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De Guimarães a Vila do Conde: o melhor cinema fica a uma curta viagem

Redação
Cultura \ segunda-feira, julho 13, 2026
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A 34.ª edição decorre de 17 a 26 de julho, com Todd Haynes e Mohammad Rasoulof entre os nomes em destaque. A pouco mais de uma hora de Guimarães, é um dos acontecimentos culturais do verão no Norte.

Há mais de três décadas que julho, em Vila do Conde, é sinónimo de cinema. Fundado em 1993, o Curtas Vila do Conde - Festival Internacional de Cinema regressa este ano para a sua 34.ª edição, entre 17 e 26 de julho, transformando novamente a cidade num ponto de encontro de cineastas, cinéfilos e curiosos vindos de todo o mundo. São esperados mais de 20 mil espectadores ao longo de dez dias, com um programa que inclui 86 sessões de cinema, 16 conversas com realizadores, quatro workshops e uma dúzia de atividades pensadas para famílias e crianças.

O festival, que se afirmou como uma das mais importantes montras do formato curto na Europa, apresenta este ano cerca de 90 filmes em estreia nacional e 30 em estreia mundial, distribuídos por várias secções competitivas e programas paralelos que cruzam cinema, música, artes visuais e performance.

 

Haynes, Rasoulof e Pennell no centro das atenções

A secção In Focus concentra os grandes nomes desta edição. O norte-americano Todd Haynes, figura maior do cinema independente das últimas décadas e autor de títulos como "Safe", "Velvet Goldmine" ou "Carol", verá a sua obra revisitada em Vila do Conde. A acompanhá-lo estará Christine Vachon, sua produtora de longa data e uma das personalidades mais influentes da produção independente norte-americana, que virá apresentar o trabalho do realizador e o seu próprio percurso.

Outro destaque é o iraniano Mohammad Rasoulof, cineasta perseguido pelo regime do seu país e vencedor do Urso de Ouro em Berlim com "There Is No Evil", filmado clandestinamente no Irão. O festival exibe a sua mais recente longa-metragem, "A Semente do Figo Sagrado", além de obras anteriores como "Iron Island" e "A Man of Integrity". A sua presença dá a esta edição uma forte dimensão política, centrada na liberdade de expressão e na resistência através do cinema.

Completa o trio a artista visual britânica Miranda Pennell, premiada no Curtas em 2024, que apresenta uma exposição na Solar - Galeria de Arte Cinemática, uma seleção de filmes da sua escolha e uma palestra-performance.

 

Do cinema de antologia aos cine-concertos

A secção Cinema Revisitado dedica-se este ano aos chamados filmes de antologia — longas-metragens compostas por episódios assinados por diferentes realizadores. Ao longo de seis sessões, o público poderá (re)descobrir clássicos como "Dead of Night" (1945), "Boccaccio 70" (1962), "Kwaidan" (1964) ou "New York Stories" (1989), além do coletivo e politicamente empenhado "Loin du Vietnam" (1967) e de "Seven Women, Seven Sins" (1986), realizado por sete cineastas mulheres. Passam ainda por Vila do Conde a norte-americana Bette Gordon, do movimento No Wave, e o britânico John Smith, que assinala os 50 anos do seu icónico "The Girl Chewing Gum".

Na secção New Voices, a aposta vai para o espanhol Guillermo Galoe, uma das vozes emergentes mais interessantes do cinema europeu contemporâneo, com uma retrospetiva completa que inclui a antestreia nacional de "Ciudad sin sueño", apresentado na mais recente edição do Festival de Cannes.

Já a secção Stereo, onde o cinema se cruza com a música ao vivo, traz dois cine-concertos muito aguardados: o músico britânico Alabaster DePlume, em quinteto, apresenta uma banda sonora original para "Time of the Heathen" (1961), clássico redescoberto do cinema independente norte-americano; e os Mão Morta, em formato Redux, juntam-se ao realizador Pedro Serrazina para musicar ao vivo várias das suas curtas de animação.

 

Competições para todas as idades

No coração do festival mantêm-se as competições Internacional, Nacional e Experimental, a que se somam programas que apostam nas novas gerações: a Take One!, dedicada a filmes de estudantes portugueses de cinema e audiovisual; a My Generation, cuja seleção é feita por um comité de estudantes do ensino secundário e da ESMAD; e a Curtinhas, com júri composto por crianças dos 7 aos 13 anos. Há ainda uma competição de videoclipes de artistas ou realizadores portugueses.

Para quem quiser fazer a curta viagem desde Guimarães, o programa completo e a bilheteira online estão disponíveis em festival.curtas.pt. Entre estreias mundiais, clássicos recuperados e concertos ao vivo, o Curtas volta a provar que o formato curto pode ser a forma mais intensa de viver o cinema.

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