skipToMain
ASSINAR
LOJA ONLINE
SIGA-NOS
Guimarães
24 junho 2024
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

Só 7% do PRR do Minho cabe diretamente a Guimarães. Coligação “preocupada”

Tiago Mendes Dias
Economia \ quinta-feira, janeiro 12, 2023
© Direitos reservados
Apesar de haver mais verbas alocadas ao concelho, via ensino superior e consórcios, como notou Domingos Bragança, o social-democrata Ricardo Araújo vinca “fracasso” da Câmara na política económica.

A coligação Juntos por Guimarães expressou “preocupação” e “inquietação” perante a verba que o Plano de Recuperação e Resiliência, programa de apoio ao crescimento económico decretado pela União Europeia na sequência da pandemia, a ser executado até 2026, reserva a Guimarães.

Na sequência de uma consulta ao portal Mais Transparência, onde é visível a aplicação de vários fundos públicos, verifica-se que, dos 530,9 milhões de euros reservados aos distritos de Braga e de Viana do Castelo – compõem a região Minho -, apenas 7,4% desse montante contempla diretamente o território vimaranense.

Segundo a contabilidade incluída nesse portal, Guimarães apresenta-se como o quarto município que mais recebe do PRR, depois de Braga – 274 milhões de euros (51,7%) do total –, de Vila Nova de Famalicão – 90,6 milhões (17,1%) -, e de Viana do Castelo – 55,2 milhões (10,4%).

“Temos vindo a dizer que Guimarães tem perdido centralidade na esfera regional e competitividade. Este é mais um exemplo do fracasso da política económica do Partido Socialista nos últimos 10 anos”, defendeu o vereador Ricardo Araújo. Para o social-democrata, este programa indicia a projeção dos territórios num prazo de 10 a 20 anos e o seu “futuro coletivo”, tendo pedido “algumas medidas urgentes”.

Uma delas é a criação da agência para o desenvolvimento económico, como tem vindo à tona nas mais recentes intervenções do presidente da Câmara, Domingos Bragança. Ricardo Araújo criticou aliás o autarca por, nos últimos oito anos, ter delegado o pelouro do desenvolvimento económico a Ricardo Costa, agora presidente da concelhia socialista, a quem atribui quota-parte da responsabilidade pelo falta de resultados que considera existir.

“Nos últimos oito anos, este presidente delegou o pelouro ao vereador que, nos últimos dois mandatos, foi o rosto dessa área, o rosto deste fracasso na política económica. Só agora o presidente da Câmara assumiu essa responsabilidade. Só agora a Agência para o Investimento e Desenvolvimento Económico vem ao de cima, algo de que já falamos há muito tempo”, reitera.

Se se fizer a contabilidade à verba que cabe aos municípios, mas por habitante, Guimarães sai ainda mais inferiorizado nas verbas que arrecada: se se contabilizarem as populações municipais ao abrigo do Censos 2021, o território vimaranense recebe 250,1 euros, em contraponto com os 1.417,2 euros de Braga, os 678,2 euros de Famalicão e o 643,4 de Viana do Castelo.

Além disso, Ricardo Araújo mostrou-se preocupado com a tipologia do principal investimento que cabe a Guimarães, em contraponto com os de Braga e de Vila Nova de Famalicão. Se em Braga, o projeto com maior financiamento é o New Generation Storage - 111,4 milhões de euros -, destinado à reciclagem de baterias, com contributo do Laboratório Ibérico de Nanotecnologias (INL) -, e em Famalicão o Be@t, destinado à indústria têxtil e do vestuário, com 23 empresas da área, oito delas de Guimarães, o projeto vimaranense com maior financiamento é o da via do Avepark (12,6 milhões de euros).

“Em Guimarães, o principal projeto é a via do Avepark: cimento, betão, naturalmente com o objetivo de facilitar a acessibilidade e a comunicação. Já nem falo da qualificação da importância ou do erro dessa estrada: sete quilómetros, por meio de reservas agrícolas e ecológicas”, vinca.

 

Tecido empresarial “muito forte”, mas de pequenas empresas, diz Bragança

Confrontado com a “preocupação” do PSD, Domingos Bragança frisou que o PRR está projetado para apoiar “grandes ou muito grandes” empresas, mas que a economia vimaranense se faz sobretudo de pequenas e médias empresas: são cerca de 14.000 as firmas que operam no concelho, frisou.

“As mais pequenas precisam de se apresentar em consórcios. Não quer dizer que as empresas de Guimarães não estejam nesses consórcios. O conjunto das empresas de Guimarães beneficia do PRR”, disse o presidente da Câmara, após Ricardo Araújo se ter mostrado desagradado com o facto de o concelho andar a “reboque” e não a liderar.

O autarca vincou ainda que Guimarães pondera a agência para o investimento e precisa de incorporar a ciência da Universidade do Minho e do politécnico (IPCA) naquilo que produz, tendo lamentado as estatísticas imprecisas – as do Pordata, por exemplo -, que mostram Guimarães como concelho sem estudantes universitários.

Podcast Jornal de Guimarães
Episódio mais recente: O Que Faltava #73