Assembleia Municipal lembrou Wladimir Brito e Salgado Almeida
Depois dos votos de pesar aprovados pela Câmara Municipal de Guimarães, a Assembleia Municipal também assinalou as mortes de Wladimir Brito, professor catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho, redator principal da Constituição de Cabo Verde, de 1992, e interveniente político e cidadão ativo em Guimarães, onde estava radicado há cinco décadas, e de Joaquim Salgado Almeida, artista plástico, professor e interveniente político.
Na sessão de 30 de abril do órgão deliberativo, o seu presidente, Rui Armindo Freitas, leu os votos de pesar, propostos por todas as forças políticas representadas, enaltecendo Wladimir Brito, “referência cívica e intelectual maior”, pelo percurso marcado “por uma rara coerência entre pensamento e ação, sempre guiado por um firme compromisso com a liberdade, a justiça e os direitos humanos”, e Joaquim Salgado Almeida, pela obra artística de linguagens diversificadas, presente em exposições nacionais e internacionais, pela visão do ensino “sempre indissociável da perspetiva humanista” e pela defesa da cultura e da arte como “dimensões fundamentais para uma sociedade mais livre e consciente”.
Lidos os votos de pesar, a AM cumpriu um minuto de silêncio, na presença das famílias, convidadas para a sessão.
Nascido em 1949, na Guiné-Bissau, mas criado em Mindelo, Cabo Verde, Wladimir Brito participou na resistência ao Estado Novo e no 25 de Abril de 1974, e opôs-se aos regimes de partido único na Guiné-Bissau e em Cabo Verde, como militar. Fez licenciatura, mestrado e doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra, tendo exercido depois o cargo de professor catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho, onde viria a ocupar também funções na direção e coordenação académica.
Wladimir Brito foi também diretor e co-fundador do Observatório Lusófono de Direitos Humanos, membro da lista de Conciliadores das Nações Unidas por designação do Governo português e diretor da revista Scientia Ivridica, tendo recebido várias distinções, como o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria e a Primeira Classe da Medalha de Mérito atribuída pela República de Cabo Verde.
Joaquim Salgado Almeida nasceu na freguesia de São Martinho de Candoso e trabalhou, por vários anos, como professor na Escola EB 2 e 3 D. Afonso Henriques, em Creixomil, tendo construído um percurso artístico na pintura, na escultura e na ilustração. Cartoonista no extinto O Povo de Guimarães e também no Mais Guimarães, Joaquim Salgado Almeida concebeu uma escultura alusiva às comemorações dos 1075 anos de Creixomil, instalada na Senhora da Luz em 2001, e o Pilar de São Mamede, alusivo à batalha decorrida em 24 de junho de 1128, instalada na rotunda do Reboto, em São Martinho de Candoso.
Foi ainda candidato pela CDU à Junta de Freguesia de Creixomil entre 2001 e 2017, tendo exercido as funções de secretário da Junta entre 1997 e 2001, 2005 e 2009 e 2013 e 2017, e ainda de vogal, entre 2001 e 2005.