Assembleia de Guimarães promove exposições sobre capas de discos em vinil
“A música começa na capa porque, a partir dos anos 60, as capas de disco em vinil começam a ser fundamentais para a indústria musical”, esclarece Rui Vítor Costa, vice-presidente e um dos responsáveis pelo ciclo da Assembleia de Guimarães, quanto ao nome escolhido para a primeira exposição que já se encontra aberta ao público.
Os anos de 1960 e 1970 foram revolucionários em vários sentidos. Na indústria musical, é por altura que as capas deixam de ser meramente informativas e passam a ser alvo de experiências visuais determinantes para a afirmação das bandas.
“É à volta das capas, do vinil e da história da música - através da relevância da própria música, mas também da estética que ela aporta em cada uma destas épocas -, de que este ciclo de exposições é feito”, afirmou Rui Vítor ao Jornal de Guimarães.
A informação visual que nos chega através das centenas de capas expostas é complementada por legendas, que revelam aos visitantes histórias curiosas sobre a elaboração de capas de álbuns de artistas como Pink Floyd, David Bowie, Beatles e The Doors.
Exposição "A Música Começa na Capa" pode ser visitada até 21 de março
A 22 de março decorrerá, ainda no âmbito da primeira exposição, uma conversa com Mário Lopes, jornalista do Público, e Jorge Álvares, fundador da Grama, a primeira fábrica de discos em vinil durante 30 anos em Portugal. Esta partilha de ideias também ocorrerá nos dois ciclos que se seguem.
Segunda exposição recorda os anos 80. A terceira é dedicada a Peter Seville e à Factory Records
A segunda exposição será dedicada aos anos 80, dando a conhecer peculiaridades sobre a indústria musical - como a história da etiqueta da Rough Trade Records que marcou a época- e a irreverência do movimento punk e post-punk.
“As capas dos anos 80 não têm semelhança com as que estão expostas agora. São capas mais simples e afirmativas, com um toque de contracultura. Marcam muito os anos 80 e todo o movimento punk e post-punk”, sublinhou o vice-presidente da Assembleia de Guimarães.
Para o encerramento do ciclo, em maio, a Assembleia de Guimarães propõe uma exposição sobre a sinergia entre o designer inglês Peter Saville e a etiqueta Factory Records.
Peter destacou-se pelo seu trabalho na Factory Records, em Manchester, onde produziu capas de álbuns icónicos para bandas como os New Order, Joy Division e Roxy Music.
"É um designer que, com o seu trabalho, transforma a linguagem que era habitual nas capas de álbuns. Destacamos também a própria Factory Records, uma editora absolutamente inovadora e genial, que teve impacto indiscutível na música dos anos 80 e 90”, destacou Rui Vítor.
Como um dos responsáveis pela criação deste ciclo, o vice-presidente da Assembleia de Guimarães acredita que as capas expostas contam de forma completa a evolução da indústria musical e em particular do design das capas de álbuns em vinil.
“Os discos expostos foram aqueles que conseguimos através dos contactos que temos, mas, sinceramente, não há nenhum disco, em qualquer uma destas exposições, cuja ausência realmente faça falta”, frisou Rui Vítor.
Para Rui Vítor Costa, todo este contexto traduz uma certa saudade dos tempos retratados na exposição. “É algo que se tem refletido na recuperação crescente da produção de vinil e, neste momento, nós estamos a ir ao encontro de capas antigas de uma indústria que irá, muito provavelmente, florescer”, sublinhou.
A exposição pode ser visitada todos os dias, entre as 14h00 e as 20h00, na sede social e cultural, Assembleia de Guimarães.