Education Summit regressa ao Multiusos numa escala ainda maior
A Education Summit nasceu para se criar “um novo palco de debate sobre novas ferramentas para os professores” e promete, neste ano, ter um impacto ainda maior do que na edição inaugural, decorrida em abril de 2025, vincou Renato Pacheco, presidente da Associação Nova Escola, entidade organizadora, durante a conferência de imprensa de apresentação do evento.
À semelhança da primeira edição, o Multiusos de Guimarães acolhe a iniciativa que se desenrola entre 9 e 11 de abril, com a promessa de criar um impacto ainda maior. Para se perceber a diferença, a Education Summit acolheu profissionais de educação ligados a 10 câmaras municipais do país, incluindo as do então Quadrilátero Urbano, e, neste ano, tem garantida a presença de 30 autarquias.
As dificuldades em lançar a primeira edição, traduzidas em algo que “as pessoas estavam a estranhar” e não conseguiu ser autossuficiente em termos financeiros, deu lugar ao interesse alargado de professores e empresas em participarem em 2026. Houve, aliás, convites para a Education Summit se realizar noutros palcos, fora de Guimarães, cidade que obteve um impacto positivo de 750 mil euros na economia local durante o primeiro ano.
“Na sequência da primeira edição, surgiram novos projetos. Tivemos muitos professores a manifestar o interesse em voltarem cá ou em participar pela primeira vez. A Education Summit mostrou que é importante haver momentos de partilha e formação para os professores. Tem sido uma classe bastante desgastada. Encontraram uns pares e uma valorização para potenciarem os seus conhecimentos e para tornarem a profissão apelativa para jovens professores”, acrescentou o dirigente.
Entre os mais de 40 oradores, incluem-se o Ministro da Educação, Fernando Alexandre, responsável por uma intervenção de cerca de meia hora sobre os grandes desafios do sistema educativo, a encerrar o segundo dia, entre as 18h55 e as 19h25.
O leque de intervenientes reúne outros protagonistas do campo educativo, como o antigo reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa, que estará na conferência de abertura, na quinta-feira, às 15h00, para falar sobre a missão humanista dos professores na sociedade, o psiquiatra Daniel Sampaio, que, na manhã de sexta-feira, intervirá sobre o papel da escola e da família na adolescência de hoje, e ainda o professor espanhol César Bona, o brasileiro Nélio Sprea, Eduardo Sá, Sílvia Valério, Milena Branco, Nuno Pinto Martins, Pedro Chagas Freitas ou Joana Rato, num programa que assenta em três pilares - criatividade, inovação e inclusão -, sob o slogan “Inspirar para transformar”.
Marcado para a pausa letiva da Páscoa, o evento já conta com os passes gerais, de 130 euros, esgotados, assim como o terceiro dia, direcionado para a questão da parentalidade na escola, enquanto os primeiros dois dias encontram-se perto da lotação esgotada, de 2.300 lugares. “Temos pessoas interessadas ainda sem bilhete que dizem que não se importam de ficar de pé”, ilustrou Renato Pacheco.
Além das conferências, o programa reúne ainda workshops, a presença da Google for Education, da Fundação Santander ou da Sonae Educação, com programas de grandes empresas para apoio à educação, e ainda uma área de exposição, com capacidade para 80 expositores, que pode envolver empresas ligadas à educação e à tecnologia.
Convergência no Pentágono Urbano
A iniciativa conta com o apoio da associação do Pentágono Urbano – reúne os municípios de Guimarães, Braga, Vila Nova de Famalicão, Barcelos e Viana do Castelo, com cada um deles a prestar um financiamento de 8.000 euros e Guimarães, enquanto anfitrião, a prestar apoio adicional. A vereadora para a educação do Município de Guimarães, Isabel Ferreira, enalteceu o impacto da primeira edição muito para lá das fronteiras de Guimarães, com vários professores a fazerem chegar a questão sobre se o evento teria continuidade ou não, e vincou que é preciso cada vez mais “dar uma grande atenção ao ambiente escolar”.
“A escola ainda não está muito bem ajustada à realidade atual, às expetativas e anseios dos alunos, que vivem num mundo com acesso a informação com ferramentas que não existiam há uns anos”, disse.
Agradada com o facto de o evento se realizar em Guimarães, Isabel Ferreira salientou que o mais importante é que os municípios continuem a “trabalhar em rede” para que um evento assim permaneça de vez no Pentágono Urbano. “É importante ter eventos no território, porque só assim se consegue ter escala e impacto, mas é um esforço para todos os municípios e torna-se mais fácil quando trabalhamos em rede”, realçou.
Presentes na apresentação, a vereadora da educação da Câmara Municipal de Braga e o seu homólogo da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão salientaram a importância de acompanhar a transformação das escolas, com momentos “muito significativos” onde os professores sentem que “vão aprender momentos que querem partilhar”.
“Sentimos que estamos com grandes diferenças na população escolar, tendo em conta não só os movimentos migratórios, mas também os contextos diferenciados dos vários alunos. Todas as iniciativas que ajudem os professores a dar melhor resposta são de apoiar”, disse Hortense Santos.
Já Pedro Oliveira mostrou-se muito convencido de que o vai ser debatido será “muito positivo” para a classe docente, num tempo em que o contexto da sala de aula é “muito diferente” de há 20 anos, seja por causa do fenómeno das migrações, que diversifica culturalmente as escolas, seja por causa da dependência digital e, mais recentemente, da inteligência artificial.
“Ministro está a fazer trabalho antiburocrático”
Inquirido sobre se a necessidade da Education Summit aparecer emerge da incapacidade do Ministério da Educação em assegurar aos professores as ferramentas necessárias para adaptarem o seu ofício à contemporaneidade, o professor Renato Pacheco vincou que “a educação é um mundo com muitas portarias e muitos decretos”, mas que a sala de aula continua livre disso, com os professores a terem liberdade para tomar decisões e principalmente não “repetir o que o seu professor de há 30 ou 40 anos fazia”.
“Os projetos pedagógicos são mais fáceis de mudar no ensino privado, porque têm um poder de decisão muito diferente. A escola pública pode perceber de que forma pode ter uma cultura distinta. Os diretores de escola têm de ter muita coragem. Estou muito confiante nas alterações que vêm aí, porque o ministro está a fazer um trabalho antiburocrático, para que os professores tenham tempo para aquilo que realmente importa, o trabalho na sala de aula”, disse.