Bruno dos Reis assume direção artística do Centro Cultural Vila Flor
Bruno dos Reis é o novo diretor artístico do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), transitando assim da função de diretor artístico do Teatro Oficina, que assumiu no início de 2025. “A nomeação dá continuidade ao trabalho de Bruno dos Reis n'A Oficina, onde assumiu a direção artística do Teatro Oficina em 2025. Nas novas funções, será responsável pelo projeto artístico do CCVF e assegurará a transição para a nova direção artística do Teatro Oficina que será operada durante o próximo ano”, refere o comunicado da cooperativa municipal A Oficina.
O presidente executivo d'A Oficina, Esser Jorge Silva, justifica a escolha com a visão artística, a capacidade criativa e o dinamismo patenteados pelo dramaturgo e encenador, que, antes, dirigiu o GrETUA, em Aveiro, entre 2018 e 2024. "O Bruno tem demonstrado uma visão abrangente da criação artística, aliada à capacidade de mobilizar equipas e concretizar projetos. É inquieto por natureza, alguém que questiona, experimenta, concretiza, com uma exigência que o leva a desafiar as suas próprias ideias. Reconhecemos-lhe a capacidade de desenvolver um projeto artístico singular para o CCVF, abrindo novas possibilidades de criação e programação e reforçando a sua relevância nacional e internacional", assinala.
O dirigente garante ainda que a equipa artística liderada por Bruno dos Reis terá total autonomia para definir o projeto e a programação do CCVF, no quadro da missão d'A Oficina. "A nossa responsabilidade é assegurar as condições para que desenvolva esse trabalho com liberdade de criação e de programação, abertura à diversidade de expressões artísticas e responsabilidade perante os artistas e os públicos. A confiança que depositamos nesta equipa traduz-se no respeito pelas suas escolhas artísticas", acrescenta o presidente executivo.
Já Bruno dos Reis reconhece o legado de um equipamento com “papel papel fundamental na afirmação cultural de Guimarães e no desenvolvimento do panorama artístico nacional”, que “transformou vidas”, e promete pensá-lo como um espaço aberto à cidade e aos artistas. "Um centro será sempre tão mais perigoso quanto menos se entender como uma praça, como um local que deve ser permanentemente atravessado e construído precisamente pela fortuitidade dos encontros que o vão ocupando", afirma Bruno dos Reis.
Esta visão coloca no centro do projeto artístico a capacidade de observar e interrogar o presente, reconhecendo também aquilo que permanece menos visível. "Talvez essa seja a derradeira missão de um equipamento que foi construído para servir a imaginação: reconhecer o invisível. E se é um vício antigo exigirmos dos artistas uma certa capacidade mediúnica com o futuro, talvez fosse hora de reconhecer que nada é mais importante para um equipamento do que ter a mesma capacidade relativamente ao presente", acrescenta o novo diretor do CCVF.
É a partir deste entendimento que se definem algumas das linhas de trabalho para o CCVF: promover a regularidade e a clareza da programação ao longo do ano, explorar diferentes formatos de apresentação e de encontro entre artistas, obras e públicos, criar espaços de pensamento crítico e questionamento, incluindo sobre o papel da própria instituição, refletir sobre as estratégias de apoio à formação e ao desenvolvimento do território e aprofundar as relações com as gerações mais jovens e com os circuitos artísticos nacionais e internacionais.
Cristina Planas Leitão: “Penso o GUIdance 2027 como edição de viragem”
Coreógrafa e programadora com vasta experiência, nomeadamente no Festival Dias da Dança, no Porto, entre 2018 e 2024, Cristina Planas Leitão assume a direção artística do GUIdance e a consultoria artística para a programação de dança do CCVF. A coreógrafa e programadora assume estas funções reconhecendo o percurso do festival e o contributo das equipas, artistas e parceiros que construíram a sua identidade.
"Penso o GUIdance 2027 como uma edição de viragem: o início de um processo progressivo, que começa já a apontar novas direções e a construir solidamente as bases para os seus desdobramentos", afirma Cristina Planas Leitão.
A relação com Guimarães será central neste novo ciclo, com desenvolvimento gradual e maior expressão a partir de 2028. Cristina Planas Leitão propõe um festival que percorra a cidade, trabalhe diferentes escalas e reforce progressivamente a coprodução, a circulação e as relações continuadas com artistas e estruturas nacionais e internacionais. "Um festival onde seja possível permanecer e onde a experiência da dança se prolongue para além dos espetáculos, nos espaços, nas conversas e nos encontros", acrescenta.
Paulo Dumas, até agora assistente de direção artística do CCVF, passa a assumir a programação de música do Centro Cultural Vila Flor, em articulação com o diretor artístico e em consonância com o projeto artístico do equipamento.