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JpG e PS com visões diferentes do saldo de 36 milhões que transita de 2025

Tiago Mendes Dias
Política \ terça-feira, fevereiro 17, 2026
© Direitos reservados
Ricardo Costa crê que a verba desmistifica as críticas de anos anteriores relativas ao PS ser um “partido de boys”. Ricardo Araújo diz que é uma verba normal e rejeita críticas às empresas municipais.

A Câmara Municipal de Guimarães aprovou, na reunião de segunda-feira, a inclusão do saldo transitado de 2025 no Orçamento Municipal para 2026. Inicialmente cifrado em 220 milhões de euros, o Orçamento passa a incluir o saldo do exercício municipal anterior de 2025, que ascende a 36 milhões de euros.

O tema foi discutido pela vereação, com Ricardo Costa, candidato do PS às Autárquicas de 2025, a defender que a Lei do Financiamento Local deveria ser alterada para garantir a inclusão do saldo do exercício anterior assim que o Orçamento para um determinado ano é apreciado, discutido e votado.

O socialista defendeu ainda que a transição dessa verba para 2026 comprova o rigor com que o executivo anterior, liderado por Domingos Bragança, geriu a Câmara e lembrou as críticas passadas da coligação Juntos por Guimarães (PSD/CDS-PP) à alegada colocação de vários elementos do PS nos vários cargos municipais.

“O PS foi acusado por muitos anos de ser o refúgio de boys do PS. A única empresa municipal com presidente remunerado era a Vimágua. Agora todas têm presidentes remunerados. O argumento foi o da profissionalização. Eu fui presidente de uma empresa municipal, não fui remunerado e fui profissional até ao fim”, disse, apontando baterias a “alguns protagonistas que transitaram de jornais para empresas municipais”.

Ricardo Costa criticou ainda a atribuição de 350 mil euros à comunicação a partir dos 36 milhões que transitaram de 2025 para 2026. “Temos visto uma Câmara com um mediatismo exagerado e alguns membros que pertenciam a órgãos de comunicação social a irem para empresas municipais”, disse.

 

Ricardo Araújo: “É de quem não percebe nada de finanças públicas”

Confrontado com as críticas de Ricardo Costa, o presidente da Câmara Municipal defendeu que a transição de saldo do orçamento anterior é “algo habitual, regular, que acontece todos os anos”. "No ano anterior, tinha sido de 40 milhões de euros. Este saldo é importante para que se possa executar, em 2026, toda a atividade normal do município. (…) " Qualquer ilação de que esse dinheiro foi deixado pelo Partido Socialista para o município é de quem não percebe nada de finanças públicas", disse Ricardo Araújo aos jornalistas, após a reunião.

O autarca eleito pela coligação JpG defendeu que verba só transitou para 2026 porque não foi executada em 2025. “A transição de saldo de um ano para o outro significa que não se cumpriu no ano anterior tudo aquilo que estava planificado”, disse. Ricardo Araújo crê, portanto, que esse saldo transitado está longe de significar “boa gestão”, embora reconheça que, em orçamentos com a dimensão do da Câmara de Guimarães, é “natural que não se execute tudo” num só ano.

Questionado ainda sobre o alegado aumento de despesas com comunicação e sobre a política adotada para as empresas municipais – todas elas têm agora presidente executivo remunerado -, o presidente da Câmara disse que as verbas para comunicação distribuídas por vários departamentos e divisões foram concentradas numa única verba para tornar “mais visível, mais claro, mais transparente” a despesa em cada uma das áreas. "Várias divisões tinham despesas com comunicação. Depois é muito mais difícil perceber quanto se está a gastar com comunicação”, justificou.

Quanto às empresas municipais, Ricardo Araújo frisou que o PS devia “corar de vergonha” quando opta por “falar de boys” e justificou a introdução dos presidentes executivos a tempo inteiro, a “grande alteração” na orgânica do setor empresarial local, como sendo “a única forma de responsabilizar totalmente a pessoa que exerce o mandato e exigir resultados”. De resto, a coligação Juntos por Guimarães optou por uma transição moderada, disse.

“Substituímos as administrações das empresas municipais, conforme é legítimo que cada executivo municipal o faça, depois de vencer as eleições. Fizemo-lo com transparência total, respeito e moderação. Há pessoas que reconduzimos nas administrações das empresas municipais que são insuspeitas do ponto de vista político-partidário. E nomeámos pessoas novas, como é evidente”, referiu.

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