Contextile: Ai Weiwei passou por Guimarães para expor visão antiguerra
Numa breve conversa de meia hora sob a ondulante cobertura que projetou para a Plataforma das Artes e Criatividade – “Camouflage” –, Ai Weiwei abordou o processo artístico de criação das três obras expostas na oitava edição da Contextile, bienal de arte têxtil em exibição até 29 de novembro.
Ao discursar sobre a obra instalada nesse espaço público, com um tecido que faz lembrar os padrões do vestuário militar em situação de guerra e vários dispositivos que se assemelham a câmaras de videovigilância, o artista chinês radicado em Montemor-o-Novo realçou que esse padrão faz lembrar o aparato militar, mas sublinhou que, num olhar atento, é possível observar os contornos de gatos. Essa atenção aos animais visa precisamente criar uma mensagem de oposição à guerra, assim como acontece em “Net”, obra exposta nos tanques de Couros, junto à Fraterna.
Nessa obra, a rede azul-esverdeada às ondas sobre os tanques apresenta-se como uma proteção aos drones utilizados na guerra da Ucrânia, na sequência da experiência do artista em solo ucraniano, já após 2022.
Ausente da China desde 2015, pela oposição dirigida ao governo do seu país, que incluiu a sua detenção em 2011, por acusação de crimes económicos, o artista, de 69 anos, criou ainda “Fabrication”, exposição patente no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), onde sobressaem os coletes salva-vidas e as mochilas utilizadas por refugiados que se deslocaram para a Europa, durante as crises da década passada, que incluíram milhares de pessoas alojadas por muito tempo em ilhas da Grécia, como a de Lesbos.
Aliás, depois da conversa, que contou com mais de 100 pessoas na plateia ao ar livre, foi exibido no auditório improvisado numa escadaria do CIAJG o documentário “Human Flow”, realizado por Ai Weiwei e lançado em 2017, precisamente a retratar a crise de refugiados ao longo de duas horas e 20 minutos.