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Expor com indisciplina é antecâmara do futuro de quem estuda artes visuais

Tiago Mendes Dias
Cultura \ segunda-feira, maio 22, 2023
© Direitos reservados
As Jornadas Indisciplinadas permitem aos alunos expor de “forma profissional”, ao lado de obras permanentes, e até se aperceberem de que é possível ser algo que não artista com o curso da UMinho.

Uma das paredes do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) grita, a letras negras, qual grafitti, a frase “Andamos todos bastantes ocupados e pensar custa imenso”. É precisamente esse o título da exposição que congrega as várias criações artísticas dos estudantes do 2.º ano da Licenciatura em Artes Visuais da Universidade do Minho (UMinho), ao abrigo de mais uma edição das Jornadas Indisciplinadas.

A exposição ocupa o CIAJG, o Centro para os Assuntos de Arte e Arquitetura (CAAA) e a galeria da Garagem Avenida, sendo, em resumo, uma oportunidade para os alunos “exporem os seus trabalhos de forma profissional”.

“Trabalham com o CIAJG e com o CAAA, com as suas equipas, com os seus montadores e veem os seus trabalhos colocados nos espaços expositivos ou ínterim. As jornadas chamam-se Indisciplinadas porque os trabalhos podem aparecer em qualquer lado: numa escadaria, na biblioteca", diz ao Jornal de Guimarães a diretora da licenciatura, Carla Cruz, à margem da inauguração do evento, durante o Dia Internacional dos Museus, a 18 de maio.

Cada edição das Jornadas Indisciplinadas sob a orientação de curadoria externa, que trabalha “para a construção de um verdadeiro projeto expositivo”, lê-se na nota de imprensa relativa ao projeto; em 2023, está encarregue dessa missão o projeto Paralaxe, coordenado desde 2019 pelo coletivo Erro Universal, formado pelas artistas Carolina Grilo Santos, Diana Geiroto e Luísa Abreu, a partir do Porto.

Enquadradas no programa Triangular, que reúne precisamente CIAJG, CAAA e licenciatura, por intermédio da Escola de Arquitetura, Arte e Design (EAAD) da UMinho, as Jornadas Indisciplinadas também abrem horizontes quanto às possíveis saídas profissionais, salienta a docente.

“Não têm necessariamente de ser a de um artista visual. Ao trabalharem com o CIAJG, trabalham com programadores, com montadores, com a equipa de educação, com a diretora, com conservadores. Visitam os acervos. Também percebem as várias dimensões de uma organização profissional de artes visuais”, explica.

O presidente da EAAD concorda com Carla Cruz quanto à importância de os estudantes saberem, “desde muito cedo”, se preferem a criação artística ou a curadoria, e enaltece a hipótese de mostrarem os seus trabalhos ao lado de artistas com carreira já estabelecida.

“Viu-se hoje, pelo nível das exposições, que têm as obras deles ao lado de obras permanentes. Isso dá outra dimensão àquilo que fazem. É importante para a formação, para a autoestima deles, para encontrarem um rumo”, frisa Paulo Cruz.

 

Carla Cruz, diretora da Licenciatura em Artes Visuais da UMinho © Miguel Faria/JdG

Carla Cruz, diretora da Licenciatura em Artes Visuais da UMinho © Miguel Faria/JdG

 

O Triangular como “minirrevolução” na cidade

Anfitriã da inauguração de uma parte da exposição que estará patente até 04 de junho, a curadora-geral do CIAJG vê as Jornadas Indisciplinadas como “uma espécie de antecipação do que vai ser a vida real” dos alunos, num tempo em que o projeto Triangular se materializa em exposições, mas também abre “imaginário”; Marta Mestre descreve, aliás, o projeto como “uma minirrevolução”.

“É um momento já ganho na agenda da cidade (…). "Muitas das ações que o projeto Triangular preconiza são à porta fechada e têm a ver com laboratórios que os alunos experimentam. Quando falo em minirrevolução, falo em gerar vizinhanças, gerar empatias, gerar cumplicidades entre as várias instituições da cidade”, explica.

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