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PSD e Câmara trocam culpas quanto à falta de financiamento ao CIAJG

Tiago Mendes Dias
Política \ quarta-feira, junho 29, 2022
© Direitos reservados
Em Assembleia Municipal, Emídio Guerreiro disse que o Governo socialista tem falhado. Paulo Lopes Silva lembrou a rapidez com que, em 2013, se fechou a fundação que poderia garantir os fundos.

A falta de financiamento do Estado ao Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) emergiu no debate sobre os 10 anos do equipamento cultural, em reunião do executivo municipal e, nesta terça-feira, em sessão ordinária da Assembleia Municipal de Guimarães.

Presidente do grupo parlamentar do PSD no órgão deliberativo, Emídio Guerreiro vincou que o financiamento àquele espaço, “justamente reclamado pelo município de Guimarães”, enquanto obra associada à Capital Europeia da Cultura de 2012, só se deu num ano – 300 mil euros em 2018. Por comparação, o Centro Cultural de Belém (CCB), criado aquando da CEC de Lisboa, em 1994, já recebeu mais de 11 milhões de euros anuais do Estado, e a Casa da Música, edifício emblemático da CEC 2001, no Porto, 9,4 milhões em 2020.

“Apenas num ano o financiamento foi resolvido. Gostaríamos de saber se esse Governo maravilhoso que tudo ia resolver. Este Governo prometeu isto e aquilo, mas o dinheiro que faz pagar as contas e suportar as programações não apareceu”, proferiu o deputado municipal.

 

“Benvindos ao bairrismo bacoco”

Incumbido de assumir a função de presidente da Câmara Municipal em exercício, fruto das ausências de Domingos Bragança, em Lisboa para reuniões com membros do Governo, e da vice-presidente Adelina Paula Pinto, em Bruxelas, para uma reunião da plataforma Eurocities, Paulo Lopes Silva assumiu-se satisfeito “por ver o PSD assumir uma preocupação” que, em 2014, apelidava de “bairrismo bacoco”, quando o grupo do PS na Assembleia Municipal fazia a mesma reivindicação. “Benvindos ao nosso bairrismo bacoco”, disse.

O número três do executivo municipal lembrou que a abertura da Rede Nacional de Arte Contemporânea vai garantir financiamento aos “museus da área”, entre os quais o CIAJG, embora a solução não satisfaça inteiramente a autarquia. “Esta solução coloca-nos em pé de igualdade, mas este museu foi feito a pedido do Ministério da Cultura para uma CEC”, assinala.

Membro da comissão de acompanhamento da Capital Europeia da Cultura, o agora vereador da Cultura e do Turismo lembra que a Câmara pagou então a CEC com “fundos disponibilizados pela CCDR-Norte”, que o Governo de então, da coligação PSD/CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho, “tanto dificultou que chegassem a Guimarães”.

Paulo Lopes Silva criticou ainda o encerramento da Fundação Cidade de Guimarães em 2013, logo após a conclusão da CEC. É através de fundações que o CCB e a Casa da Música são financiadas pelo Estado, algo que também poderia “garantir financiamento” mais rápido a Guimarães.

 

“Só havia dinheiro para dois meses de salários”

Emídio Guerreiro reconheceu que a “grande falha” após a CEC foi não conseguir “salvaguardar o equipamento para o investimento futuro”, mas lembrou a falta de liquidez do Estado, motivada, a seu ver, pela governação socialista de José Sócrates, para justificar as decisões tomadas.

“Desde 2010, começou-se a cortar salários e pensões. Em 2011, Teixeira dos Santos [ministro das Finanças de José Sócrates] disse que só se podia pagar dois meses de salários e pensões à função pública. Salvou-se a Capital Europeia da Cultura, porque era não só importante para Guimarães, como para o país”, disse.

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