Guia para um final feliz estava nos pés de quem nunca tinha marcado
Ao intervalo, os assobios envolviam a saída da equipa do Vitória para o intervalo. No último lance da primeira parte, Paulo Moreira, um dos jogadores mais dotados do Estrela da Amadora, falhou o bis por centímetros, com um remate que acertou com estrondo no poste, após contra-ataque. Além de recolher aos balneários em desvantagem, a equipa de Luís Pinto dera uma pálida imagem nos primeiros 45 minutos, longe da aguardada reação ao naufrágio de Arouca. A segunda parte, contudo, trouxe o alívio à maioria das 13.645 almas que se impacientavam nas bancadas do Estádio D. Afonso Henriques. Thiago Balieiro e Diogo Sousa foram os intérpretes que deram cor à reação vitoriana, selando um triunfo natural, tamanho foi o ascendente vitoriano.
Atingido pelo vigor inicial do Estrela, traduzido numa oportunidade clamorosa de Abraham Marcus, a preceder o remate certeiro de Paulo Moreira, a formação da casa demorou a recompor-se. Além de lenta, a circulação de bola foi pontuada por inúmeros erros. O Vitória revelava-se incapaz de progredir até à área estrelista em bola corrida, mas as oportunidades apareceram. A displicência tricolor na primeira fase de construção deixou Gustavo Silva três vezes na cara do golo, mas o brasileiro esteve muito longe dos remates fortes e certeiros que o distinguiram na época passada.
Noah Saviolo também ameaçou de longe, mas a avalanche ofensiva para inverter o curso dos acontecimentos teve de esperar pela segunda parte. Com Telmo Arcanjo e Nélson Oliveira, o Vitória apresentou-se mais dinâmico e, sobretudo, mais ligado. As oportunidades de golo não tardaram: Samu ameaçou primeiro e Thiago Balieiro depois, num cabeceamento como manda a lei para grande defesa de Renan Ribeiro.
Essa ameaça foi a antecâmara do golo inaugural do central brasileiro na Liga Portugal Betclic. O defesa foi oportuno num lance de insistência ofensiva e apareceu entre o defesa adversário e o guarda-redes que destapou o ângulo para marcar pelo único caminho por onde poderia entrar a bola. Estavam decorridos 64 minutos, e o Vitória recusou-se a soltar o acelerador. Aos 68, a reviravolta estava completa: Diogo Sousa irrompeu pelo centro da área para desviar de primeira para o fundo das redes, com o pé esquerdo, após passe de João Mendes.
O Vitória passava pela primeira vez para a posição de vencedor e não mais a largou, fruto da segurança com que jogou nos 20 minutos finais, recusando limitar-se à sua área para segurar o resultado. Assim que soou o apito final de Carlos Macedo, o Vitória cumprira o principal objetivo, ascendendo ao sétimo lugar, à condição, com 31 pontos, agora a oito do quinto classificado, o vizinho Sporting de Braga, que perdeu na visita ao sensacional Gil Vicente, quarto, com 40, por 2-1.