Guimarães espera receber 74 mil participantes em nove dias de MIMO
Habituado a reunir artistas consagrados, talentos emergentes e nomes locais, o MIMO vai reunir Tricky e Daddy G, dos Massive Attack, nomes consagrados do trip-hop britânico, no mesmo palco em que vão atuar o pianista Pedro Emanuel Pereira, os Amigos das Concertinas de Gominhães e os Unsafe Space Garden, banda vimaranense que brindou os presentes na conferência de imprensa de apresentação do evento com “duas cantigas e meia”.
As dezenas de concertos da primeira edição do MIMO em Guimarães vão decorrer entre 3 e 5 de julho, com entrada gratuita, mas o evento começa antes, a 27 de junho, com várias outras atividades. A estimativa da Câmara Municipal de Guimarães é que a cidade reúna 74 mil participantes durante os nove dias, 18.500 dos quais visitantes. “Cada novo visitante que chega para ver o MIMO é alguém que descobre Guimarães. A cidade ganha na hora, mas também no futuro. Temos a esperança de captar novos visitantes, novos estudantes, novos investidores e, quem sabe, novos residentes”, frisou o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, durante a apresentação.
O autarca estimou um impacto económico direto entre seis e 10 milhões de euros na hotelaria, restauração, comércio e serviços, à boleia daquele que espera que seja “o melhor festival MIMO organizado no país”. Convencido de que Guimarães deve ter “uma programação mais exigente e diversificada no tempo”, nas dimensões cultural, turística e recreativa, Ricardo Araújo disse querer “voltar a fazer de Guimarães uma cidade que está na moda”.
“Tenho defendido que Guimarães não pode limitar-se a ser admirado pela sua história. Essa história tem de ser motor de futuro. Tem de gerar vida, talento. Queremos mais turistas e mais visitantes, que possam ter um tempo de estadia maior em Guimarães. Isso ajuda a dinamizar o comércio e a economia locais”, disse.
O presidente da Câmara referiu-se ainda o MIMO, festival criado em 2004, na cidade pernambucana de Olinda, no nordeste do Brasil, como “um projeto maduro a nível cultural e económico”, capaz de “atrair valor e deixar dinheiro” no território. “No ano em que o festival assinala uma década em Portugal, Guimarães assume-se como uma cidade capaz de atrair grandes eventos”, frisou.
Já a diretora artística do festival, Lu Araújo, realçou que Guimarães e o MIMO combinam “há muito tempo”, pelo que a escolha da cidade-berço não se deu por acaso. “É uma cidade que valoriza o seu património, mas também se projeta com ambição para o futuro. O Mimo não chega apenas para ocupar espaços. Chega para dialogar com as pessoas e a cidade”, disse.
O investimento da Câmara Municipal de Guimarães para receber o MIMO é de 600 mil euros, conforme se pode verificar no portal Base.gov, onde se encontra a formalização do contrato com a empresa Memories and Heritage Artes.
“Predicados para entrar na Champions League deste tipo de eventos”
Também presente na conferência de imprensa de apresentação do Mimo Guimarães, o presidente do Turismo Porto e Norte de Portugal realçou que Guimarães, ao atrair o Mimo, tem potencial para aumentar a pernoita de turistas no território, após um 2025 com mais de 403 mil dormidas e mais de 225 mil hóspedes e um início de 2026 em crescimento.
“Não é uma aventura fácil, mas Guimarães tem todos os predicados para entrar na Champions League deste tipo de eventos e ganhá-la”, salientou Luís Pedro Martins.
O responsável vincou que a prioridade de entidades como o TPNP é a de, no limite, “ajudar a economia local”, tendo enaltecido Guimarães como uma das bandeiras de uma região com 21 mil quilómetros quadrados, com atrativos em várias dimensões.