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AVE diz que construção da via do Avepark é "erro irreparável"

Pedro C. Esteves
Ambiente \ terça-feira, dezembro 20, 2022
© Direitos reservados
Presidente da associação diz que “o tempo e as empresas são importante, mas não valem tudo e a qualquer preço” . Na AM falou-se em "catástrofe ambiental" e social. PS lembra luz verde da APA.

A Associação Vimaranense para a Ecologia (AVE) classifica a construção da via do Avepark como um “erro irreparável” que o município ainda vai a tempo de “evitar”. O alerta foi deixado na última Assembleia Municipal pelo presidente da organização, Paulo Gomes, que diz existirem “alternativas à via menos destrutivas, mais equilibradas e acertadas”.

Paulo Gomes referiu que os sete quilómetros de via projetados, com 15 metros de largura, vão ser construídos em “território habitado” e levantou preocupações com as alterações que a ligação entre São João de Ponte e o parque de ciência e tecnologia podem causar. “Vai rasgar freguesias a meio e destruir hectares de reserva agrícola nacional e de reserva ecológica nacional, construir barreiras” e derrubar árvores, sustentou.

A AVE promoveu recentemente uma caminhada por um percurso onde passará a via com um custo estimado de cerca de 45 milhões de euros. A associação acredita que desde o anúncio da intenção de pavimentar estes quilómetros a norte do concelho “houve uma maior tomada de consciência do que é importante”. “O tempo e as empresas são importante, mas não valem tudo e a qualquer preço”, ressalvou.

Por isso, Paulo Gomes deixou perguntas: “Qual será o tempo de percurso pela 101 quando o futuro nos trouxer alternativas ao uso do veiculo próprio? Que faremos com esta via se o Avepark desvanecer?”

 

Autarca de Santa Eufémia de Prazins fala em “destruição”

As preocupações da AVE acabaram por ser ecoadas por Natália Fernandes, presidente da Junta de Freguesia de Santa Eufémia de Prazins. A social democrata apontou para a possível destruição de casas, campos de cultivo e vinhas. “Esta via, para além de catástrofe ambiental para o território, também o será em termos sociais”, disse.

“A maior vinha vai ser destruída, os melhores campos de cultivo vão ser rasgados pela via, parte do parque de lazer construído recentemente vai ser destruído”, acrescentou. Natália Fernandes argumentou ainda com a candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia – se o “quer ser”, não pode “ceder aos motivos da construção” da via, adiu.

 

Obra discutida “profundamente” e aprovada pela APA

O estudo de impacte ambiental para a via do Avepark foi aprovado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) no início do ano – num processo contestado pela AVE – e isso foi lembrado pela porta-voz do Partido Socialista na Assembleia Municipal, Gabriela Nunes.

Na resposta, a deputada lembrou que a obra foi “discutida profundamente” ao longo dos anos, com sessões públicas, e que a materialização da via “é fundamental para o crescimento económico e para a coesão do território”.

A via vai, acredita o Partido Socialista, “capacitar o Avepark, a sua afirmação e desenvolvimento”. O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, disse precisamente isso numa entrevista concedida ao Jornal de Guimarães. “O parque de ciência e tecnologia tem de ter esta via estruturante”, referiu.

O autarca reforçou ainda o “escrutínio” que a obra tem merecido e a segurança que isso traz à sua construção: “Se há via que teve uma análise de mais de 40 instituições para o estudo de impacte ambiental foi a via do Avepark. Qual é a via que não tem utilização de solo? Qualquer via ocupa solo, e esta foi a via, em Guimarães, mais escrutinada a nível de impacte ambiental. E a Agência Portuguesa do Ambiente disse-nos: “Construam a via. Não há problemas”".

 

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