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Cinco minutos bastaram para fazer ruir o esforço de 80: Vitória cai na Taça

Tiago Mendes Dias
Desporto \ quarta-feira, janeiro 11, 2023
© Direitos reservados
Os golos de Jota Silva e de Anderson pareceram naturais face ao domínio e à coesão que o Vitória patenteava. A equipa parecia controlada mas perdeu a compostura e consequentemente a eliminatória.

A história de mais um dérbi entre Sp. Braga e Vitória na pedreira acabou como tem sido norma nos últimos 20 anos – triunfo bracarense -, após um desenlace dos mais ingratos que a equipa de Guimarães vivenciou naquele palco. A equipa de Moreno chegou ao intervalo a vencer por 2-0, controlou a primeira parte e foi mantendo a baliza a salvo na segunda, sem consentir muitas oportunidades claras para ver o resultado abalado. Teve até uma chance de ouro para fazer o 3-0, desperdiçada por Nélson da Luz.

Ao minuto 80, tudo ficou do avesso: com alguma sorte à mistura após bola bombeada de fora da área, Abel Ruiz ficou isolado e rematou para o golo, apesar de Celton Biai ter ainda tocado no esférico. Daí, tudo se desmoronou: Vitinha arranjou espaço na área para bater Celton com um remate colocado e Abel Ruiz virou o jogo definitivamente após lance confuso.

O Vitória foi assim incapaz de repetir a única vitória conseguida em Braga para a Taça de Portugal – 1979/80 – depois de um jogo que teve à mercê após trabalhar, e muito, para isso.

O arranque que se viu no Estádio Municipal de Braga não podia contrastar mais com os momentos recentes dos clubes: há cinco jogos sem triunfar, os homens de Moreno manietaram completamente o Braga que marcara sete golos nos últimos dois jogos da Liga Portugal, com a consequente subida à vice-liderança.

Equipada de cinzento e negro, a formação vitoriana apareceu com um inédito trio atacante de Silvas – Jota, Anderson e André – que pressionou intensamente a dupla Paulo Oliveira-Bruno Rodrigues no eixo da defensiva arsenalista, bem apoiada por um meio-campo pronto a ganhar a bola no meio-campo adversário. Endiabrado desde o primeiro minuto, Jota Silva ultrapassou dois adversários e isolou-se para rematar contra as pernas de Matheus. Era o primeiro aviso, decorridos três minutos de jogo.

Perante um Braga que até tinha mais bola, mas numa circulação estéril, o Vitória continuou mais dinâmico a ocupar espaços: recuperou a bola com autoridade, definiu bem na hora de lateralizar, triangulou e visou a baliza. O segundo a fazê-lo foi André… Silva: cruzamento de Miguel Maga na direita e o avançado rematou à meia volta para defesa de Matheus.

O Vitória estava confortável em campo e os lances foram mesmo prenúncios do golo que viria a surgir ao minuto 16: no meio-campo bracarense, André Silva aproveitou alguma passividade dos adversários, rodou com o corpo e isolou Jota Silva, que, em plena área, rematou cruzado, completamente fora do alcance de Matheus.

O domínio vitoriano estendeu-se por mais um quarto de hora, numa toada mais lenta, até a reação bracarense surgir à passagem da meia hora, num lance em que Abel Ruiz ganhou a linha final e atrasou para Ricardo Horta. Dani Silva, imperial ao longo dos 90 minutos, intercetou o remate.

Lento na manobra ofensiva até então, o conjunto de Artur Jorge cresceu. E a lesão de Tiago Silva foi um revés na estratégia vitoriana. Mas a equipa de Moreno precisou somente de uma nesga de espaço no último suspiro da primeira metade para dilatar a margem: André Silva viu Anderson, que aproveitou o espaço entre os centrais bracarenses para se isolar e fazer um bonito chapéu a Matheus.

A eliminatória parecia bem encaminhada. Na segunda parte, o Braga entrou com outra agressividade e o Vitória recuou. Perdeu também qualidade na saída de bola, fruto da incapacidade em controlar o meio-campo; a falta de Tiago Silva naquele setor foi notória, apesar de Dani Silva se ter cotado como um dos melhores vitorianos.

Ainda assim, houve espaços para o contra-ataque e tanto Miguel Maga, como Nélson da Luz desperdiçaram ocasiões flagrantes para fazerem o 3-0 e fecharem possivelmente o jogo. Não aconteceu, e o desfecho do jogo parecia sorridente, mas ainda incerto. O Braga mostrava desinspiração nos ataques, apesar do volume ofensivo. Mas um lance ao minuto 80 transformou o que parecia uma noite luminosa para as cores vitorianas numa tempestade que levou ao naufrágio decisivo.

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