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Guiar histórias da cantarinha para a literatura de hoje com o Contarinhar

Tiago Mendes Dias
Cultura \ terça-feira, janeiro 20, 2026
© Direitos reservados
Iniciativa da Oficina reúne textos em poesia ou prosa poética que versem sobre a peça de artesanato como “metáfora do amor” ou “relicário cultural”. Submissão de obras em vigor até 28 de fevereiro.

O trabalho sobre património e artes tradicionais, que A Oficina delega à Casa da Memória de Guimarães, à Loja Oficina e, desde 2024, ao Centro de Artes e Ofícios dos Fornos da Cruz de Pedra, possui mais uma camada com a entrada em 2026. Além de dispor de uma oleira – Bruna Freitas – para perpetuar a Cantarinha dos Namorados, a cooperativa municipal lançou uma iniciativa para cruzar essa peça secular do artesanato vimaranense, devidamente certificada, com a literatura.

Promovido em conjunto com a livraria Rimas e Tabuadas, localizada em pleno centro histórico, o Contarinhar reúne um concurso literário, com submissão de textos válida até 28 de fevereiro, e um encontro literário, a decorrer no último fim-de-semana de maio.

Aberto desde 17 de janeiro, o concurso admite a entrega de três poemas ou de textos em prosa poética, cada com o máximo de três páginas, segundo a formatação definida no regulamento, e abrange três categorias – uma para autores até aos 18 anos, outra para autores a partir dos 18 anos, sem obra até agora publicada, e uma outra para autores a partir dos 18 anos, com obra publicada. Os três primeiros classificados de cada categoria arrecadam prémios monetários. O júri é composto por cinco elementos.

Inserido no universo de projetos d’A Oficina apoiados com um valor total de 1,7 milhões de euros pelo Norte 2030, quadro operacional de financiamento da União Europeia em vigor, o Contarinhar visa essencialmente a promoção de um património “em vias de extinção”, avisa a diretora da cooperativa municipal para as artes tradicionais e o património, Catarina Pereira.

“O Contarinhar tem a ver com a promoção que temos de fazer. É um objeto em vias de extinção. Parte da imaginação que é movida pela simbologia que damos às coisas. Cada pessoa tem uma visão simbólica do mundo. A arte é a expressão simbólica do valor imaginativo que se dá às coisas”, vincou a responsável, durante a apresentação da iniciativa, decorrida no sábado.

 

Há uma cantarinha que vai circular por 12 casas

De acordo com o regulamento, os textos sobre a cantarinha têm de se enquadrar num de dois eixos: o da cantarinha como “metáfora do amor”, recuperando “a sua função histórica como presente de corte e mediador das relações amorosas”, ou o da cantarinha como “relicário cultural”, explorando a preservação de “saberes, técnicas e valores culturais” e o “diálogo entre tradição e reinvenção”.

“Isto também surgiu da necessidade de nos relacionarmos com atores locais. Espero que seja o primeiro movimento de relação entre a Oficina e a Rimas e Tabuadas, com esta tradição literária”, esclareceu Francisco Neves, diretor da área de Educação e Mediação Cultural d’A Oficina.

O responsável vincou ainda que o Contarinhar inclui uma proposta para a circulação de “uma cantarinha caminheira” por 12 casas do concelho de Guimarães, estando já abertas as candidaturas para as casas que as queiram receber; um dos propósitos é que as pessoas que as recebam depositem lá mensagens, posteriormente reveladas durante o encontro literário. “A ideia é criar um fio que passa umas às outras”, assinalou.

Por parte da livraria Rimas e Tabuadas, Sílvia Lemos realçou que o encontro literário agendado para 30 e 31 de maio de 2026 não visa somente a promoção dos textos distinguidos, mas também o encontro entre todos os envolvidos “no mundo do livro”, desde livreiros a ilustradores. “Queremos dar uma narrativa diferente aos encontros literários a que estamos habituados. A ideia é criar um itinerário em que, a partir da cantarinha, há uma identidade cultural, para tornar o indivíduo em comum com outros”, salientou.

A apresentação contou igualmente com o presidente d’A Oficina, que enalteceu o projeto como exemplo da capacidade para captar fundos das instituições de financiamento, “um caminho a seguir”, e como exemplo de aproximação ao território. “Se calhar, usamos demasiadas palavras que estamos muito preocupados com o território, mas temos muito poucas práticas. Queremos que essas práticas apareçam efetivamente. Estamos a criar condições para que haja um certo desassossego de espírito em Guimarães e não só”, frisou.

Protagonista da última versão, a vereadora municipal para a cultura referiu que o Contarinhar promove “um discurso de amor em contraponto a um discurso mais agressivo” que vigora na contemporaneidade, num “território diversificado com mais de 130 nacionalidades”. “Seria muito interessante, deste concurso literário, fazer chegar a cantarinha a quem chegou à menos tempo. E também partilhar este desafio com os vimaranenses espalhados pelo mundo, tendo em conta as memórias que pode trazer. A cantarinha pode reforçar esta parte da identidade de ser vimaranense em partilha com os outros”, sublinhou.

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