CRO reúne capacidade até 124 cães e espaços exteriores após requalificação
O Centro de Recolha Oficial (CRO) de Animais em Guimarães dispõe agora de uma lotação até 124 cães, de cinco parques exteriores, vocacionados para os animais que não se adaptam às boxes, novas enfermarias para cães e gatos, espaços de recobro separados e novas áreas específicas para felídeos, com alojamentos dotados de espaços interiores e exteriores.
Essas valências resultam das obras de requalificação e ampliação, iniciadas em 19 de agosto de 2024 e inauguradas no sábado, após um investimento superior a 1,3 milhões de euros, que praticamente duplicou a capacidade disponível. As novas instalações também apresentam melhorias ao nível da ventilação, temperatura e acústica dos espaços.
Na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, defendeu que o reforço da capacidade do CRO deve ser acompanhado por uma mudança na forma como a comunidade encara a proteção e o bem-estar animal.
"Não basta hoje aumentar a capacidade de resposta, não basta hoje aumentar a capacidade de receber mais animais. É preciso saber tratar e, se possível, devolver às famílias e às pessoas que possam cuidar e tratar bem destes animais", afirmou, citado pelo comunicado do município.
Ricardo Araújo reforçou ainda a necessidade de combater o abandono e de envolver toda a comunidade nesta responsabilidade. "O município faz a sua parte. É importante também que a comunidade, os cidadãos, assumam essa responsabilidade de proteção e tratamento dos animais", acrescentou.
Já a médica veterinária municipal, Guida Vieira e Brito, considerou que a inauguração deve marcar "o início de uma nova etapa da comunidade", com a passagem de uma política municipal centrada apenas no resgate e alojamento para uma política de responsabilidade efetiva pelos animais.
Nesse sentido, destacou que o sucesso da intervenção não deverá ser medido apenas pela capacidade de acolhimento criada, mas também pela capacidade de evitar que os animais permaneçam institucionalizados. "O verdadeiro sucesso desta obra não se medirá pelas boxes que ocupamos, mas sim por aquelas que conseguiremos manter vazias", afirmou.
A autora do projeto, Cristina Pinheiro, destacou, por sua vez, a importância de concretizar investimentos públicos assentes numa visão de futuro, considerando que Guimarães tem demonstrado capacidade para conjugar "boa arquitetura" com "bons investimentos", através de uma atuação autárquica orientada por uma visão estratégica.