Permeabilidade e passividade deitam por terra aspirações do Vitória
O jogo ainda estava 0-0 quando Castillo se lançou à bola com a intenção de a agarrar, mas deixou-a escapar, cabendo a Miguel Nóbrega anular o 1-0 para o Estoril Praia em cima da linha de baliza, a remate de Alejandro Marqués, por volta do minuto 20. Por essa altura, Alioune Ndoye já visara por duas vezes a baliza estorilista.
Embora sem golos, os primeiros 25 minutos do desafio foram uma antecâmara do que estava para vir: perigo ao virar de cada arrancada de Saviolo ou de Camara ou então da finta curta ou do passe milimétrico de Guitane, um diabo à solta que o Vitória só conteve (em parte) nos primeiros 45 minutos, quando Gonçalo Nogueira teve segurança para fazer as dobras a um aflito João Mendes.
Os golos poderiam aparecer para qualquer equipa, a qualquer instante, e assim aconteceu: o Vitória vencia ao intervalo por 2-1, mas foi ineficaz no ataque e permissivo na defesa na segunda metade, acabando derrotado por 4-2. Se o Vitória triunfasse por 4-2, o resultado não seria estranho, face às oportunidades de que dispôs, mas o Estoril Praia foi globalmente melhor, com uma articulação entre meio-campo e ataque que a equipa de Luís Pinto nunca travou verdadeiramente. Ao longo dos 90 minutos, as movimentações da equipa de Ian Cathro garantiam, pelo menos, um jogador sempre solto para fazer o carrossel atacante funcionar.
Sem Beni Mukendi, o pêndulo do meio-campo vitoriano, com uma capacidade de recuperação e de retenção de bola que faria com que o jogo tivesse sido certamente diferente caso estivesse em campo, o Vitória apresentou-se no António Coimbra da Mota com Mitrovic a fazer dupla com Gonçalo Nogueira no meio-campo. O sérvio voltou a mostrar qualidade com bola – o seu golo de livre direto, para o 2-1, é de uma execução magistral -, mas nem sempre conseguiu preencher os espaços por forma a travar a ligação entre Holsgrove, João Carvalho, Guitane e Ricard Sánchez, que tornavam a ala direita estorilista particularmente perigosa. Depois de Samu inaugurar o marcador para os vitorianos num lance pleno de oportunidade, aos 27 minutos, o Estoril igualou dois minutos depois, beneficiando de um erro de Abascal na pressão sobre Guitane. Begraoui isolou-se e desferiu um remate cruzado imparável.
A segunda metade arrancou com ocasiões para o Vitória selar o 3-1, quer por Samu, quer por Mitrovic. Faltou eficácia e depois faltou solidez na defesa para conter a reviravolta estorilista, saída da ala direita, de um Guitane que deixou a cabeça em água a João Mendes. Os dois cruzamentos da direita tiveram correspondência à altura de Alejandro Marqués, em lances onde o dianteiro nunca teve oposição à altura na linha defensiva e onde Castillo hesitou nas abordagens, ficando a sensação de que poderia ter feito melhor.
O Estoril, por outro lado, dava espaços. Ndoye falhou uma ocasião clamorosa para igualar o marcador a três golos. A equipa de Ian Cathro viria a castigar essa ineficácia vitoriana pouco depois, num contra-ataque iniciado por um mau passe de Abascal. Isolado perante Castillo, Begraoui bisou, já depois de ter conseguido um hat-trick na ronda anterior, na goleada por 5-0 ao Estrela da Amadora.
A derrota na Área Metropolitana de Lisboa significou não apenas a perda de terreno para as equipas na luta pelas competições europeias, mas também a ultrapassagem do Estoril Praia, agora oitavo, com 26 pontos. Nono classificado no início da segunda volta, com 25 pontos, o Vitória enfrenta uma segunda volta a correr atrás do prejuízo. Essa perseguição ao objetivo dos cinco primeiros lugares é reatada na sexta-feira, no dérbi vimaranense com o Moreirense, sexto classificado, com 30 pontos.