Ex-líder do CF do Vitória defende caminho alternativo à venda dos 17%
Presidente do conselho fiscal entre 2022 e 2025, no primeiro mandato de António Miguel Cardoso como presidente da direção, Ricardo Lobo anunciou esta quinta-feira que votará contra a proposta de transmissão de 17% do capital social da SAD à V Sports na assembleia geral extraordinária de sexta-feira, tendo em vista o restabelecimento da participação de 46% da empresa detentora dos ingleses do Aston Villa.
Para justificar a decisão, o ex-dirigente vitoriano e candidato a vice-presidente nas eleições anteriores, de 13 de junho de 2026, pela lista C, de Viriato Sampaio, compara o acordo firmado entre o Vitória e a empresa de Nassef Sawiris e Wes Edens em 2026 e aquele que foi aprovado pela maioria dos sócios presentes na assembleia geral extraordinária de 3 de março de 2023.
Ricardo Lobo salienta que os dois milhões inscritos no acordo de 2023 destinavam-se à SAD vitoriana na forma de doação, posteriormente revertida devido à diminuição da participação da V Sports para 29%, em junho de 2023, para se garantir o cumprimento da regra da UEFA relacionada com a multipropriedade, enquanto os dois milhões prestes a ser devolvidos têm de ser incluídos no capital social da SAD, como prestações acessórias.
O dirigente realça que o acordo então firmado “permitiu liquidar a dívida associada à aquisição das ações anteriormente detidas por Mário Ferreira, resolvendo um compromisso concreto do clube” e previa ainda “uma linha de crédito de 20 milhões de euros, à taxa de 5,5%”.
A preservação da maioria do capital da SAD pelo Vitória também era “assumida como princípio central”. Embora o clube mantenha 50,84% da sociedade, caso o acordo seja aprovado na sexta-feira, Ricardo Lobo salienta que o contexto é agora “muito mais exigente”, com o passivo a crescer até aos 85,3 milhões e a poder aproximar-se dos 100 milhões “a curto prazo” se não houver restruturação dos gastos da SAD.
O sócio integrado no movimento Vencer, Sentir, Crescer – advém da candidatura de Viriato Sampaio às eleições anteriores – vinca que a “pressão sobre a tesouraria, a dimensão das responsabilidades de curto prazo e os encargos com juros reduzem a margem de autonomia do Vitória” e teme que a transmissão de 17% por 3,8 milhões possa abrir caminho a futuros aumentos de capital da SAD que o clube não tenha a capacidade de acompanhar, podendo, nesse caso, perder a maioria da sociedade. “Esse desfecho não é juridicamente automático, mas é um risco sério que exige uma resposta concreta e credível”, clarifica.
A seu ver, o Vitória SC tem de seguir um outro caminho, guiado por dois objetivos indissociáveis: adequar a estrutura de gastos às receitas correntes e renegociar o passivo para reduzir os encargos financeiros e recuperar margem de atuação.
No comunicado emitido nesta quinta-feira, o ex-dirigente salienta que a oposição à proposta “não é um voto contra pessoas nem contra uma direção”, mas sim uma “posição fundada na convicção de que a operação não enfrenta as causas da crise financeira e poderá agravar a dependência futura da SAD”. Apela também à participação massiva dos sócios na assembleia geral de sexta-feira.