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A fechar 2023, A Oficina abre portas às várias culturas que habitam o berço

Tiago Mendes Dias
Cultura \ terça-feira, setembro 05, 2023
© Direitos reservados
Guimarães é casa de cerca de 100 nacionalidades, e o programa para o último quadrimestre bebe dessa realidade. Música e dança povoam o CCVF, enquanto o Teatro Oficina entra em fase de espetáculos.

O outono vimaranense é tempo de Guimarães Jazz, um dos maiores eventos dessa expressão artística no país, de Mucho Flow, referência nacional entre os festivais de música alternativa e emergente, ou, num âmbito mais local, da Mostra de Amadores de Teatro. A cooperativa A Oficina reata a programação de artes performativas com a Manta sobre o jardim e celebra, ainda em setembro, o aniversário do Centro Cultural Vila Flor, a principal âncora dos eventos de música, dança e teatro com a sua chancela.

O último quadrimestre de 2023 distingue-se, porém, pela crescente sensibilidade d’A Oficina para a diversidade de culturas que habita o território vimaranense, palpável em eventos prévios – o GUIdance e os Festivais Gil Vicente deste ano. Em “Primeiros Encontros”, uma das iniciativas que consta da programação entre setembro e dezembro, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) abre as portas às narrativas, aos mapas e às artes dos imigrantes vimaranenses, que perfazem uma população com cerca de 100 nacionalidades. Esses encontros decorrem em novembro, aos sábados, a partir das 11h00. “Vamos ter um coletivo de artistas chileno a apresentar um momento de conversa no CIAJG”, adianta o diretor da equipa de Educação e Mediação Cultural (EMC) da Oficina.

Francisco Neves vê esta iniciativa como exemplo de “inclusão, aprendizagem e diversidade”. A Casa da Memória, por exemplo, tenciona abrir as portas uma vez por semana para os imigrantes partilharem as danças dos seus países de origem, mas esse esforço para “democratizar a cultura” ultrapassa a relação aqueles que nasceram em Guimarães e os que adotaram a cidade-berço para darem um novo rumo às suas vidas. O espetáculo “Uma ideia de justiça”, proposto por Joana Providência e pelo Teatro do Bolhão, será exibido na black box do CIAJG entre 25 e 31 de outubro para as escolas e instituições e no dia 28 de outubro para o público geral, com três performers que falam e que interpretam esses diálogos em Língua Gestual Portuguesa. O público dispõe ainda de audiodescrição.

O responsável da EMC destaca ainda o trabalho realizado com a Associação de Surdos de Guimarães e Vale do Ave e ainda com a Associação de Surdos de Apoio a Surdos de Matosinhos, bem como as formações aos professores para as artes performativas nas escolas, já impulsionadas graças ao projeto Mais 3, e os colóquios com Hugo Cruz sobre participação cívica e comunitária, em 11 de outubro.

Guimarães vive uma “alteração de paisagem a nível sociológico”, com habitantes de outras nacionalidades e outras sensibilidades que polvilham o território, e a apresentação de “Campo Força Chama”, uma performance concebida por Josefa Pereira, artista brasileira radicada em Lisboa, é um desses exemplos de inclusão de outras matrizes culturais, que não “a eurocêntrica”, adianta o diretor artístico da Oficina para as artes performativas. O Manta é outro, com Tristany, Lura, Aline Frazão e Nancy Vieira, a atuarem nos jardins do CCVF em 08 e 09 de setembro. “A cidade integra novas nacionalidades. Este programa do Manta é uma visão menos eurocêntrica da cultura e mais mesclada. Isso é matéria de trabalho para nós. Guimarães vai mudar muito nos próximos cinco anos sociologicamente. Em 2024, isso vai-se perceber na programação da Oficina”, vinca Rui Torrinha. A coreografia “Onde está o relâmpago que vos lamberá as vossas labaredas”, de Joana von Mayer Trindade e Hugo Calhim Cristóvão, marcada para 25 de novembro, e “As Castro”, peça de Raquel Castro marcada para 15 de dezembro são outros espetáculos que marcam a agenda do CCVF, além dos eventos que preenchem o 18.º aniversário do equipamento, assinalado em 17 de setembro, do concerto de The Cinematic Orchestra, em 28 de outubro, e da atuação de Jazzanova, em 16 de dezembro.

 

Memórias gravadas no gesto, no pano, na pedra

Na Avenida D. João IV, o Teatro Oficina (TO) lança-se para um quadrimestre repleto de espetáculos. Além de “Ensaio Técnico”, peça escrita e encenada pelo seu diretor artístico, exibida entre 04 e 07 de outubro no Espaço Oficina, a companhia propõe “A missa acabou”, de Ana Sampaio e Maia e Sérgio de Brito, em 13 de setembro, “Inserir imagem visualmente poderosa: aqui”, da vimaranense Anja Caldas, em 15 de novembro, e “Mulher de”, por Ana Mafalda Pereira.

Os três espetáculos resultam do programa de Criação Crítica, um dos eixos do TO, a par das Oficinas do Teatro Oficina, programa formativo com nova temporada entre outubro de 2023 e maio de 2024, e dos Encontros de Dramaturgia, com Patrícia Portela e Rui Pina Coelho, em outubro e em novembro. “É um desafio que só é possível vencer devido a uma equipa incrível. A ideia é dar continuidade aos programas que desenvolvemos na temporada passada”, reconhece Mickaël de Oliveira, encenador e dramaturgo.

A Casa da Memória, por seu turno, encerra 2023 com o lançamento da Veduta, uma revista que guarda as iniciativas realizadas por aquele equipamento ao longo do ano. A próxima centrar-se-á nos “Colóquios Simples”, iniciativa com a chancela de Alexandre Gamela relativa ao património ambiental que rodeia as populações. “Já tivemos três sessões em torno da sustentabilidade ambiental. O trabalho renascentista de Garcia de Orta deu-nos inspiração para trabalhar as ciências ambientais. Em 13 de outubro, é a sua última apresentação”, referiu a diretora daquele espaço, Catarina Pereira.

De resto, a Casa da Memória reúne iniciativas já conhecidas – os Domingos da Casa, referentes à olaria, e a formação no Bordado de Guimarães -, mas também “Remoinho”, uma iniciativa sobre os moinhos vimaranenses e a arte do fabrico do pão, em 11 de novembro. A Loja Oficina volta a explorar a ligação intelectual entre Alberto Sampaio e Antero de Quental em “Que te parece a impiedade?”, além de celebrar o aniversário do historiador vimaranense em 18 de novembro.

 

“Epicentro de arte e cultura na Europa”

Na primeira intervenção pública como diretor executivo d’A Oficina, Hugo Freitas disse ser “um orgulho enorme” comandar uma “equipa muito bem oleada” que “nunca deixou de se motivar” para continuar a fazer de Guimarães um dos três principais polos culturais do país, a seguir ao que oferecem Lisboa e Porto, e uma referência a nível europeu. “Cito uma publicação espanhola para dizer que A Oficina é um epicentro de arte e cultura da Europa. Queremos ser o epicentro de arte e cultura que temos sido nos últimos anos, na CEC e no pós-CEC”, realçou.

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