Filme de terror teve como protagonista uma muralha de papel
O Vitória SC rumou a Alvalade sem receio de impor a sua forma de jogar: igualou o Sporting na posse de bola e nos remates – 14 para os leões e 13 para os vitorianos –, teve mais ataques – 31 contra 28 -, muito mais cantos – sete contra um – e… acabou vergado pelo adversário a uma goleada de 5-1.
A alternância entre períodos de circulação de bola no meio-campo leonino, em que o último passe falhou quase sempre, e de deficientes posicionamentos defensivos na sequência das perdas de bola ditou uma copiosa derrota por 5-1 para a equipa trajada de cinza e dourado no encerramento da 32.ª jornada da Liga Portugal Betclic.
Com uma ala direita renovada, fruto do regresso à titularidade de Tony Strata e de Miguel Nogueira, o Vitória quis atacar com paciência e critério, superando a pressão alta da formação lisboeta. A equipa de Gil Lameiras até contornou várias vezes a pressão adversária, mas foi completamente inoperante após a perda da bola, falhando várias pressões e abordagens para a recuperar de novo.
Com os médios nem sempre posicionados para proteger uma defesa que se apresentou subida, o Sporting aproveitou muitos espaços nas costas da defensiva vitoriana para construir uma goleada robusta, depois de ter inaugurado o marcador aos nove minutos por Gonçalo Inácio, num livre estudado em que o rigor do desenho traçado pelos leões coabitou com a passividade da defesa vitoriana, nomeadamente Strata, ao segundo poste.
O Vitória tremeu com esse golo, já que os passes se tornaram cada vez mais erráticos e Gustavo Silva praticamente não fazia mossa nas bolas repartidas com os defesas leoninos, antes de ruir após o segundo tento, selado por um chapéu de Daniel Bragança, aos 23.
O golo de Maxi Araújo a fechar a primeira parte, em mais um lance onde a defensiva vitoriana pareceu completamente desamparada, foi o prenúncio decisivo para a goleada que viria a consumar-se na segunda parte, com tentos de Suárez e Luis Guilherme. O tento de honra vitoriana chegaria num autogolo caricato de Debast.
Depois de quatro jogos com 10 pontos em 12 possíveis e apenas um golo sofrido, o Vitória deu um passo atrás no processo conduzido por Gil Lameiras. A missão que resta a uma equipa condenada a lutar, no máximo, pelo sétimo lugar é mostrar-se mais parecida com o que foi na série positiva que antecedeu a viagem a Lisboa, na receção ao Casa Pia e na visita ao Nacional.