AVS critica nomeação do árbitro João Pinheiro para o Braga – Vitória
A nomeação do árbitro João Pinheiro para o Sporting de Braga – Vitória do próximo sábado, em jogo referente à 23.ª jornada da Liga Portugal Betclic, por parte do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), mereceu as críticas da Associação Vitória Sempre (AVS), expressas num comunicado enviado às redações.
Convencida de que o juiz natural de Barcelos e membro do Núcleo de Árbitros de Famalicão tem “marcado presença assídua nos momentos mais negros da história recente da arbitragem”, a associação de adeptos vitorianos baseia o desagrado em dois jogos nos quais considera que o emblema preto e branco foi prejudicado no relvado.
Um deles aconteceu precisamente entre bracarenses e vimaranenses, em 31 de outubro de 2024, para os quartos de final da Taça da Liga; João Pinheiro atuou como videoárbitro (VAR) nesse jogo e aconselhou Fábio Veríssimo a ver as imagens de um lance entre Borevkovic, então central do Vitória, e El Ouazzani, avançado dos arsenalistas, que viria a culminar na marcação de uma grande penalidade que valeu o 2-1 final aos bracarenses.
Esse lance motivou a presença do presidente do Vitória, António Miguel Cardoso, na sala de imprensa do Estádio Municipal de Braga e mereceu o desacordo da maioria da crítica de arbitragem. “Neste episódio de cinema de terror vitoriano, João Pinheiro desempenhou o papel de VAR com uma criatividade sem precedentes. Com requinte e mestria, "orientou" o árbitro principal Fábio Veríssimo a assinalar um penálti que, para a esmagadora maioria dos mortais que viram as imagens, simplesmente não existia. Um feito técnico notável: convencer alguém a ver o que não está lá”, escreve a AVS acerca do sucedido.
A outra partida mencionada é o Vitória – Benfica, da 10.ª jornada da Liga Portugal Betclic 2025/26, realizada a 1 de novembro de 2025, em que a equipa de Guimarães perdeu por 3-0. A AVS considera que João Pinheiro protagonizou “um espetáculo de decisões que faria corar qualquer manual de arbitragem. Lances duvidosos e um apito que pareceu calibrado para uma frequência que só o Benfica conseguia ouvir. Os vídeos falam por si. E falam alto”.
Após esse jogo, o presidente do Vitória sugeriu que duas das decisões tomadas no jogo teriam sido trocadas consoante as cores das camisolas: o pisão do benfiquista Sudakov no tornozelo de Samu, no final da primeira parte, com o marcador ainda a zeros, passaria de cartão amarelo para vermelho, e a entrada de sola do vitoriano Fabio Blanco, que tocou ao de leve em Leandro Barreiro, passaria de vermelho para amarelo.
AVS recorda oposição do Vitória à eleição de Pedro Proença para a FPF
A associação considera que o dérbi entre Vitória e Sporting de Braga é “um dos jogos mais apaixonantes do futebol português”, sustentado em duas cidades, duas identidades, “uma rivalidade saudável construída ao longo de décadas”, que merecia “um árbitro cuja neutralidade fosse inquestionável e cujo historial nos jogos das equipas envolvidas fosse irrepreensível”.
A AVS sugere, porém, que a nomeação está longe de surpreender, por considerar que “a qualidade e a imparcialidade das arbitragens nos jogos do Vitória conheceram uma deterioração curiosamente proporcional ao momento em que o clube assumiu publicamente que não apoiaria Pedro Proença — ex-árbitro internacional e então candidato à presidência da FPF, que viria a ser eleito para o cargo em 14 de fevereiro de 2025.
“Não dizemos que existe uma relação de causa e efeito. Seria imprudente. Seria especulação. Seria, quiçá, exatamente aquilo que toda a gente está a pensar, mas que ninguém em posição de poder parece querer investigar com a seriedade que a situação merece”, lê-se.
Embora reconheça que é “difícil gerir um universo de árbitros” por parte do Conselho de Arbitragem da FPF e que “nem sempre há perfeição”, a AVS defende que é altura de “ter a decência de afastar” dos jogos do Vitória um árbitro que lhe aparece “repetidamente a prejudicar”, com “documentação visual disponível para consulta”. “Não pedimos favores. Pedimos arbitragem. Aquela coisa que deveria existir independentemente de quem o clube apoia ou deixa de apoiar nas eleições federativas”, conclui a nota.