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“Pão, trabalho, lugares-comuns”: Outra Voz regressa com o Ave em fundo

Tiago Mendes Dias
Cultura \ sexta-feira, outubro 29, 2021
© Direitos reservados
Troca de cartas e entrevistas aos membros do coletivo originaram “Os que nele habitam”, filme-performance em estreia no domingo, no Vila Flor. É a primeira atuação ao vivo desde o início da pandemia.

A Outra Voz explora os universos vocais da música tradicional e das heranças orais há 12 anos, tendo nascido da área de comunidade da Capital Europeia da Cultura, e regressa às performances ao vivo no domingo. Depois de ter apresentado Sete há dois anos, uma criação sobre as várias formas de amor, em pleno Parque da Cidade, o coletivo estreia no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) às 21h30 de domingo Os que nele habitam, obra que reflete sobre as vivências dos cerca de 70 a 80 membros que estarão em palco. A “carga” do Vale do Ave, “positiva ou negativa”, está sempre presente; afinal esse é o território em que mais de 90% dos intérpretes sempre viveu, adianta o diretor artístico, Rui Souza.

“Para este filme, evocámos a energia que existe no Vale do Ave. Então dividimos o filme em três partes muito fortes: o pão, que vem da relação de trabalhar para comer e de comer para trabalhar, com um teor mais poético do que concreto, o trabalho, que vem da indústria têxtil, e os lugares-comuns que existem nas freguesias onde vivem as pessoas”, descreve, ao Jornal de Guimarães.

Essas dimensões do quotidiano dos membros da Outra Voz começaram a ser tratadas em maio de 2020, no fim do primeiro confinamento ditado pela pandemia, através de duas vias: “uma troca de cartas anónima a falarem sobre aquilo que faziam” e gravação vídeo de “depoimentos sobre a forma como as pessoas se estavam a sentir”. Esse processo de pesquisa originou 84 entrevistas e 20 horas de filmagem que serviram de inspiração ao que vai acontecer no domingo, ao longo de 50 minutos.

 

“O filme tem características abstratas, na medida que nos interessa, a mim e ao realizador Pedro Bastos, que as pessoas se apropriem cada uma da sua forma. Não é uma narrativa fechada. Damos muito espaço para que cada um possa tirar as suas ilações”, Rui Souza, diretor artístico

 

O espetáculo tem duas partes que vão contracenar entre si. Uma é o filme de Pedro Bastos, com direção musical de Rui Souza – inclui várias reinterpretações de música de tradição e dois temas novas –, que constitui uma “ficção” a partir das entrevistas, sem “narrativa fechada”, especifica. A outra é a performance em palco, com direção coral de Marisa Oliveira, Madalena Gonçalves e Guilherme Moreira e direção coreográfica de André Araújo, bailarino que “trabalha com as pessoas a parte do movimento”.

“Há cinema musicado ao vivo, mas pensámos que seria importante fazer uma contracena entre ficção e realidade, já que são eles que estão na tela. A Outra Voz já tem vindo a fazer esse tipo de trabalhos, embora o filme consiga viver por si. Para esta apresentação, decidimos fazê-lo desta forma. É um ótimo motivo para voltar ao ativo na plenitude”, adianta Rui Souza.

A “presença física dos participantes nos espetáculos” é sempre “importante" para a Outra Voz, complementa o coordenador do projeto artístico. Carlos Correia enaltece a “resiliência demonstrada pelos membros da Outra Voz durante o confinamento por se disponibilizarem a preparar este trabalho, vertido, por exemplo, na troca de cartas que fizeram.

O responsável afirma mesmo que iniciativas como a Outra Voz, “ponto de encontro de diferentes pessoas, de diferentes idades e de diferentes contextos”, são “mais essenciais do que nunca”; constituído como associação cultural em 2013, o projeto tem ensaios regulares em Lordelo, Nespereira, São Jorge de Selho, São Torcato e na União de Freguesias de Briteiros São Salvador e Briteiros Santa Leocádia, bem como na Academia de Bailado de Guimarães.

Os que nele habitam tem o apoio da Câmara Municipal de Guimarães, ao abrigo do regulamento de apoio à criação cultural, o IMPACTA, da Direção-Geral das Artes, através do programa Garantir Cultura, e de associações e empresas vimaranenses.

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