Rui Rodrigues deseja “ciclo de crescimento, estabilidade e afirmação”
Ao assinar o auto da tomada de posse dirigido pelo presidente cessante da mesa da assembleia-geral (MAG), Rui Rodrigues tornou-se o 25.º presidente do Vitória Sport Clube, segundo a informação veiculada na cerimónia desta sexta-feira, no Centro Cultural Vila Flor.
Cumprida a formalidade que empossou ainda Luís Filipe Silva como presidente da MAG, Rui Castro Dias como presidente do conselho fiscal e Ana Margarida Teixeira como responsável pelo conselho de jurisdição, o novo presidente vitoriano discursou pela primeira vez enquanto tal, agradeceu os sócios que se dirigiram às urnas no sábado e a todos os candidatos que garantiram um número recorde de listas a sufrágio – quatro –, antes de prometer a entrada num novo ciclo.
“Hoje damos o primeiro passo para entrar num novo ciclo de crescimento, de estabilidade e de afirmação, com a humildade de saber que só vamos conseguir alcançar os nossos desígnios se todos estivermos unidos em prol de um único objetivo: o sucesso do Vitória Sport Clube. A partir de hoje não há, para mim, qualquer divisão: avançaremos lado a lado, como um só, com espírito de unidade”, realçou, diante de um plateia que incluía representantes da lista B – Júlio Vieira de Castro e
A prioridade maior desse ciclo é o sucesso desportivo do futebol profissional, “motor competitivo da instituição”, que se deseja alimentado pelos escalões de formação, “uma vantagem estratégica decisiva, cada vez mais preponderante”. O crescimento da vertente feminina é outra dos desígnios: a intenção é “criar uma estrutura cada vez mais competitiva, capaz de se afirmar entre as referências nacionais da modalidade”. As modalidades, enquanto “importante veículo de proximidade à comunidade”, querem-se “cada vez mais fortes e sustentáveis”.
Convencido de que é preciso preparar o Estádio D. Afonso Henriques e a academia existente para uma nova era, enquanto espaços “mais modernos, funcionais e sustentáveis”, que proporcionem “uma experiência superior aos sócios e adeptos”, o dirigente vinca que a academia é “um projeto estruturante para o crescimento” vitoriano.
Defensor de “uma gestão orientada para resultados, sustentada em informação rigorosa, controlo da despesa, valorização dos ativos do clube e reforço da sustentabilidade financeira”, o presidente recém-empossado vê também o Vitória SC como “património social, cultural e humano dos vitorianos de Guimarães e de todos os vitorianos espalhados por Portugal e pelo mundo” e considera que o clube deve promover iniciativas que “beneficiem ativamente a sociedade e que o aproximem de todos, sem distinções”, através da Fundação Vitória. “Será o instrumento central da intervenção social do clube e uma ferramenta essencial para reforçar o papel do Vitória Sport Clube como agente ativo na transformação social da cidade e da região”, frisou.
Presidente cessante da MAG: “Vitória existe para servir uma causa maior”
Os presidentes empossados dos restantes órgãos realçaram a necessidade de se impor um clima de confiança no seio do Vitória e de promover a união entre os sócios. O novo presidente do conselho fiscal realçou que o órgão não existe para “criar obstáculos”, mas para “contribuir com independência e responsabilidade” para o funcionamento do clube. “Pretendemos trazer confiança interna, junto dos órgãos sociais, e confiança externa, junto dos sócios. Queremos reforçar uma cultura de transparência”, disse Rui Castro Dias.
Já Ana Margarida Teixeira, reeleita para o órgão que assumira em 2025, vincou que o “engrandecimento do clube se faz pela retidão e pelo trabalho”, tendo prometido defender “a legalidade e o bom nome do Vitória”. “Este conselho tem uma função modesta na sua formulação, mas exigente na sua prática. A isenção não se proclama, mas demonstra-se, mesmo quando implica contrariar pressões ou exigências de ocasião”, disse.
O novo presidente da Mesa da Assembleia-Geral, Luís Filipe Silva, agradeceu o trabalho da direção cessante, disse que, enquanto líder do Conselho Vitoriano, procurou servir de “forma recatada”, mas “sempre atenta” o clube, enalteceu Célia Magalhães como a primeira mulher a assumir um cargo diretivo no Vitória, referindo que “as mulheres serão sempre chave de crescimento do Vitória no futuro”, e lembrou que o “quarto maior clube associativo nacional”, com 15 modalidades e quase dois mil atletas, é “um grande embaixador da região e de Portugal”, que tem “o dever de potenciar uma relação próxima” com os vários clubes das redondezas.
O dirigente reconheceu ainda a necessidade de levar aos sócios “um novo texto estatutário” e enalteceu a honradez de João Henrique Faria, o presidente cessante do órgão. “Não hesitarei em recorrer ao teu conselho quando entender necessário”, disse.
Na sua última intervenção como presidente da MAG, João Henrique Faria vincou que o órgão foi “imparcial e justo” nos procedimentos adotados para as eleições e lamentou que a sua integridade fosse mal tratada em praça pública por uma das listas – a candidatura de Viriato Sampaio levantou dúvidas sobre os resultados e pediu uma recontagem –, dirigiu-se a António Miguel Cardoso, considerando-o “um grande presidente”, e lembrou a necessidade de o Vitória promover a inclusão e a integração, num tempo em que vê esses valores a perderem-se no desporto e na sociedade.
“Lembro o artigo número dois dos nossos Estatutos, uma norma tantas vezes esquecida e relegada para a valeta: o Vitória Sport Clube tem como objetivo engrandecer e prestigiar o desporto português e representar Guimarães através das modalidades desportivas a que se dedicar, fomentando um relacionamento fraterno entre os seus associados e uma prática desportiva que alie um permanente aperfeiçoamento técnico a uma conduta social saudável, pautada por padrões da mais elevada exigência ética. O Vitória existe para servir uma causa maior do que qualquer individualidade ou circunstância”, defendeu.