Faleceu Wladimir de Brito
Considerado como uma "figura maior do pensamento jurídico e cívico no espaço lusófono", Wladimir de Brito morreu esta quarta-feira aos 77 anos, vítima de doença prolongada. Numa nota de pesar em seu nome e do Município, Ricardo Araújo, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, enviou as condolências à família e amigos do prestigiado professor, recordando-o como uma "referência do direito internacional público e constitucional."
Nascido em 1949, na Guiné-Bissau, mas criado em Mindelo, Cabo Verde, Wladimir foi uma figura defensora dos valores da liberdade, da democracia e do Estado de direto. Participou na resistência à ditadura e na Revolução de Abril de 1974, opôs-se aos regimes de partido único na Guiné e em Cabo Verde, como militar. Posteriormente assumiu o papel de redator principal da Constituição de Cabo Verde de 1992, contribuindo para a consolidação democrática do país africano.
Num trabalho de Tiago Mendes Dias para o Jornal de Guimarães, em abril de 2024, pode ficar a conhecer melhor a sua passagem pela Revolução dos Cravos.
Fez licenciatura, mestrado e doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra, tendo exercido depois o cargo de professor catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho, onde viria a ocupar também funções na direção e coordenação académica. O seu percurso universitário destacou-se pela investigação, produção científica, edição jurídica e por uma longa atividade de advocacia.
Wladimir de Brito foi também diretor e co-fundador do Observatório Lusófono de Direitos Humanos, membro da lista de Conciliadores das Nações Unidas por designação do Governo português e diretor da revista Scientia Ivridica, tendo recebido várias distinções, como o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria e a Primeira Classe da Medalha de Mérito atribuída pela República de Cabo Verde. Durante muitos anos fez parte da vida ativa da cidade de Guimarães.
O presidente da autarquia deixou no final uma nota de lembrança, recordando-o como "um homem de convicções, de coragem e de pensamento, cuja memória permanecerá ligada aos valores da liberdade, da justiça e da dignidade humana."