Savi(g)olo marcou, jogou e fez jogar numa entrada em 2026 com pé direito
Tudo o que foi perigo criado pelo Vitória no primeiro jogo de 2026 teve uma marca inconfundível: irrequieto desde o apito inicial, Saviolo participou em todas as ocasiões de golo criadas frente ao Nacional, quer na primeira parte, mais apagada por parte da equipa trajada de branco, quer na segunda, onde a equipa de Luís Pinto elevou o nível para entrar no novo ano com o pé direito. Contas feitas, o belga inaugurou o marcador e assistiu para o golo de Abascal no triunfo por 2-1 sobre os madeirenses, na 17.ª jornada da Liga Portugal Betclic.
Em óbvio crescimento desde o início da temporada, principalmente desde que esteve na origem do decisivo penálti em Tondela, o ala de 21 anos protagonizou nesta sexta-feira a exibição com mais brilho pela equipa principal do Vitória, que até começou o encontro disputado perante 13.955 espetadores no Estádio D. Afonso Henriques com notórias dificuldades.
Carência notada nos três jogos anteriores, Beni Mukendi voltou ao meio-campo do Vitória SC, mas nem esse regresso valeu à equipa de Guimarães para protagonizar uma primeira parte assertiva. A equipa treinada por Luís Pinto quis assumir a iniciativa atacante, mas simplesmente não o conseguiu fazer. Ciente da dificuldade dos dois centrais do Vitória em conduzir a bola, a formação orientada pelo aniversariante Tiago Margarido concentrou a pressão sobre o meio-campo vitoriano, cortando linhas de passe a Abascal e a Nóbrega, muitas vezes obrigados a uma circulação de bola estéril com os laterais.
Miguel Maga e João Mendes também sentiram problemas em transportar o esférico em ataque organizado. Os lances mais perigosos do Vitória SC na primeira parte surgiram de contra-ataques, aliás: um cruzamento de Miguel Maga em que Matheus Dias impediu o desvio final a Saviolo, aos sete minutos, e a tentativa de chapéu de Nélson Oliveira, a falhar o alvo aos 29 minutos.
Pior do que a escassa produtividade ofensiva, o Vitória descompensava-se quando perdia a bola no meio-campo adversário. O Nacional arrancou para alguns contra-ataques em superioridade numérica, mas sem proveito. De regresso a Guimarães, Jesus Ramírez esteve no epicentro da principal oportunidade de golo nos primeiros 45 minutos, mas atirou por cima na recarga, após remate de Paulinho Bóia para defesa incompleta de Castillo.
Luís Pinto operou uma mexida ao intervalo. Retirou Samu, muito suscetível à pressão do Nacional, com várias perdas de bola comprometedoras, e colocou Diogo Sousa, que se notabilizara pela boa entrada frente ao Sporting. A alteração funcionou. A pressão tornou-se desde logo mais intensa, o que ajudou o Vitória a fixar-se no meio-campo insular. O passo seguinte no assalto à baliza de Kaique deu-se com a entrada de Camara para o lugar do apagado Arcanjo e com a mudança de Saviolo para a ala direita. O corredor ganhou vida, primeiro com o apoio de Maga e depois com o de Strata, e o falhanço de outro recém-entrado, Ndoye, aos 68 minutos, foi prenúncio para o golo inaugural. O golo apareceu como o esperado culminar do ascendente vitoriano, da forma mais inesperada possível.
Saviolo admitiu, no final do jogo, que queria cruzar quando desferiu um cruzamento com o pé direito e a bola sobrevoou Kaique, até bater no poste e beijar as redes. A equipa irrompeu num frenesim para festejar com o belga. Nas bancadas, festejava-se e respirava-se de alívio, após 45 minutos iniciais de inquietação, refletidos em vários assobios à equipa.
Em vantagem, o Vitória manteve-se confortável. Não se limitou a dar a posse de bola ao Nacional, continuou a olhar para a baliza adversária e, depois do golo anulado a Saviolo, voltou mesmo a marcar, por Abascal, que subiu à área, para rematar com violência contra Kaique, num lance em que o guardião brasileiro foi mal batido.
O Nacional ainda tinha uma carta na manga para devolver a incerteza ao desafio – um remate de Laabidi à entrada da área em que Castillo poderia ter feito melhor -, mas os três pontos permaneceram em Guimarães. O Vitória é assim o sexto classificado da tabela, à condição, com os mesmos 25 pontos que tinha na época passada pela 17.ª jornada, mas um plantel profundamente remodelado, onde Saviolo se projeta cada vez mais como o rosto mais visível de uma aposta em jogadores jovens com margem de evolução.