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Reitor da UMinho pede mais financiamento e lembra problemas do alojamento

Tiago Mendes Dias
Ciência & Tecnologia \ sábado, fevereiro 17, 2024
© Direitos reservados
Na sessão solene dos 50 anos, Rui Vieira de Castro frisou que o Orçamento do Estado vale 43% das receitas. A situação atual dificulta, a seu ver, renovação de infraestruturas e de corpo docente.

Realizado o cortejo académico evocativo da criação da Universidade do Minho, precisamente ocorrida há 50 anos, no mesmo local onde este sábado foram celebrados – o salão medieval do Paço Arquiepiscopal de Braga -, o reitor subiu ao púlpito e lembrou que a estrutura de financiamento vigente no ensino superior é um obstáculo ao seu progresso. Rui Vieira de Castro ilustrou essa afirmação com números, vincando que, dos 198 milhões de euros do orçamento da instituição para 2024, 85,2 provêm do Orçamento do Estado (OE); essa verba corresponde a 43% do total.

“Um dos obstáculos importantes é o financiamento do ensino. “É imperativo resolver desequilíbrios no financiamento das instituições, que as privam de condições para um planeamento estratégico adequado”, referiu, no seu discurso. Alguns dos eixos mais afetados são a renovação das infraestruturas físicas e pedagógicas, bem como a renovação do corpo docente.

O responsável admitiu, porém, o papel positivo da ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, em tornar “mais transparentes e justos” os critérios de financiamento das instituições. “As relações estiveram estruturadas por contratos de legislatura. É uma prática que merece ser aprofundada, pelo que representou de reforço de confiança”, acrescentou.

Com uma menção aos “riscos que as democracias liberais correm”, tendo a Universidade do Minho um papel na afirmação de "uma sociedade mais aberta, mais inclusiva, mais justa e mais democrática”, o reitor alertou que o “alojamento estudantil permanece fragilidade que pode afastar muitos jovens do Ensino Superior”. As residências universitárias projetadas para a antiga Fábrica Confiança, em Braga, e para a antiga Escola de Santa Luzia, em Guimarães, estão em fase de elaboração do projeto; no caso vimaranense, o gabinete Vítor Hugo, do Porto, venceu o concurso, tendo, em 10 de agosto, assinado um contrato para a execução do projeto, mediante uma verba de 115 mil euros e um prazo de execução de 140 dias, segundo o portal Base.Gov.

 

Universidade erguida num “referencial inovador e arrojado”

Rui Vieira de Castro enalteceu, por outro lado, a crescente “valorização social do Ensino Superior”, refletida na “complexificação do tecido social, económico e cultural”, e a “efetiva transformação da região e do país” proporcionada por uma universidade erguida num “referencial inovador e arrojado”, que atribuiu até agora “mais de 90 mil diplomas de grau”, contribuindo decisivamente para a mudança “do perfil de qualificação da população”.

Com uma chamada de atenção para a presença da UMinho em várias redes de universidades, a nível da eurorregião Norte e Galiza, a nível ibérico ou a nível europeu, o responsável máximo pela instituição lembrou ainda que 2023 foi ano de reforço do “compromisso com a ciência aberta” e assinalou a inauguração de algumas infraestruturas, nomeadamente em Guimarães, com o supercomputador Deucalion, em Azurém, no ano passado, e o TERM Research Hub – Instituto Cidade de Guimarães, novo equipamento do Instituto de Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos (I3B’s), sediado no Avepark.

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