Manta ibero-americano via África do Sul ocupa jardim do CCVF em setembro
Setembro é um mês de recomeços no local de trabalho, na escola… ou no jardim do Centro Cultural Vila Flor (CCVF). Se a meteorologia ajudar, o tapete verde que ladeia o palácio e os auditórios será o aconchego de mais uma edição do Manta, festival ao ar livre que, desde 2008, marca a rentrée do calendário cultural em Guimarães.
Os dois primeiros concertos realizam-se em 11 de setembro, uma sexta-feira, com Mar Pujol a subir ao palco a partir das 21h30 para levantar o véu do seu segundo álbum, “D’aquesta aigua no en beuré”, com saída prevista para outubro, a coincidir com o início da sua nova digressão.
“Acompanhada pela violoncelista Bruna González, que também assegura as vozes de apoio, a atuação ao vivo expande a sua paisagem sonora com delicadeza e profundidade, oferecendo uma experiência que convida o público a abrandar, a escutar e a deixar-se guiar por aquilo que está em constante mutação”, lê-se na nota relativa ao seu espetáculo, visível no site do CCVF.
Uma hora depois, Leo Middea apresenta-se ao público vimaranense como “uma das vozes mais solares e prolíficas da nova música popular brasileira (MPB)”, que já conta sete discos de estúdio, o último dos quais “Notícias de Puglia”.
“Mais do que um registo geográfico de um artista em constante movimento, Notícias de Puglia revela-se um álbum de profunda entrega emocional. Nele, Leo Middea desacelera o ritmo do mundo exterior para mergulhar numa busca por liberdade interna e na necessidade vital de reconexão com as suas origens cariocas”, lê-se, a propósito de um concerto que antecede o DJ set de Corleone Jr., a encerrar a noite.
No sábado, Bongeziwe Mabandla expressa o “caminho singular” que tem trilhado, a fundir inovação eletrónica e soul mais profunda, transcendendo “fronteiras e barreiras linguísticas”.
“Após o sucesso global de amaXesha (destacado pelo jornal inglês The Guardian) e de uma estrondosa digressão mundial que esgotou salas de Londres a Nova Iorque, Mabandla inaugura agora um novo e ambicioso capítulo com o lançamento de Ndingubani (2026). O álbum — amplamente aclamado pela crítica internacional como uma obra-prima de vulnerabilidade, misticismo e maturidade artística — expande o seu universo sensorial ao acompanhar cada faixa com uma peça visual dedicada”, lê-se.
Depois da atuação do músico sul-africano, às 21h30, haverá palco para Milhanas, detentora de uma voz inconfundível, “profundamente influenciada pela densidade dos escritores portugueses”, onde se detetam as influências do jazz, do gospel e da música contemporânea. “O seu álbum de estreia, De Sombra a Sombra (2023), explora os desafios da alma, sem nunca se render totalmente à tristeza. Na música de Milhanas habitam temas como “Eu de Prosa”, uma vénia ao fado e ao simbolismo de Amália Rodrigues. Nomeada para Melhor Intérprete nos Globos de Ouro de 2024, a aclamação consolidou o seu lugar como uma das vozes mais promissoras da atualidade, sentimento reforçado pelo sucesso do single “Algo Mais””, refere a nota do CCVF.
Pelo meio, haverá um espetáculo – “Até cantar dá trabalho” -, criado por Luís Pedro Madeira e Catarina Moura como expressão da música enquanto realidade indissociável de ofícios ancestrais. “Quando o trabalho dá muito trabalho e os braços se queixam de cansaço, a voz inventa-lhe cantigas. Uma espécie de abracadabra para acompanhar o ceifar, o fiar, o aboiar, o recolher a rede, o partir o rochedo. Duas magias em vez de uma só! São essas cantigas que aqui se cantam, histórias afinal da vida do pão, que é lavra e sementeira colheita e debulha, entre a chuva e o fogo, entre a fome e a barriga cheia”, lê-se na nota de apresentação. O espetáculo está marcado para as 17h00 de sábado e será antecedido pela oficina “Assim juntos dá menos trabalho”, às 11h00 de sábado.
A entrada em todos os momentos é gratuita. No caso da oficina, é exigida inscrição prévia.