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Ave lança projeto para atrair investimento e tornar região mais competitiva

Redação
Economia \ quinta-feira, junho 25, 2026
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Desenvolvido até maio de 2028, projeto representa investimento superior a 880 mil euros, apoiado pelo NORTE 2030, e inclui marca territorial AVE.FAZ, para promover a região de forma articulada.

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Ave apresentou esta terça-feira, no Teatro Cinema de Fafe, o projeto Ave Global, destinado a reforçar a capacidade da região para atrair investimento, antecipar as competências necessárias às empresas, estimular novos modelos de empreendedorismo e projetar internacionalmente os setores de especialização. A CIM revelou ainda a a sua nova marca territorial, AVE.FAZ – território global, perante um sala cheia.

Aprovado no âmbito do Programa das Ações Coletivas de Qualificação de Base Local NUTS III, do Programa Regional NORTE 2030, o Ave Global representa um investimento superior a 880 mil euros e será desenvolvido até maio de 2028. Para Maria José Fernandes, vice-presidente da CCDR-Norte, o Ave Global traduz “uma visão ambiciosa para o futuro e um compromisso coletivo” com um território que se distingue pela resiliência das empresas, pelo ecossistema de inovação e pela capacidade de reinvenção das suas pessoas.

O projeto assenta na cooperação entre os oito municípios da CIM do Ave - Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Fafe, Vizela, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Cabeceiras de Basto e Mondim de Basto - numa estratégia económica comum, que reúne ainda empresas, associações empresariais, clusters, instituições de ensino e estruturas de investigação e transferência de conhecimento.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Fafe e vice-presidente da CIM do Ave, Antero Barbosa, salientou que nenhum município consegue responder isoladamente aos atuais desafios económicos e que a cooperação regional é essencial para criar novas oportunidades.

O Ave Global pretende promover a atratividade e a resiliência económica da sub-região através de iniciativas de diplomacia económica, promoção territorial e empresarial, qualificação de recursos humanos e apoio a novos modelos de empreendedorismo. A intervenção incide em três domínios: industrialização e sistemas avançados de fabrico, por um lado, criatividade, moda e habitats, por outro, e ainda sistemas agroambientais e alimentação.

 

Indústria, conhecimento e talento

O projeto assenta numa sub-região com mais de 422 mil residentes, 48.561 empresas e cerca de 180 mil pessoas ao serviço. Em 2023, as empresas do Ave geraram um volume de negócios de cerca de 17,3 mil milhões de euros e exportaram 4,85 mil milhões de euros em bens. A indústria transformadora concentra 43,1% do emprego empresarial e 48,3% do volume de negócios da região. O Ave é ainda responsável por 17,9% das exportações de bens da Região Norte e por 6,3% das exportações nacionais.

Durante a sessão, Hugo Santarém, da AICEP, destacou a capacidade industrial, o talento, o conhecimento tecnológico e o saber-fazer acumulado ao longo de gerações. “O Ave tem capacidade industrial instalada, e isso não se cria de um dia para o outro”, afirmou, acrescentando que a existência de cadeias de valor consolidadas, fornecedores, centros de conhecimento e instituições de ensino torna a região atrativa aos investidores porque reduz o risco e aumenta a competitividade das empresas.

Por seu turno, Isabel Oliveira, da PortugalFoods, defendeu que o agroalimentar deve ser entendido como “a tradição aliada à inovação”, considerando que a região do Ave tem uma grande oportunidade resultante da combinação entre capacidade industrial, conhecimento, talento e proximidade às instituições de ensino e investigação. O desafio, sublinhou, consiste em transformar inovação em valor e aprofundar o conhecimento dos mercados internacionais.

Maria José Carvalho, do Cluster Têxtil: Tecnologia e Moda, recordou a capacidade de adaptação das empresas têxteis, que evoluíram de uma competição baseada no preço para uma aposta na qualidade, flexibilidade, rapidez de resposta e segmentos de maior valor. A responsável identificou, contudo, a retenção de talento como um dos principais desafios. Para fixar os jovens qualificados, defendeu, são necessários salários, habitação, oferta cultural e condições de vida que tornem a região mais atrativa.

Pedro Rocha, diretor executivo da PRODUTECH, destacou a capacidade de inovação e cocriação da indústria regional. “A transformação tecnológica não é um fim em si mesmo, mas um meio para alcançar a competitividade da nossa indústria e da nossa economia”, afirmou. Na mesma linha, Paula Silvestre, diretora de Competitividade e Formação da AEP, defendeu respostas coletivas para apoiar um tecido empresarial constituído maioritariamente por micro, pequenas e médias empresas, salientando a importância das competências digitais e das “strong skills”, como a liderança, a empatia, a resolução de problemas e o trabalho em rede.

Paulo Ramísio, diretor executivo da TECMINHO, chamou a atenção para a necessidade de aproximar universidades e empresas, valorizando e transferindo para a economia o conhecimento produzido. Mas, disse, “o segredo para o sucesso nem sempre está apenas no conhecimento. Temos de aprender a trabalhar uns com os outros e a partilhar responsabilidades”, afirmou.

Um aspeto consensual na mesa-redonda foi a necessidade de tornar o Ave atrativo não só para o investimento, mas também para as pessoas. Todos os intervenientes sublinharam que a competitividade futura da região dependerá da sua capacidade para reter o talento que forma e atrair novos profissionais qualificados. Para isso, não bastam empregos ou tecnologia: são igualmente necessários salários competitivos, habitação, mobilidade, oferta cultural, qualidade ambiental e oportunidades profissionais desafiantes, capazes de responder às expectativas das novas gerações e de transformar o Ave num território onde seja possível trabalhar, viver e construir um projeto de futuro.

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