“Em 2028, gostava pelo menos de ter mais um título no futebol profissional”
Eleito pela primeira vez em 2022, o candidato da Lista B realça que a sua administração está de passagem pelo Vitória SC e que vai chegar uma altura em que o terá de passar “para outros dirigentes e outras ideias”. Até lá, promete rentabilizar ainda mais o Estádio D. Afonso Henriques, agir de modo “independente” diante dos poderes do futebol português e trabalhar para que haja “mais recordes, vitórias e títulos” a preto e branco, sempre com passos sustentados.
Ainda há margem para tornar o Estádio D. Afonso Henriques mais rentável? Há vários espaços arrendados, mas ainda há muito mais a fazer?
Há margem para mais camarotes, para melhores bares, para fazer uma megastore que tenha uma marca Vitória, para criar tudo isso num sistema que faça a ligação ao museu. Temos um parceiro que nos pode ajudar bastante em termos de know how, a V Sports. As coisas têm de ser feitas com ponderação e calma. O Vitória que encontrámos há três anos era um Vitória de ilhas, sem ligação entre os departamentos, onde as pessoas trabalhavam muito em ambientes fechados, sem articulação. O Vitória de hoje comunica e articula. Tem diretores com mais qualidade na vontade de fazer novos projetos. A união destas pessoas permitirá que o Vitória cada vez mais trabalhe melhor.
Já está definida a localização da megastore?
Tudo isso obriga a obra, tudo isso obriga a projeto, tudo isso obriga a parceiros que estejam disponíveis para estar connosco nesses projetos. Quando entrámos, tivemos durante todos estes anos este parceiro, que provavelmente não estaria interessado numa megastore a nível de equipamentos. Já havia contratos de longo prazo. As coisas levam tempo. Não estamos a dormir, mas é preciso encontrar os parceiros ideais para determinados projetos.
“Há margem para mais camarotes, para melhores bares, para fazer uma megastore que tenha uma marca Vitória, para criar tudo isso num sistema que faça a ligação ao museu. Temos um parceiro que nos pode ajudar bastante em termos de know how, a V Sports. As coisas têm de ser feitas com ponderação e calma”
Como avalia a relação entre estrutura do clube e comunidade. O Vitória é hoje um clube mais próximo dos sócios e do concelho de Guimarães do que há três anos?
É óbvio. Temos recordes de assistências, recordes de entradas de associados, associados cada vez mais jovens, o acompanhamento feito e as expetativas criadas pelos nossos sócios: a relação está quase melhor do que nunca. As pessoas estão mais felizes. Estamos a passar uma fase um bocadinho mais difícil, mas existe mais respeito pelo Vitória, mais orgulho em ser-se vitoriano. O Vitória passou a ser referência na Europa e não era. Hoje todas as pessoas conhecem o Vitória e sabem o que se está a fazer aqui. Quando o Vitória, nos últimos três anos, tem a capacidade de se restruturar, de contratar bom talento, de ter as melhores práticas em algumas áreas, de chegar à Liga Conferência e ficar em segundo lugar, atrás do Chelsea, e de ser líder em muitas áreas, deveríamos pensar nisso e ter orgulho. Às vezes, parece que a cidade não está a perceber bem o que está a acontecer. Mas não tenho dúvidas que passámos a ser mais conhecidos.
O que podemos esperar do Vitória perante a Liga e a Federação Portuguesa de Futebol? Está bem representado? Há alguma coisa que falha?
Não. Durante muitos anos, fomos submissos ao sistema. Não fomos independentes. Fomos submissos. Tivemos medo. De alguma forma, acabámos prejudicados. Neste momento, o Vitória é independente. Luta pela verdade desportiva, sempre. Luta pela coerência e por aquilo em que acredita, independentemente dos interesses das entidades. Neste momento, não tenho dúvidas de que estamos a crescer e a ser cada vez mais respeitados.
“Durante muitos anos, fomos submissos ao sistema. Neste momento, o Vitória é independente. Luta pela verdade desportiva, sempre. Luta pela coerência e por aquilo em que acredita, independentemente dos interesses das entidades”
Disse que poderia recandidatar-se a um segundo mandato, mas que 2028 seria o limite para este seu projeto como presidente. Mantém essa ideia. Sendo eleito, será o último mandato no Vitória?
Sou uma pessoa de convicções muito fortes. Por isso, a resposta é clara. Acho muito difícil, falando pessoalmente, independentemente de me prejudicar ao dizer isso, que possa ficar para além dos próximos três anos. Quando disse isso, sabia o que estava a dizer. Todos temos projetos na vida. O Vitória não é meu, nem desta administração. Estamos aqui de passagem. Também tenho outras coisas que quero fazer na minha vida. Haverá um momento em que temos de dizer: “Chega. O clube cresceu e temos de passá-lo para outros dirigentes e outras ideias”. Tem a ver com isso, não com desgaste e saturação. Dá-me muito prazer. Haverá um momento em que temos de entregar o clube, seja daqui a duas semanas, seja daqui a três anos.
Se for reeleito, como espera ver o Vitória em 2028?
Se for eleito e se não for eleito, espero ver o Vitória em 2028 muito mais forte, com muitos mais títulos, muitos mais sócios, muita maior capacidade, muito mais independência, muitas mais vitórias. Independentemente de ser eu ou o Luís Cirilo, é isso que quero. Se for eleito, tudo farei para que isso aconteça. Se o Luís Cirilo for eleito, espero que tudo faça. Quero entregar o Vitória muito melhor do que aquele que recebi. Se ficar até 2028, vai continuar a crescer.
Mas, sendo eleito, perspetiva um mandato com mais fôlego financeiro e eventual expansão, já aludida na última mensagem de Natal?
De há três anos para cá, o Vitória é de expansão e muitos recordes. Se ficarmos mais três anos, queremos continuar a crescer. Há momentos em que as coisas não correm tão bem, mas tenho a certeza que o Vitória vai ter mais recordes, mais vitórias e títulos. Em 2028, gostava pelo menos de ter mais um título no futebol profissional. O caminho é este, com grandes objetivos, mas sempre com prudência, a abrir portas à formação, com cultura competitiva, numa simbiose que permita ao Vitória crescer com passos sustentados, para dar alegrias aos sócios.