PS nota ausência de “uma das três altas figuras de Estado” no início da CVE
A abertura de Guimarães 26 – Capital Verde Europeia foi alvo de elogios e regozijo por parte da representação do PS e da coligação Juntos por Guimarães no executivo municipal, salvo uma questão: a ausência do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República ou do Primeiro-Ministro na cerimónia de abertura.
Antes do período da ordem do dia da reunião quinzenal, o vereador socialista Sérgio Silva manifestou reconhecimento pelos momentos vividos no arranque da CVE, um desígnio levado a cabo pelo executivo anterior, liderado pelo socialista Domingos Bragança, mas que mereceu “um largo consenso” em articulação com a então oposição, que incluía o agora presidente da Câmara, Ricardo Araújo.
Sérgio Silva deixou ainda votos de que Guimarães possa “estar diferente” no final de 2026, “não só apenas do ponto de vista físico e estrutural, mas sobretudo ao nível da consciencialização coletiva para a importância da defesa” do ambiente, mas lamentou a ausência de um dos políticos que integra o principal trio de figuras de Estado: no caso, Marcelo Rebelo de Sousa, José Pedro Aguiar-Branco ou Luís Montenegro.
"Não podemos deixar de sublinhar que esta é uma enorme distinção não só para Guimarães, mas também para Portugal. Neste sentido, e sem qualquer desconsideração por todos os que marcaram presença, entendemos que, no arranque destas comemorações, se impunha a presença de, pelo menos, uma das três altas figuras do Estado. Guimarães é hoje Capital Europeia e merecia essa importância e esse reconhecimento", disse.
“Responsáveis da União Europeia positivamente surpreendidos”
Confrontado com esse apontamento do PS, o presidente da Câmara vincou que o Estado esteve muito bem representado pela ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, figura com reconhecimento académico na área. "Estivemos muitíssimo bem representados com a presença da senhora ministra do Ambiente, com grande valor e reconhecimento internacional, na sua dimensão política, mas também pelo seu currículo. Ao longo deste ano, vamos ter oportunidade de ter as três maiores figuras do Estado português. Foi um grande arranque da CVE", disse Ricardo Araújo.
O autarca realçou que Guimarães passou “uma mensagem de grande força” no fim-de-semana, pelo envolvimento da comunidade. “Além de ser extraordinário do ponto de vista artístico, foi também extraordinário por envolver a nossa população. Sempre que a comunidade se envolve, Guimarães passa uma mensagem de grande força. Os responsáveis da União Europeia estavam positivamente surpreendidos pelo que viram. Nós gostamos do espetáculo. Já não ficamos surpreendidos com aquele envolvimento, porque já sabemos como a cidade é", disse.
Sem querer “mostrar méritos” que não são seus, numa alusão ao trabalho desenvolvido pelos executivos de Domingos Bragança até à distinção de CVE, Ricardo Araújo disse que o seu executivo quer introduzir o seu cunho no programa que se desenrola ao longo do ano e sublinhou que a CVE não pode pertencer apenas às elites políticas ou académicas. Tem de ser apropriada pela comunidade.
"Mais importante do que ficar um edifício ou uma pedra, é esta questão da apropriação coletiva de termos dado no final deste ano mais um passo para que todos tenhamos consciência de que o futuro de Guimarães tem um chão comum, algo de transversalmente aceite e consciencializado: a preocupação com a defesa do ambiente e a sustentabilidade", referiu.
Essa visão passa por isso pela defesa do ambiente, de “mãos dadas com a qualidade de vida das pessoas”. “Quero uma cidade verde, sustentável, mas com gente cá dentro, com gente a habitar, a estudar e a visitar", resumiu.