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Ferrovia existente, BRT e rede minibus nas soluções para o transporte

Tiago Mendes Dias
Sociedade \ sexta-feira, abril 29, 2022
© Direitos reservados
O estudo para o transporte em via dedicada em Guimarães prevê aposta em miniautocarros para a cidade, pelo potencial de substituir o carro no transporte porta a porta.

Com um horizonte de implementação de 20 anos, o estudo para aprofundar o transporte coletivo em Guimarães, apresentado publicamente nesta quinta-feira, confirma várias das premissas já divulgadas em julho de 2021, numa reunião de Câmara: uso da ferrovia para complementar transporte rodoviário na EN 105, de Lordelo até à cidade, e BRT – acrónimo de bus rapid transit, para autocarro em via própria - para a EN 206 (Ronfe-cidade) e para a EN 101 (Taipas-cidade).

Para a cidade, a análise vê os miniautocarros – a Guimabus já tem seis ao serviço - como aposta para “o serviço de transporte porta a porta”, até porque “a malha urbana não permite vias dedicadas”. “A rede de minibus reduz impacto na cidade e permite uma frequência reforçada”, salientou Anita Pinto, urbanista da Trenmo, a spin-off da Universidade do Porto liderada por Álvaro Costa, engenheiro civil especializado em transportes.

Nesse prazo de 20 anos, essa rede pode chegar para superar os congestionamentos viários que hoje existem, ainda para mais com a evolução que o meio está a sofrer, com “veículos autónomos” já em testes, acrescentou o líder da Trenmo e coordenador do estudo. Podem é ser insuficiente para garantir o transporte no anel que reúne estão ferroviária, Pavilhão Multiusos, Hospital Senhora da Oliveira e Universidade do Minho, pelo que o “teleférico urbano” pode ser uma solução a pensar para esse eixo.

Apesar de até ver com bons olhos as “plataformas elevatórias”, por combinarem “mobilidade urbana e turística”, vencendo não só “altitudes”, como “zonas estreitas da cidade”, o presidente da Câmara Municipal, presente na sessão realizada no Centro Internacional das Artes José de Guimarães, afirmou o preço, de “muitos milhões de euros” obriga ao descarte da solução.

 

Repensar os apeadeiros

Quanto à mobilidade de todo o território vimaranense, identificaram-se as estradas nacionais de ligação a Santo Tirso, Vila Nova de Famalicão e Braga como os ”de maior constrangimento”, que, nas horas de maior tráfego, obrigam os transportes coletivos a pararem, tal como os carros.

A sul, a EN 105 é a que revela maiores “constrangimentos” ao alargamento do canal – “é praticamente impossível um novo canal na mesma via”, reiterou Anita Pinto. Por isso, a linha ferroviária de Guimarães é a sugestão para o crescente uso do transporte público no eixo.

Para os autores do estudo, a estação de Lordelo está bem localizada para acesso aos passageiros, mas o mesmo não se pode dizer dos apeadeiros, “escondidos atrás de unidades fabris”, com “acessibilidade muito reduzida a nível pedonal” e “procura reduzida”. “Covas tem bons acessos, mas Nespereira está atrás da Filasa, com escadas para lá se chegar. O das Pereirinhas está atrás da antiga Baiona. Na Cuca, igual. (…) O custo de lá chegar é muito grande”, frisou.

As soluções residem em apeadeiros “mais acessíveis” à população, disse Anita Pinto, ou em “novos apeadeiros, de “modo a que se crie mobilidade pedonal, ciclável e rodoviária” nos acessos, sugeriu Domingos Bragança. Face às paragens a que o comboio é sujeito, a diminuição dos apeadeiros é um fator a considerar, se bem que possam ser necessários para um serviço urbano, com “maior procura” face à de hoje.

Esse serviço urbano exige igualmente a resolução do problema da frequência, de “hora a hora”; o objetivo é reconverter o troço Guimarães-Lousado para uma frequência de 20 a 20 minutos, refere o estudo.

 

Uma nova via para Caneiros

Para a ligação à área de Ronfe, o estudo propõe uma via rodoviária para o transporte público, ao longo de 11 quilómetros, com 4,40 de nova via, para servir pouco mais de 10 mil pessoas. O BRT é visto como uma solução mais rápida do que o propalado metro de superfície para o Quadrilátero Urbano (LRT), por contemplar veículos rodoviários, disponíveis a saírem da via dedicada para circularem na faixa normal dos outros veículos. Face ao que os quatro municípios do Quadrilátero divulgaram recentemente, o estudo deixa um canal para um eventual LRT, numa visão mais a longo prazo.

O BRT também serve o eixo noroeste, entre cidade e Taipas, com 13 paragens ao longo de 10,2 quilómetros, para cerca de 18 mil pessoas. O alargamento do canal é, contudo, impossível em Caneiros, zona de habitações à face da EN 101. A solução para impedir que o transporte público fique emperrado no trânsito é uma nova via na área, definindo-se posteriormente em qual delas fica o BRT. Para Anita Pinto, deve ficar onde estão as pessoas. “O transporte público pode andar na nova via, ou então onde está a população, na EN101”, disse.

Quanto a outros eixos rodoviários, Anita Pinto frisou que a mobilidade de São Torcato é “favorável”, com “menor congestionamento”, complementado com o transporte público já existente. Já em Pevidém e Serzedelo, há a autoestrada e “canais melhorados” que escoam o trânsito quer para a EN206, quer para a cidade.

 

 

Transporte “tendencialmente gratuito”

Álvaro Costa frisou ainda que é preciso melhorar a “competitividade” do transporte público face ao automóvel, tendo reconhecido que as “densidades dispersas” do território fazem dos veículos individuais uma solução de “maior liberdade e qualidade de vida”, face ao que acontece nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto.

“Nas grandes cidades metropolitanas, como a estruturação urbana existe, as pessoas andam muito mais de transporte público. Em muitos casos, o transporte público é a forma mais fácil de as pessoas se movimentarem. Num território destes, o carro é que dá a forma mais fácil de as pessoas se moverem”, disse.

Para Domingos Bragança, os transportes públicos devem ser mais competitivos com preços mais baixos, nomeadamente para os estudantes até aos 21 anos, idade para se completar uma licenciatura no Ensino Superior, e a partir dos 65 anos. Mas não devem ser totalmente gratuitos, numa intervenção complementada por José Mendes, ex-Secretário de Estado.

“Não há transporte gratuito. Há pessoas que não pagam”, adiantou. “Aquilo custa dinheiro. Em todos os sítios do mundo onde vi transporte gratuito tinha sempre um objetivo específico. Ou era por razões de poluição ambiental. Era preciso triar os automóveis em massa da rua. Ou então para pessoas idosas, numa situação de natureza social. Ou então para jovens que se habituem a utilizar transporte público. Razões específicas. Alguém que me diga onde o transporte público é totalmente gratuito a não ser por estas razões. Aquilo custa”.

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