Movimento VSC lamenta ordem das AG e quer esclarecido acordo com V Sports
O movimento “Vencer, Sentir, Crescer”, liderado por Viriato Sampaio, candidato às eleições do Vitória SC realizadas em 13 de junho, expressa “perplexidade” perante a decisão de submeter à votação a transmissão de 17% do capital da SAD à V Sports antes da apresentação, discussão e votação do relatório e contas referente à época 2025/26, lamentando o “incumprimento estatutário” na marcação da assembleia geral ordinária, marcada para 6 de novembro, na qual será discutido e votado o relatório e contas.
Em comunicado, o movimento VSC afirma ter esperado que o presidente da direção, Rui Rodrigues, e o presidente da mesa da assembleia geral, Luís Filipe Silva, tivessem “o bom senso de corrigir as irregularidades e os sucessivos desacertos que têm marcado este processo”, antes de mostrar a “profunda discordância com a convocação da assembleia geral ordinária para 6 de novembro”, ultrapassando o prazo de 31 de outubro expressamente estabelecido nos estatutos do Vitória SC, mais concretamente no artigo 28.º.
“Consideramos grave e inaceitável este incumprimento estatutário e demarcamo-nos expressamente da calendarização adotada. A ausência de correção, apesar do tempo disponível, revela, no nosso entendimento, uma preocupante desvalorização da gravidade destas decisões e das suas consequências para a credibilidade institucional e os interesses do Vitória Sport Clube”, lê-se num comunicado que frisa ainda que os estatutos “não são facultativos”, sendo o seu cumprimento “uma obrigação de todos os órgãos sociais, sem exceção”.
A AG ordinária vai realizar-se uma semana depois da assembleia geral extraordinária de 30 de outubro, em que está prevista a votação da venda de 17% das ações da SAD detidas pelo clube à V Sports, entidade que já detém 29% do capital social e que tenciona restabelecer os 46% que já deteve em 2023. Para o movimento VSC, a inversão da sequência de prestação de contas e tomada de decisões, particularmente numa “matéria com consequências estruturais para o futuro do Vitória Sport Clube”, é “profundamente inadequada”.
“A V Sports é acionista da SAD, não do clube, e não lhe compete definir as prioridades da vida associativa do Vitória Sport Clube. É particularmente difícil compreender que a direção tenha aceitado uma sequência que, na prática, contribui para relegar a prestação de contas aos associados para uma data posterior ao prazo estatutariamente estabelecido”, lê-se.
O movimento exige, assim, que o presidente da direção, Rui Rodrigues, esclareça publicamente se “a prioridade concedida à operação constituiu uma condição previamente negociada com a V Sports e quais os fundamentos que levaram a direção a aceitá-la”.
Para o grupo encabeçado por Viriato Sampaio, a direção tem ainda a obrigatoriedade de explicar, com “a necessária antecedência”, todos os elementos essenciais da operação, nomeadamente o preço, as condições contratuais, as contrapartidas, os compromissos assumidos e o impacto financeiro, patrimonial e societário para o Vitória.
“Exigimos igualmente a disponibilização da proposta contratual que será submetida à apreciação da Assembleia Geral, incluindo os respetivos anexos e todas as cláusulas com impacto nos direitos do Clube, na governação da SAD e nos compromissos financeiros presentes ou futuros, salvaguardando apenas a informação cuja confidencialidade seja legalmente exigível e devidamente fundamentada”, lê-se.
As três sessões de esclarecimento que antecedem a AG extraordinária podem “constituir um instrumento complementar de diálogo”, mas “não podem ser apresentadas como garantia suficiente de transparência” da operação, nem substituem “a obrigação de disponibilizar informação concreta, rigorosa e documentalmente sustentada aos associados”.
“A transparência não se esgota em explicações verbais, nem pode ficar dependente da disponibilidade dos sócios para comparecerem a determinadas sessões. A informação deve estar acessível a todos os associados, independentemente da sua presença nessas iniciativas, através da divulgação atempada dos documentos relevantes, das condições concretas da operação e dos respetivos fundamentos económicos e estratégicos”, vinca o movimento.
Por outro lado, o “Vencer, Sentir, Crescer” regista com satisfação a inclusão da proposta de realização de uma auditoria económico-financeira independente à Vitória SC – Futebol, SAD na ordem de trabalhos da AG ordinária e apela aos associados que compareçam às duas reuniões magnas.
“Apelamos a todos os associados do Vitória Sport Clube para que se informem, acompanhem atentamente este processo e compareçam nas próximas Assembleias Gerais, exercendo de forma livre, consciente e esclarecida o seu direito de voto. Estão em causa procedimentos pouco claros e decisões de enorme importância, com consequências irreversíveis que poderão marcar o futuro do Vitória durante muitos anos”, lê-se.