skipToMain
ASSINAR
LOJA ONLINE
SIGA-NOS
Guimarães
07 abril 2026
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

MAPA voltou com “posicionamento forte na comunidade artística vimaranense”

Tiago Mendes Dias
Cultura \ terça-feira, abril 07, 2026
© Direitos reservados
Entre 27 e 29 de março, Astronauta organizou oitava edição da sua mostra de artes performativas. Presidente da associação, Luís Canário Rocha, vinca que o evento está “a cimentar-se de ano para ano”.

A oitava edição da Mostra de Artes Performativas da Astronauta (MAPA) começou com teatro para crianças no Dia Mundial do Teatro, 27 de março, e encerrou com teatro mais direcionado para adultos, no dia 29, nos Espaços Criativos de Brito. Pelo meio, reuniu teatro, música e um jantar-instalação com migrantes residentes em Guimarães que apresentaram alguma da gastronomia dos seus países de origem. Concluído o evento, o presidente da associação, Luís Canário Rocha, crê que a inciativa está “a cimentar-se de ano para ano”.

“Felizmente, tem um posicionamento forte na comunidade artística vimaranense. Os artistas e a comunidade que usufrui da cultura já sabe o que é a MAPA. Cada vez mais procura aparecer, estar presente e participar. É um legado associativo que vai crescendo de ano para ano, de pessoas que se juntam para dar de si e fazer coisas. A força da MAPA é um coletivo muito assente nos seus associados, que fazem um esforço enorme para que isto se realize todos os anos", disse, ao Jornal de Guimarães.

A 27 de março, uma sexta-feira, o coletivo Fértil Cultural, de Vila Nova de Famalicão, apresentou “Os grandes não têm grandes ideias”, em duas sessões, reunindo cerca de 300 crianças no total, da EB1 de Casais e do Centro Social de Brito. “Houve anos em que íamos às escolas apresentar os espetáculos, mas preferimos trazê-las aqui. (…) Nota-se já um grande comprometimento para que isto aconteça todos os anos”, realça o dirigente associativo e artista.

A mostra prosseguiu no dia 28, na Fábrica da Madroa, com a performance “Lost Signal”, protagonizada por Simão Barros, da cooperativa Carb, o jantar-instalação que reuniu gastronomia de Itália, Brasil, Nepal e Turquia e o concerto da bielorrussa Katerina L’Dokova e de Francisco Nogueira, com “melodias tradicionais da Bielorrússia, Ucrânia e Portugal que atravessaram gerações e fronteiras, a par de composições sem raiz nenhuma”. Esse concerto decorreu na black box do Centro para os Assuntos de Arte e Arquitetura (CAAA), assim como o dj set de Patisol.

No dia 29, a mostra encerrou com a apresentação de “A dúvida”, uma peça de teatro com interpretação a solo de Francisco Leite Silva, que se havia estreado em 21 de novembro de 2025 no Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima.

 

“É sempre especial” atuar na sala dos Espaços Criativos

O soalheiro domingo de 29 de março abriu as portas a uma peça bem sombria em torno de Dinis Castro e Mendonça, um homem que atira para as mulheres da sua vida as suas desditas, enquanto se ilude com a visão de um escritor que publicou um bestseller, num exercício de narcisismo e autodestruição. Francisco Leite Silva dá vida ao personagem num solo de uma hora que constitui “A Dúvida”.

“Foi um processo difícil. Contava a alguns amigos que, no início do processo, cheguei muitas vezes a pensar desistir, porque estão concentrados neste personagem os piores defeitos, as maiores aberrações. Sempre que pegava no texto, no início do processo, dizia que não queria fazer. Foi um processo doloroso. Felizmente, tive pessoas que me acompanharam”, admitiu o intérprete, que também foi responsável, a par de Luís Canário Rocha, pela encenação do texto escrito por Helena Mendes Pereira.

Natural de Brito, o ator com mais de 30 anos de carreira, que participou em “A grande serpente”, peça na génese do Teatro Oficina, estreada em 1994, reconhece que atuar no edifício que outrora serviu a GNR lhe dá “uma energia especial”, embora a sala já necessite de obras. A seu ver, o espaço é crucial para uma vila que, por muitos anos, esteve “parada em termos culturais” e que dispõe agora de uma série de associações a dinamizá-lo.

É preciso, todavia, continuar o esforço para atrair mais público para o teatro, arte performativa à qual ainda se encontra alguma resistência, considera. “Apesar de já estarmos aqui há alguns anos, ainda sentimos alguma dificuldade em trazer o público para o teatro, mesmo o público da vila. Conseguimos, com mais facilidade, trazer público de Guimarães para cá do que gente da freguesia. Mas é um trabalho contínuo", vinca, após atuar para mais de meia centena de espetadores.

Podcast Jornal de Guimarães
Episódio mais recente: #131 - O BRT e três projetos interrompidos pelo executivo de Ricardo Araújo