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O rock é resistência, mas não foge à apropriação. E isso ouve-se em palco

Redação
Cultura \ quarta-feira, março 09, 2022
© Direitos reservados
O rock, som que “ajudou a gerar movimentos”, é dissecado em palco. A sonoridade de "resistência", que não fugiu à apropriação pelo capital, é protagonista na coprodução d'A Oficina. Estreia dia 12.

Bruno Martins e o Teatro da Didascália fazem-nos um convite: escutar. Afinal, somos convidados a embarcar numa jornada musical pelos meandros do rock desde os anos 50 até à atualidade. Mas pede-se mais do que mera escuta. Pede-se o ouvido “como uma ferramenta de resistência”, explica o dramaturgo, encenador e intérprete Bruno Martins. É que nesta “reivindicação” do rock enquanto forma de resistência: é que muito do que vamos ouvir no dia 12, quando o “Soundcheck” subir ao palco do CIAJG, foi “instrumentalizado pelo marketing e transformado em mais uma ferramenta do capital para gerar lucro”.

Num sucedâneo de performances, "Soundchek" é uma viagem pela história do rock: som que “ajudou a gerar movimentos”, mas não escapou às sucessivas tentativas de instrumentalização pelo “poder”. O espetáculo tem dramaturgia, encenação e interpretação de Bruno Martins, assistência de encenação de Cláudia Berkeley e composição musical e interpretação de Pedro (Peixe) Cardoso e Susie Filipe. O texto a encenar já estava escrito antes da Europa revisitar o passado bélico.

“De repente parecia quase premonitório tendo em conta algumas questões que abordamos. Abordamos uma parte relacionada com o pós-guerra, quando surge o rock, não sabíamos que estávamos na iminência de uma guerra na Europa. Há questões transversais”, explica Bruno Martins no final do ensaio de imprensa realizado no CIAJG.

De relevar também o repto lançado pela direção artística d'A Oficina ao Teatro da Didascália para uma colaboração no lançamento de um programa às mãos da Educação e Mediação Cultural d'A Oficina junto da Escola Básica Egas Moniz, em Guimarães, com o objetivo de desafiar os alunos de uma das turmas da escola a juntar-se ao elenco e a “viajar” até aos bastidores deste espetáculo. Ao longo de cinco sessões de trabalho, os alunos partilharam gostos e referências musicais com o objetivo de dar a conhecer a sua voz coletiva. O trabalho desenvolvido nesta oficina resultou num tema musical que se vai fazer ouvir numas das récitas do espetáculo em Guimarães.

Fizemos uma pesquisa acerca do que é que os alunos do 8.º ano ouviam, o que os pais ouviam e iniciamos um trabalho de escrita com eles, o que é que queriam gritar ao microfone”, refere. Esta banda recém-formada virá agora a palco “dizer o que tem a dizer”.

Esta coprodução d'A Oficina será apresentada ao público em geral no dia 12 de março (16h), bem como nos dias 10 e 11 de março (10h30 e 15h30) em sessões para escolas e instituições de Guimarães.

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