skipToMain
ASSINAR
LOJA ONLINE
SIGA-NOS
Guimarães
20 junho 2024
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

De Oeste para toda a Guimarães, há um projeto para ajudar famílias em risco

Tiago Mendes Dias
Diversidade & Inclusão \ sexta-feira, abril 28, 2023
© Direitos reservados
Sediado em Leitões, o Ser+Família vai percorrer todo o território para atuar junto de famílias com crianças e jovens em risco, também ao domicílio. Saúde mental influencia problemas de cariz familiar.

A Comissão Social Interfreguesias Oeste é a base, mas o Ser + Família planeia atuar em todo o concelho de Guimarães, assim que lhe sejam indicadas “situações de risco psicossocial em crianças e jovens e respetivas famílias”.

“A nossa sede principal é a União de Freguesias de Leitões, Oleiros e Figueiredo [em Leitões], na CSIF Oeste, mas o nosso trabalho é itinerante. Trabalhamos nas 11 CSIF que constituem o nosso município. Essas famílias com crianças e jovens em risco são-nos reencaminhadas pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens”, afirma Tânia Salgado, presidente da Associação de Defesa dos Direitos Humanos de Guimarães (ADDHG), entidade a cargo do projeto apresentado esta sexta-feira.

Financiada pelo Prémio BPI Fundação La Caixa Solidário, a iniciativa promete fazer um diagnóstico às famílias sinalizadas, detetar “lacunas” na vida familiar e tentar “colmatá-las”. “Temos famílias em que é necessário trabalhar a gestão económica, a gestão da rotina familiar, a parentalidade. Temos famílias que precisam de apoio psicológico, não só crianças e jovens, mas também adultos”, especifica a responsável.

Esse trabalho pode-se realizar “no contexto domiciliário”, com os elementos do Ser + Família a “ajustarem-se aos horários das famílias”. “Se temos um casal que sai às 18h00, não vamos pedir-lhes para que percam uma tarde de 15 em 15 dias. Não é fácil manter um emprego e prejudicar o orçamento familiar”, sugere. Tânia Salgado refere, aliás, que a deslocação à sede do projeto teria, para famílias vimaranenses em áreas mais distantes, “um custo muito alto”.

A equipa da ADDHG, que dispõe de três pessoas a tempo integral e oferece ainda apoio psicológico e jurídico, está assim preparada para “fazer quilómetros”, num “trabalho em rede”, que tem como parceiros a Câmara Municipal de Guimarães, a CPCJ de Guimarães, o CAFAP do Centro Juvenil de S. José e a CSIF Oeste e conta ainda com o apoio da Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha Portuguesa. “Podemos fazer atendimentos em sedes de outras instituições. Já fazemos muitos atendimentos na Cruz Vermelha. Temos uma sala e, quando temos necessidade, fazemos o pedido”, indica.

 

Saúde mental na raiz dos problemas familiares

Os riscos para crianças e jovens derivam, em parte, dos problemas de saúde mental em contexto familiar, sobretudo após a pandemia de covid-19, indica Tânia Salgado. “Cada vez mais temos pais e famílias que sofrem constantemente de ansiedade, da pressão do dia a dia, de depressões. Os problemas de saúde mental trazem outros problemas: conflitos, divórcios, uma comunicação menos assertiva, ansiedade superior, mais discussões, mais violência”, enumera.

Os problemas familiares podem-se refletir em problemas do dia a dia escolar – “violência no namoro, discriminação, bullying” -, pelo que a presidente da ADDHG defende formação sobre estas questões desde “tenra idade”. “Torna-se essencial a formação desde as mais tenras idades, para se trabalhar a questão não só com as crianças, mas com toda a comunidade. As crianças vão para casa e replicam o que aprenderam na escola”, reitera.

Podcast Jornal de Guimarães
Episódio mais recente: O Que Faltava #73