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Pichagem na Torre da Alfândega merece repúdio geral da comunidade

Redação
Sociedade \ sexta-feira, outubro 30, 2026
© Direitos reservados
Câmara Municipal condenou vandalismo contra “herança histórica”, assim como várias associações e movimentos e ainda partidos políticos. Pichagem foi participada ao Ministério Público.

Na quinta-feira, Guimarães amanheceu com a inscrição, a vermelho, “Aqui morreu Portugal” no granito da Torre da Alfândega, única torre sobrevivente da muralha medieval, conhecida pela expressão “Aqui nasceu Portugal”. Removida no mesmo dia por trabalhadores da Vitrus Ambiente, a pichagem mereceu a condenação generalizada da comunidade vimaranense.

Órgão executivo máximo do poder local no concelho, a Câmara Municipal de Guimarães condenou de “forma veemente” o “ato de vandalismo perpetrado, na madrugada de 29 de outubro, contra a Torre da Alfândega, monumento nacional e um dos mais importantes símbolos históricos e identitários da cidade, onde se encontra inscrita a expressão «Aqui Nasceu Portugal»”.

“Atentar contra este património edificado é atentar contra a memória de todos os vimaranenses. A preservação da nossa herança histórica é um dever inegociável, não podendo este tipo de conduta ser tolerado”, lê-se no comunicado.

A autarquia vincou que “a desfiguração de um monumento e o desrespeito por um legado coletivo que atravessa séculos de História, pertence a todos os portugueses e cuja preservação constitui uma responsabilidade de toda a comunidade” merece o “mais firme repúdio da governação municipal”.

“A Câmara Municipal sublinha o seu compromisso intransigente com a salvaguarda do património material e cultural vimaranense, condenando qualquer comportamento que ponha em causa a sua integridade, autenticidade e dignidade, e continuará a agir com firmeza perante quaisquer atos lesivos do património coletivo, em nome de Guimarães, dos vimaranenses e da história de Portugal”, acrescentou.

O município esclareceu ainda que, “graças ao envolvimento de técnicos especialistas, que garantiram o recurso a métodos adequados à salvaguarda e integridade da pedra da muralha”, os trabalhos de restauro levados a cabo pela Vitrus Ambiente foram concluídos no final da manhã.

A Câmara participou o caso às autoridades policiais competentes para efeitos de investigação e apuramento de responsabilidades. A PSP, por sua vez, já participou o caso ao Ministério Público, adiantou esta sexta-feira o Grupo Santiago.

 

“Ato desrespeitou património de todos”

A Associação Veteranos Lanceiros de Portugal (AVLP), sediada no Convento de Santo António dos Capuchos, foi a primeira entidade a reagir ao sucedido, defendendo que “a liberdade de expressão não justifica atos de vandalismo, nem o desrespeito pelo património histórico e cultural”. Lembrou, aliás, que o Código Penal contempla o “crime de dano qualificado em determinadas circunstâncias, incluindo danos em monumentos públicos e bens culturais classificados ou em vias de classificação”. “Guimarães é o berço de Portugal. Vandalizar o seu património é desrespeitar a nossa história”, conclui a nota.

O movimento “Não dá mais”, responsável pela assembleia popular pelo direito à habitação que decorreu na terça-feira, no coreto da Alameda de São Dâmaso, também repudiou “veementemente qualquer ato de vandalismo contra o património histórico, cultural e material” da cidade.

“A Torre da Alfândega faz parte da história e da identidade de Guimarães. Desrespeitá-la é desrespeitar um património que pertence a todas e a todos nós. A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não pode ser confundida com a destruição ou a degradação do espaço público. (…) Guimarães é a nossa casa. A sua história, a sua beleza e o seu património merecem ser respeitados e preservados. Cuidar da nossa cidade é uma responsabilidade coletiva”, lê-se na nota publicada nas redes sociais.

Já o Núcleo Antifascista de Guimarães, também através das redes sociais, recusou “narrativas precipitadas e instrumentalizações políticas” quanto à inscrição que apareceu na Torre de Alfândega, em alusão a comentários nessas mesmas redes a insinuar que o vandalismo foi perpetrado por participantes da assembleia popular de terça-feira.

“Exigimos que todos os cenários e responsabilidades sejam rigorosamente apurados. Este ato ocorre num momento demasiado conveniente: exatamente quando a direita e os setores reacionários tentam reprimir o descontentamento social, desviar o foco da crise na habitação e do custo de vida, e justificar a implementação de videovigilância no centro histórico. Convirá perguntar a quem serve realmente esta provocação. Não seremos bodes expiatórios de manobras que pretendem justificar o controlo e a vigilância em massa da nossa comunidade”, lê-se.

 

Partidos pedem esforços para identificação dos autores

Através da página no Facebook “Chega – Guimarães. Rumo ao Futuro”, o partido Chega reagiu ao episódio, exigindo o apuramento dos responsáveis e as respetivas penalizações. “A Torre da Alfândega, símbolo de Guimarães e de Portugal, foi vandalizada como podem ver na foto abaixo. Sabemos quem utiliza este tipo de mensagens em monumentos nacionais. Temos visto muito disto nas televisões nos últimos dias”, lê-se.

Mais tarde, ainda na quinta-feira, o núcleo de Guimarães da Iniciativa Liberal reiterou que que a Torre da Alfândega é “um dos símbolos vivos da relação de Guimarães com a origem de Portugal”, tendo feito por, mais de sete séculos, da cerca muralhada que definiu a cidade, que “atos de vandalismo no património não podem ser normalizados”, nem “confundidos com a normal vivência democrática”.

“A Iniciativa Liberal apela a que sejam envidados esforços para a identificação e responsabilização dos autores. Endereçamos ainda um agradecimento aos trabalhadores da Vitrus, que iniciaram a limpeza, logo às primeiras horas da manhã”, conclui a nota.

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