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Guimarães teve propriedades que eram para sempre. Um projeto estuda‐as

Tiago Mendes Dias
Ciência & Tecnologia \ terça-feira, maio 21, 2024
© Direitos reservados
Sociedade Martins Sarmento recebeu, em 11 de maio, o Vinculum, projeto da Universidade Nova de Lisboa que estuda as propriedades que se perpetuavam a partir do fundador, entre os séculos XIV e XVII.

Um vínculo “extremamente interessante” em Guimarães era o dos Mirandas, considera Maria de Lurdes Rosa, investigadora em história medieval da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa; na rua das Flores, que existiu no lado poente do Largo da Misericórdia, quem se agarrasse às duas argolas de ferro situadas em cada lado da porta principal da casa dos Mirandas tinha “direito de refúgio”. “Não podia ser preso pela polícia”, resume. Esse era um dos privilégios do morgado fundado por Gil Lourenço de Gomide, em 1430, cuja cabeça era a Quinta de São Miguel, em São Clemente de Sande. 

Esse morgado consta da base de dados do Vinculum, projeto de história e arquivística da FCSH, que começou em 2019 e termina no final deste ano. Financiada por uma bolsa do Conselho Europeu de Investigação, a investigação coligiu até agora documentação referente a mais de sete mil vínculos instituídos em Portugal entre os séculos XIV e XVII – morgados ou capelas –, 34 deles em Guimarães. “Guimarães é uma terra de imensos vínculos. Havia nobreza, havia elites ligadas ao comércio, elites ligadas à administração”, descreve a investigadora.

A equipa de investigadores do Vinculum promoveu, a 11 de maio, a iniciativa “À descoberta dos morgados e capelas de Guimarães”, uma entre várias para dar a conhecer “uma forma de organização social extremamente disseminada” em Portugal Continental, nos Açores, na Madeira, em Cabo Verde, na qual “a propriedade era conservada na família, desde o fundador até ao fim do mundo”. Não podia ser vendida, portanto. “A certa altura, no século XIV, as famílias mais ricas começam a reservar parte dos seus bens e a dizer que não podem ser vendidos, nem divididos”, detalha a historiadora.

Abolidos em 19 de maio de 1863, durante a Monarquia Constitucional, os vínculos ainda deixam marca na paisagem nortenha. “A maior parte das casas nobres, pequenas capelas, solares está relacionada com vínculos”, frisa Maria de Lurdes Rosa.

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