mandato”, assumiu Ricardo Araújo, durante a discussão desse ponto na reunião quinzenal.
Embora tenha votado a favor de um projeto cuja obra foi lançada a concurso em 4 de agosto de 2025, o autarca vincou que a sua responsabilidade ao leme da Câmara Municipal é acrescida e que o conhecimento da realidade é maior, a começar pelos pareceres alusivos aos resultados do teste de mobilidade realizado em 8 de janeiro de 2025, que desaconselham a intervenção prevista para a avenida.
O presidente da Câmara vincou ainda que a obra, cujo preço-base era de 3,7 milhões de euros mais IVA, só dispunha de financiamento comunitário de 1,5 milhões, valor no seu entender muito baixo para “o esforço do orçamento municipal”. Ricardo Araújo vincou que o seu executivo, no âmbito da reprogramação financeira para o Orçamento de 2026, preferiu diminuir a verba atribuída à requalificação urbana e direcioná-la para a habitação – a construção de 75 casas no âmbito do programa 1.º Direito está inscrita no documento.
“A obra prevista para a Avenida D. João IV não é prioritária. (…) Não significa que, no futuro, não possamos fazer uma requalificação da Avenida D. João IV, mas é uma obra extremamente complexa, que iria criar constrangimentos aos vimaranenses, a quem ali vive e trabalha, que não se justifica face às prioridades pela frente”, adiantou.
Ao contrário das reformulações previstas para o pavilhão da escola EB 2 e 3 João de Meira e para a Escola Básica e Secundária Santos Simões, que Ricardo Costa criticou com veemência, o vereador do PS reconheceu que o caso da Avenida D. João IV exige uma maior ponderação - “pensamento da cidade”, assim lhe chamou -, mesmo tendo votado contra a não adjudicação proposta pelo executivo.
Apresentado publicamente em novembro de 2023, o estudo prévio para a requalificação da avenida incluía o estreitamento da faixa da rodagem de sete para 6,5 metros, a divisão do traçado entre um segmento com cubo de granito, mais a norte, na confluência com o Largo da República do Brasil (Campo da Feira) e com Couros, e outro em alcatrão mais a sul, uma faixa para estacionamento e cargas e descargas, passeios em microcubo de granito para aumentar a superfície permeável da avenida, uma ciclovia através de um dos passeios, o do sentido descendente do trânsito, e áreas que se enquadram nas designadas Zona 30 – passadeiras sobrelevadas ao nível dos passeios onde os veículos não podem ultrapassar os 30 quilómetros por hora.