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Eurodeputada Isabel Carvalhais defende política comum europeia na floresta

Tiago Mendes Dias
Ambiente \ sexta-feira, abril 21, 2023
© Direitos reservados
Na Penha, a representante lusa no Parlamento Europeu defendeu que é preciso melhorar a “qualidade da floresta” na Europa, num “equilíbrio” entre rentabilidade económica e sustentabilidade ambiental.

Entre 2014 e 2020, a União Europeia investiu cerca de oito mil milhões de euros no restauro de zonas agroflorestais - montados, lameiros, zonas de silvicultura – através do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER), e a eurodeputada Isabel Estrada Carvalhais considera possível ir ainda mais longe no trabalho a fazer para melhorar a “qualidade da floresta”. A seu ver, é “importante” desenvolver um quadro comum aos 27 Estados-Membros para a política florestal.

“As florestas são tradicionalmente do âmbito da decisão nacional. Nos tratados da UE, não está prevista qualquer política comum para as florestas, mas é muito importante que se desenvolva um quadro comunitário, um quadro comum, que ajude não apenas na conservação e na proteção, mas também no restauro das florestas”, defendeu, na Penha, no âmbito da segunda edição da Vitrus Talks. Até agora, a UE lançou estratégias para a floresta em 1998, 2013 e 2021.

Para a eurodeputada eleita pelo PS, o principal problema da Europa quanto às florestas não é a desflorestação; a área florestal até cresceu 9% nos últimos 30 anos. É a sua “qualidade”, que se tem “degradado por via do despovoamento”. A política para a floresta exige, por isso, atenção à relação entre natureza e ser humano, vinca: “Os sistemas agroflorestais são fundamentais para uma sustentabilidade ambiental e um retorno económico para as pessoas”.

Uma das causas para essa degradação e, em parte, para os incêndios que têm lavrado no verão é o abandono das zonas agroflorestais. Por isso, ao ser questionada sobre a necessidade de se substituir eucaliptos por espécies autóctones, Isabel Estrada Carvalhais assinalou o dilema em torno desse “modelo mais sustentável e racional”.

“Quando não há viabilidade económica imediata de biomassa, podemos ter despovoamento. As pessoas acham que essas soluções são as mais rentáveis, mas têm impacte ambiental profundo (…) Depois gera-se um dilema entre não ter esse retorno e ter mais despovoamento, mais desertificação e abandono do mundo rural, o que só agrava os problemas da floresta”, lembrou.

A eurodeputada alertou, porém, que as florestas da Rede Natura 2000 estão, regra geral, “em muito mau estado de conservação” – a área com “estado razoável de conservação” nessa rede fica-se pelos 14%. E observou também o impacto da UE na desflorestação a nível mundial. “O consumo e a necessidade de produtos para a indústria têm um impacto em 10% da desflorestação no mundo”, referiu.

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