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Gritos arena fora: GUIdance volta pronto para a luta com ecos de Angola

Tiago Mendes Dias
Cultura \ quinta-feira, fevereiro 08, 2024
© Direitos reservados
A partir das memórias inscritas nos corpos, do trabalho ao prazer, as seis intérpretes de .G Rito, de Piny, transpuseram para o palco muitas batalhas de hoje, no início da segunda semana do festival.

Quem se deslocou ao Centro Cultural Vila Flor (CCVF) na noite de quarta-feira e virou a esquina para o lado de lá do palco, deparou-se com uma arena onde cabiam inúmeras batalhas: cercadas por quatro arestas duplas de espetadores, Adrielle ‘Nala’, Aina Lanas, Catarina Ribeiro, Leo, Lúcia Afonso e Piny protagonizaram um espetáculo ora etéreo, ora agressivo no arranque da segunda semana da 13.ª edição do GUIdance. Em cerca de 75 minutos,  representaram momentos de prazer, evocaram a natureza, simularam a violência, tendo sempre como referência o “X” que cruzava o palco. As bailarinas podiam embrenhar-se, contorcer-se, gritar com o corpo, no fundo, mas nunca deixando de ter constrangimentos.

Se um grito é um ataque à indiferença, a beleza e a complexidade da coreografia que se viu no CCVF estão perfeitamente alinhadas com esse propósito: as geometrias e as geografias do palco foram convocatória para as discussões do presente, principalmente as que envolvem o feminino, mas sem esquecer ancestralidade.

Estreada em 2023, “.G Rito” é a mais recente obra de Piny, coreógrafa lisboeta, com ascendência portuguesa e angolana e uma panóplia de influências que se estende do Médio Oriente e do Norte de África às danças urbanas – o breakdance, o hip hop, o house, o vogue ou o waacking. Refletido nos movimentos, esse mosaico também norteou os sons ali ouvidos, fosse a percussão dos pés das bailarinas, fosse a sobreposição de uma suave canção em português e de uma impetuosa batida norte-americana.

O choque e o enlace de influências díspares impulsionam o GUIdance para um encerramento que se quer poético e político, coreografado a partir de Portugal ou de Taiwan. Coreógrafa brasileira radicada em Lisboa, Gaya de Medeiros regressa aos palcos vimaranenses esta quinta-feira, no caso à black box do Centro Internacional José de Guimarães, com “Atlas da Boca”, antes da aventura pelo universo taiwanês, intercalada por“Anda, Diana”, de Diana Niepce.

Na sexta-feira, “Beings”, de Yeu-Kwn Wang sobe ao palco do Teatro Jordão, antes de “Bulabulay Mun?”, da Tijmur Dance Theatre, encerrar estas duas semanas de dança contemporânea no sábado, no CCVF. Essa obra reconstitui a designada expedição japonesa para punição do povo Paiwan, em 1874, na sequência do Incidente Mudan, de 1871, em que 54 marinheiros das ilhas Ryukyu - hoje, território japonês - naufragaram em Taiwan e vagueavam pela ilha antes de serem mortos. Nessa obra, os intérpretes caminham como soldados que marcham para a guerra, aos ritmos de baladas antigas, saudando os espíritos antigos, as pessoas da tribo Mudan e até mesmo o povo japonês, num sentimento de unidade e união, lê-se na nota de imprensa do festival.

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