
Governo promete melhoria da cobertura de Santa Marinha. “É palavra honrada”
Reivindicada há pelo menos uma década, a obra na igreja de Santa Marinha da Costa vai avançar, pelo menos no que respeita à melhoria da cobertura, assim prometeu o Ministério da Cultura, por intermédio da sua titular.
“Em Santa Marinha da Costa, haverá já uma intervenção através do Fundo de Salvaguarda, ao dispor do Património Cultural para situações de emergência. Cheguei ontem, a tempo de visitar a igreja. Já tive a oportunidade de percorrer todos os espaços, seja tardoz do altar-mor, seja o coro alto. De facto, a igreja encontra se numa emergência. A cobertura já deveria ter sido substituída aquando da intervenção do arquiteto Fernando Távora”, prometeu Dalila Rodrigues, mencionando as últimas obras levadas a cabo no templo, na década de 80.
A ministra enalteceu as interpelações relativas a este assunto por parte de Ricardo Araújo, deputado na Assembleia da República e candidato do PSD à Câmara Municipal de Guimarães, e reconheceu que um documento de há dois anos comprovava “o estado precário do património imóvel e alertava para o risco de queda”. “Finalmente, vamos agir através deste protocolo. Define uma área mais alargada que Santa Marinha da Costa. Mostra não apenas a intenção, mas a vontade do Ministério da Cultura agir através do Património Cultural IP (…). Palavra dada é palavra honrada”, prometeu.
Já o presidente do conselho diretivo do instituto público Património Cultural, João Soalheiro, deu também a “palavra de honra” quanto à requalificação daquele templo barroco com origens no século XI, e lembrou dois episódios da alvorada de Portugal para ilustrar o cuidado dos vimaranenses com o património: em 1176, uma comitiva de vimaranenses deslocou-se a Coimbra para reivindicar melhorias para o mosteiro de Santa Marinha da Costa perante D. Afonso Henriques, situação que viria a repetir-se no reinado do segundo rei português, D. Sancho I. Especialista em história medieval, João Soalheiro lembra que D. Sancho se dirigiu assim aos vimaranenses: “O mosteiro de Santa Marinha da Costa, dos cónegos, era uma comunidade que o meu pai muito amava".
Defensor da ideia de que o património cultural é “chão comum e abrigo” de todos os portugueses, João Soalheiro enalteceu o papel de Guimarães nessa vertente. “Guimarães merece tudo dos portugueses. Os vimaranenses estarão sempre no epicentro das preocupações da administração central na área da cultura”, prometeu.
“Templo precisa de requalificação profunda”
Na primeira intervenção após a assinatura dos protocolos no salão nobre da Câmara Municipal de Guimarães, o presidente da Câmara louvou um ato no sentido de reabilitar um imóvel que apresenta “uma degradação enorme há pelo menos 10 anos” e pediu uma requalificação profunda, que vá além da cobertura.
"Este bem, de valor inestimável, precisa mesmo de uma intervenção urgente. É uma intervenção para sustentar a degradação e para suster a infiltração da água, mas não é suficiente. A intervenção tem de ser profunda. É preciso resolver a cobertura, mas depois é preciso requalificar. O tempo não tem obras há dezenas de anos", reiterou.