“Se for eleito e me recandidatar, farei novamente campanha. Não vou fugir”
Embora acalente o sonho do título nacional de futebol em seniores masculinos, o candidato da lista A reconhece que esse é um desígnio pouco exequível até 2028. Ainda assim, deseja um Vitória com mais títulos, sócios e património ao longo dos próximos três anos, se for eleito. A venda do naming do Estádio D. Afonso Henriques, a criação de uma marca própria de equipamentos ou a criação de uma fundação para ação social, educação e cultura são propostas de um candidato que espera voltar à rua em 2028, ao contrário do opositor, que, a seu ver, está a fugir ao debate.
Que outras propostas para a divulgação da marca Vitória?
Há várias coisas a fazer. Uma delas é apostar nas lojas do Vitória, apostar no merchandising que se vende nas lojas do Vitória. É inconcebível não haver material das modalidades à venda nas lojas.
Ainda há margem para tornar o Estádio D. Afonso Henriques mais rentável? Além do naming tem outras ideias?
O naming do Estádio é uma questão a ver. Se o Vitória se associar a uma grande empresa, pode conseguir. O nome D. Afonso Henriques é inegociável. Aí, não há hipótese de mexer. Mas se uma grande empresa se quiser associar, podemos avançar. Dou um exemplo que não vai acontecer: “Estádio D. Afonso Henriques Microsoft”. Não me aborreceria. “Estádio D. Afonso Henriques Coca-Cola”. Há boas empresas portuguesas, marcas de prestígio, que, bem trabalhadas, poder-se-ão associar. Ainda não tenho empresas em vistas, mas, por questões financeiras, é importante o Vitória negociar rapidamente o naming do estádio. Outra ideia para potenciar a marca Vitória é a seguinte: vivemos na região da indústria têxtil. Temos a Universidade do Minho, uma universidade prestigiada, com excelentes professores e laboratórios. Uma das ideias que tenho é ver como estão os equipamentos do Vitória. A minha equipa tem a perspetiva da marca própria de equipamentos, desenhada na Universidade do Minho, em ligação com o marketing do clube. Depois serão produzidos por empresas têxteis da região, que permitam ao Vitória ter a sua própria linha de equipamentos, de qualidade, bonitos e muito mais baratos do que a obscenidade que hoje se pede não só no Vitória, mas na generalidade dos clubes. As grandes marcas que têm equipado o Vitória cobram uma obscenidade. Aproveitam-se da paixão dos adeptos para venderem a preços obscenos material desportivo que não vale aquele dinheiro. Vendendo mais barato, o Vitória pode vender muito mais. Uma camisola por 30 a 35 euros é um preço mais que justo, desde que tenha qualidade.
Onde se pode ir mais longe no reforço dos laços com sócios e comunidade?
O Vitória tem dado muito à comunidade e a comunidade tem dado muito ao Vitória. É evidente que a nossa aspiração passa por ter ainda mais sócios. Não vou dizer que vamos aumentar o estádio. Nem sei se é possível aumentá-lo, na zona onde está inserido. Tenho a aspiração de, à semelhança do que acontece com muitos clubes europeus, criar uma fundação Vitória SC, voltada para a ação social, para a cultura e para a educação. Através dos mecenas associados e dos fundos europeus que uma fundação pode ir buscar, o Vitória pode oferecer à comunidade serviços diferentes e ajudá-la a aproximar-se do Vitória.
“As grandes marcas aproveitam-se da paixão dos adeptos para venderem a preços obscenos material desportivo que não vale aquele dinheiro. Vendendo mais barato, o Vitória pode vender muito mais. Uma camisola por 30 a 35 euros é um preço mais que justo, desde que tenha qualidade”
Como vê a relação do Vitória com as principais instâncias do futebol português. Ao longo desta época, tem-se visto uma postura de confronto. Defende também esse confronto ou uma postura diferente?
Sendo eleito, vou herdar uma situação. A situação que vou herdar é esse apoio que o Vitória resolveu dar ao Nuno Lobo. O Vitória nem sequer se devia ter metido nisso. As eleições da FPF dizem muito mais respeito às associações, embora os clubes tenham os seus delegados na assembleia geral. São poucos e não são decisivos. O Vitória, ao pronunciar-se numa matéria em que não era chamado a pronunciar-se, comprou um barulho desnecessário. A minha lista não tem responsabilidade nisso. O compromisso que assumo é que o Vitória trabalhará com quem ganhar a Federação. Questão diferente é a Liga. Aí, o Vitória tem de ter uma palavra a dizer na constituição da próxima direção da Liga, para fazer valer o critério de ser um clube histórico, o quarto com mais participações no campeonato e nas assistências. Na Associação de Futebol de Braga, desde o presidente Gil Mesquita, o Vitória tem vindo a perder paulatinamente influência. É preciso recuperá-la. Nas modalidades em que compete, o Vitória tem de ter um papel nos órgãos dirigentes. Temos de fazer valer o nosso peso e história.
“O Vitória trabalhará com quem ganhar a Federação [Pedro Proença foi eleito presidente em 14 de fevereiro]. Questão diferente é a Liga. Aí, o Vitória tem de ter uma palavra a dizer na constituição da próxima direção da Liga, para fazer valer o critério de ser um clube histórico”
Tem criticado o papel das redes sociais no âmbito da sua candidatura? Crê que a forma como as pessoas se têm expressado quanto a si nas redes sociais o atrasa nesta corrida? Em algumas das publicações da lista, não têm permitido comentários? Como vê esse alegado ruído?
Sou um participante ativo nas redes sociais. Tenho Facebook desde 2009. Tenho um blogue, que já não se usa muito, e continuo a escrever nele desde 2006, Twitter desde 2008. Tenho milhares de textos publicados no meu Facebook e muitos milhares de comentários. Ao contrário do que por aí corre, nunca bloqueei ninguém no Facebook por divergência de opinião ou por ter outros objetivos. Prezo muito o debate, tenho tido grandes debates de ideias no Facebook, no meu blogue, mais antigamente. Nunca bloqueei ninguém por isso. Bloqueei meia dúzia de pessoas por malcriadice. Pessoas que vão ao meu mural para me insultarem, caluniarem, ataques pessoais, mentiras. Em minha casa, só entra quem eu quero. Quem quiser ir ao meu mural para comentar e debater é bem-vindo. Quem vier para me insultar vai à vida. Fiquei um pouco admirado por um presidente em funções, numa entrevista, dizer que, quando é insultado, ao contrário do outro candidato, não bloqueia ninguém no Facebook. Isso deu-me vontade de rir: casualmente, somos amigos no Facebook. Vejo o que ele escreve, e ele vê o que escrevo. Dei-me ao trabalho de ir consultar o Facebook do presidente em funções para ver o que ele escreveria para ser insultado. No último ano, fez duas publicações no Facebook: uma sobre ténis, outra sobre Fórmula 1. São duas modalidades que o Vitória não tem. Alguém é insultado em algum lado por isso? Sempre tive opinião e sempre o farei, com a minha cara, com a minha fotografia, sujeitando-me ao contraditório, não a malcriadice.
Se for eleito, como espera ver o Vitória em 2028?
O meu desejo é ser campeão, mas esse é difícil. Gostaria de ver o Vitória com mais adeptos no estádio, com mais sócios, com mais títulos e troféus nas modalidades e, se possível, no futebol. Não falo do campeonato, mas falo da Taça de Portugal ou da Taça da Liga. E ver o novo complexo desportivo a funcionar, os pavilhões para as modalidades a funcionarem. E estar num processo adiantado de construção de uma piscina para a natação e para o polo aquático. Gostaria de ter esse Vitória daqui a três anos. Se for eleito, tiver esse Vitória daqui a três anos e pensar em me recandidatar, farei novamente campanha eleitoral, a falar com os associados, a ir às freguesias, a prestar contas e a dizer o que quero fazer no novo mandato. Não vou fugir dos associados como o atual presidente, que se recusa a fazer campanha.