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Confinados, os vimaranenses "chamaram pelos livros". E eles chegaram a casa

Pedro C. Esteves
Educação \ segunda-feira, fevereiro 15, 2021
© Direitos reservados
A Biblioteca Municipal Raul Brandão tem feito entregas ao domicílio, cultivando o gosto pela leitura e, no processo, combatendo o isolamento. “Foi uma aposta ganha”, garante Ivone Gonçalves, diretora.

Em tempos de restrição à mobilidade e de forma a mitigar o isolamento, a exclusão e a desinformação, a Biblioteca Municipal Raul Brandão sai todos os dias para a rua. É que, um pouco por todo o concelho, gente que continua a “chamar pelo livro” e a biblioteca tem acorrido a quem o faz, palmilhando o concelho para entregar páginas e páginas de companhia durante o período de confinamento.

Desta forma, no último mês o ritual matinal tem sido semelhante, com os funcionários a levar a casa de vimaranenses - “de Infantas a São Torcato” – histórias para escapar à realidade. “O feedback que posso dar é melhor de todos”, explica ao Reflexo Ivone Gonçalves, diretora da Biblioteca Municipal Raul Brandão. “Temos recebido pedidos de entrega ao domicílio de todos os pontos do concelho, das freguesias mais longínquas, de quem tem mais dificuldade em vir à biblioteca”. Em média, são feitas cinco entregas por dia, mas, se o interesse continuar a aumentar, a diretora admite que possa também haver novo périplo pelo concelho durante a tarde para saciar a fome de leitura de quem está em casa confinado.

Para além da adesão dos vimaranenses – que foi “melhor do que as expetativas” –, outro sinal positivo é a angariação de novos leitores: há quem nunca tenha feito qualquer requisição e vê agora uma oportunidade para pôr a leitura em dia. “Depois de terem ouvido falar do serviço, ligam para aqui e dizem: ‘Eu preciso, gostava, mas não sou leitora’. Sem problema. s fizemos o cartão de leitor, e entregamos os livros. Nada é impedimento para que as pessoas tenham acesso a este serviço”, exemplifica Ivone Gonçalves. “Foi uma aposta ganha”, reforça.

© Direitos reservados.

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Chamar pessoas para o livro

Para além de ser “uma das bibliotecas com o maior índice de empréstimo domiciliário do país”, a Biblioteca Municipal Raul Brandão dispõe de “estruturas de leitura que garantem uma proximidade com a população – para além do polo central, a biblioteca tem núcleos em Pevidém, Lordelo e Caldas das Taipas. Nestes dois últimos, a entrega é feita à porta da biblioteca. No entanto, leitores residentes nestas freguesias (ou nos arrabaldes) pode receber os livros em casa, basta sinalizar ao núcleo mais próximo e a informação chega ao polo central. As regras do empréstimo domiciliário são as mesmas do regulamento interno: três documentos por 21 dias.

Esta iniciativa de levar livros ao domicilio multiplicou-se por todo o país, com as bibliotecas municipais a desempenharem um papel importante no combate à solidão e a cultivarem o gosto pela leitura. E com a manifestação de interesse por parte dos munícipes, poderia a biblioteca prolongar o serviço de take-away para além do período de confinamento? A ideia não está totalmente descartada, mas a diretora indica que há municípios onde, contrariamente a Guimarães, pode fazer mais sentido: “A Biblioteca está bem localizada, tem um enorme número de leitores, temos três polos, uma biblioteca itinerante e uma rede bibliotecas escolares. Não sei se depois fará sentido, quando temos uma estrutura de leitura que estão muito próximas da população.”

Para além do esforço no terreno, a instituição também diversificou a oferta através das redes sociais. Com uma programação diária que vai da leitura de contos a entrevistas com personalidades. A rede de bibliotecas escolares também é incluída, com os próprios alunos a fazerem sugestões de leitura. No fundo, “a chamar pessoas para o livro.”

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